Pesquisadores acham o lugar para futura colônia humana em Marte

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Imagem: NASA/JPL/ASU/Divulgação
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Tubos de lava são abertos nas encostas de vulcões quando a rocha derretida busca seu caminho em direção à superfície, durante uma erupção. Quando o fluxo cessa e se resfria, o que resta são túneis vazios e endurecidos. Em Marte, eles podem ser a futura casa de colônias de humanos – e parece que uma série de túneis em particular reúne as melhores condições para isso.

Um tubo de lava na encosta do Pavonis Mons, na região de Tharsis, em Marte.Um tubo de lava na encosta do Pavonis Mons, na região de Tharsis, em Marte.Fonte:  NASA / JPL / ASU/Divulgação 

Desde que a sonda da NASA Odyssey Mars começou a fotografar em 2001 a superfície marciana, os cientistas estudam qual seria o melhor local para instalar uma base permanente no planeta. Uma equipe de pesquisadores do Center for Planetary Science analisou cerca de 1.500 imagens capturadas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) à procura desses locais.

Liderado pelo astrofísico e cientista planetário Antonio Paris, o grupo contou ainda com o antropólogo e médico de emergência Evan Davies, o geólogo Laurence Tognetti e a cientista ambiental Carly Zahniser.

Proteção dentro da cratera

O Hadriacus Mons, vulcão onde se encontram os tubos de lava mais promissores à ocupação humana.O Hadriacus Mons, vulcão onde se encontram os tubos de lava mais promissores à ocupação humana.Fonte:  NASA/JPL-Caltech/Arizona State University/Divulgação 

A expertise dos quatro ajudou a localizar pontos que reúnem as condições ideais para abrigar astronautas: uma série de tubos de lava nas encostas do Hadriacus Mons, um vulcão na Hellas Planitia – uma imensa cratera de 2.300 quilômetros de diâmetro perto do equador planetário, no hemisfério sul. Sua profundidade de sete quilômetros faz com que somente 50% da radiação atinjam o fundo da bacia.

O grupo procurou então, na Terra, tubos de lava que fornecessem dados sobre sua eficácia contra a radiação vinda do espaço (mesmo com nossa magnetosfera, algumas dessas partículas chegam à superfície terrestre).

Tubos de lava na Terra (na foto, acima) e em Marte (embaixo).Tubos de lava na Terra (na foto, acima) e em Marte (embaixo).Fonte:  Center for Planetary Science/Reprodução 

Os pesquisadores descobriram um efeito significativo de proteção contra radiação e, extrapolando seus resultados para Marte, calcularam que, vivendo em um tubo de lava em Hellas Planitia, os futuros exploradores poderiam experimentar cerca de 61,64 µSv /dia.

A dose máxima segura de radiação, segundo a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, é de 6.200 µSv/ano; em Marte, ela pode chegar a 547 µSv /dia; no fundo de Hellas, ela é de 342 µSv/dia; – ainda assim, muito alta. Até porque espera-se que, depois de uma viagem de seis meses, os exploradores vivam anos no planeta.

Abrigo e local de busca por vida

Segundo o estudo do grupo de cientistas, publicado no repositório de artigos científicos arXiv, escorar os túneis, selar suas entradas e então pressurizá-los e aquecê-los para torná-los habitáveis é mais vantajoso que permanecer no veículo pousado ou mesmo construir um abrigo do zero.

Tubos de lava no flanco sul de Pavonis Mons.Tubos de lava no flanco sul de Pavonis Mons.Fonte:  NASA/JPL-Caltech/ASU/Divulgação 

Além disso, o subterrâneo protegerá a missão contra micrometeoritos, flutuações de temperatura e substâncias perigosas, suspensas na poeira da superfície marciana.

Segundo o grupo diz em seu trabalho, “os tubos de lava podem servir também como locais importantes para observação direta e estudo da geologia e da geomorfologia marciana, além de potencialmente fornecer evidências sobre o possível desenvolvimento da vida microbiana no início da história natural de Marte."

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