Cientista explica por que o tempo passa mais devagar na quarentena

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A Terra leva exatamente 23,9 horas para dar uma volta ao redor de seu eixo, mas talvez você tenha notado que, durante a quarentena, o tempo parece passar mais devagar. Philip Gable, professor associado de Psicologia na Universidade de Delaware, afirma que a Ciência tem uma resposta para essa sensação: a culpa é do nosso estado emocional.

Gable dedicou 10 anos a pesquisas relacionadas à dinâmica de percepção de tempo e explica que, em seus estudos, chegou à conclusão de que pensamentos negativos tendem a desacelerar a maneira como enxergamos a passagem das horas. Já os positivos, por outro lado, aceleram. Como durante a pandemia acordamos todos os dias esperando por uma verdadeira montanha-russa emocional, as coisas acabam "se arrastando" mesmo.

Fonte:  Pixabay 

Graças a uma parceria com a Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos, o pesquisador e a sua equipe desenvolveram um aplicativo para registrar emoções, percepções e comportamentos de moradores do país norte-americano nestes tempos turbulentos.

Baseados em dados mensais, eles foram capazes de rastrear o que acontece com o “relógio interno” das pessoas, explorando o que deu errado e a origem dos problemas. A análise dessas informações mostrou que o tempo nem sempre voa.

Perigos invisíveis

Emoção e motivação estão diretamente ligadas. Se, quando nos divertimos tudo parece correr em uma velocidade maior do que a desejada, em um acidente de carro, por exemplo, as coisas parecem entrar em um estado de slow motion. Isso ocorre devido a fenômenos chamados “motivação de abordagem” e “motivação de evasão”. Quanto mais a nossa mente se debruça para qualquer um dos lados, mais percebe o tempo de maneira diferente.

De acordo com Gable, ao determinar metas, o cérebro humano se ocupa para atingir o quanto antes o objetivo definido pelo seu dono. Entretanto, ao sentir-se ameaçado, ele desacelera a percepção para sair o mais rápido possível de situações que pareçam danosas.

Fonte:  Pixabay 

Considerando todos os riscos gerados pela covid-19, segundo o cientista, é comum, mesmo em atividades cotidianas, permanecer com um sinal de alerta ligado. Aliada a isso, existe ainda a falta de perspectiva de encerramento do cenário, tornando as coisas um pouco mais complicadas.

Claro que nada é definitivo. Conforme vamos nos acostumando ao “novo normal”, fatores como estresse e ansiedade tendem a diminuir, já que a rotina vai sendo adaptada. Ainda assim, para aqueles que sofrem com o tempo arrastado, Gable sugere ações que podem suavizar a situação, como praticar exercícios e se dedicar a hobbies. “Seu ritmo pode acelerar o suficiente para você se sentir um pouco melhor”, ele complementa.

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