EUA podem sofrer a maior seca dos últimos 500 anos

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O oeste dos Estados Unidos está passando por um evento conhecido como megasseca desde o ano 2000. Porém, estudos indicam que as mudanças climáticas podem intensificar o fenômeno, algo que já pode ser notado através dos grandes incêndios que atingem a região e da baixa de leitos de rios usados para a navegação, como o Colorado, que precisou ter sua hidrovia fechada.

Megassecas são bastante raras e costumam durar décadas. Pesquisadores acreditam que ao menos 4 desses fenômenos aconteceram nos EUA: no final dos anos 800, em meados de 1100 e no final de 1500. Elas puderam ser determinadas através de registros fósseis de árvores comparados com as de atualmente. Através da análise dos anéis do interior de seus troncos, é possível determinar a umidade do solo nos último 1200 anos.

Na conclusão dos especialistas, a atual megasseca só deve ser inferior à que ocorreu entre 1575 e 1603, mas por uma diferença muito pequena. “As duas primeiras décadas dessa seca parecem as duas primeiras décadas de todas as megassecas”, disse o doutor Park Williams, da Universidade de Columbia, principal autor do estudo.

Oeste dos Estados Unidos enfrenta seca há 2 décadasOeste dos Estados Unidos enfrenta seca há 2 décadasFonte:  Juanita Swart / Unsplash 

E por mais que as megassecas sejam eventos normais na região, os pesquisadores alertam que a atual está sendo agravada pelas mudanças climáticas. Fenômenos como La Niña, por exemplo, deixam o sudoeste norte-americano e o norte do México bastante áridos – e isso aconteceu com frequência nos últimos 20 anos.

Outro detalhe é que, desde 2000, as temperaturas na região subiram 1,2 °C, fazendo com que o ar mais quente retenha mais umidade, que é retirada do solo. Os dois reservatórios de água mais importantes dessa área, os lagos Powell e Mead, reduziram drasticamente seu volume nos últimos anos. Com isso, foi necessário o uso de aquíferos subterrâneos para manter a agricultura dos estados mais afetados.

Para calcular os efeitos das mudanças climáticas produzidas pelo homem, os cientistas usaram 31 modelos computacionais diferentes. Com eles, foi possível determinar que a seca dos últimos 20 anos seria apenas normal caso não houvesse interferência humana; porém, ela se tornou até 47% mais severa. “Mesmo sem as mudanças climáticas, ainda teríamos uma seca, mas ela não seria tão grande coisa”, explica Williams.

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