Tente imaginar a quantidade de pesquisas científicas sendo realizadas no mundo neste exato momento. Essa é uma informação que talvez não possa ser quantificada, mas, convenhamos, o  valor deve ser imenso.

A partir disso, a questão que fica é: seria humanamente possível que os pesquisadores estejam sempre atualizados quanto à literatura científica? Alguns cientistas acham que não, e é por isso que eles estão em vias de desenvolver um computador capaz de fazer isso de forma autônoma e inteligente.

Computador que lê, interpreta e sugere

Uma publicação do Physorg.com, site especializado em tecnologia e ciência, afirma que o Grupo de Linguagem Natural e Processamento de Informação ligado ao Laboratório de Computação da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, está desenvolvendo um sistema capaz de compreender a linguagem científica da mesma forma que os humanos o fazem.

O grupo, liderado pela doutora Anna Korhonen, informa que uma das áreas visadas de forma prioritária pela tecnologia, chamada de “mineração de texto”, é a avaliação de risco de câncer por exposição a produtos químicos.

Segundo a própria doutora Korhonen, essa é uma área complexa e que demanda leitura pesada por parte dos profissionais da área para identificar a relação entre a exposição e a probabilidade de desenvolvimento de uma doença. “Haveria milhares de artigos científicos para um único composto químico e ler tudo manualmente é caro e, devido ao grande número de publicações, torna-se bastante desafiador de se gerenciar [a informação]”, afirma a pesquisadora.

Primeiros resultados

A partir desse estudo, a equipe de Cambridge, em colaboração com um grupo do Instituto Karolinska, da Suécia, desenvolveu o CRAB, uma ferramenta que propõe uma nova abordagem para a avaliação dos riscos de câncer. Sua função é auxiliar os avaliadores de risco na revisão de literatura sobre o tema.

Essa ferramenta é criada a partir da tecnologia de mineração de textos e foi levada a cabo por “computadores-cientistas”. Foi por meio dela que alguns programas foram desenvolvidos para analisar artigos relacionados a câncer no pâncreas, apesar de sua complexidade e inconsistência.

Ainda por meio da CRAB, é possível obter uma série de informações relacionadas à avaliação do risco de câncer baseando-se apenas em dados sobre os compostos químicos. Em um estudo recente, dados de compostos ainda desconhecidos foram avaliados pela ferramenta, que sugeriu uma série de hipóteses capazes de revelar o nível de risco de tais substâncias.

A doutora Korhonen ressalta, contudo, que o projeto ainda está em fase de desenvolvimento e, enquanto isso, terá um trabalho focado na sugestão de possibilidades. “Enquanto está em desenvolvimento, o sistema pode ser usado para fazer conexões que seriam difíceis de encontrar”, complementa.

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