A luta para sair da Antártida e deixar de fora a covid-19

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Enquanto a covid-19 avança pelo mundo, um único continente permanece intocado pela doença: a Antártida, que mantém até cinco mil pessoas de 29 nações em 80 bases de pesquisa. Desde o início da pandemia, essa multidão assistiu à propagação do vírus país por país, e agora está tentando voltar, às portas da escuridão e das temperaturas mortais do inverno polar.

Com o fechamento das fronteiras, a suspensão de voos comerciais e a quarentena imposta por países pelo caminho, as equipes enfrentam dificuldades para chegar em casa. A Grã-Bretanha reuniu seu pessoal na estação principal de Rothera; quase todos (menos a equipe principal  da Pesquisa Antártica Britânica - BAS, em inglês) percorrerão caminhos alternativos, já que a rota usual (pelo Chile) está fechada.

A solução está sendo levar todos para as Ilhas Malvinas, na costa argentina, e acomodá-los em um navio de cruzeiro (que funcionará como uma quarentena) alugado até o embarque em aviões da Real Força Aérea.

Os primeiros 30 de 90 pesquisadores embarcaram de volta à Grã-Bretanha no domingo, cruzando o Atlântico Sul da Argentina para o Senegal, na África Ocidental, onde o avião reabasteceu (a Ilha da Ilha da Ascensão e Cabo Verde, as paradas usuais, estão com seus aeroportos fechados por causa da pandemia).

Missão: manter o Sars-Cov-2 longe

Uma única tarefa agora mobiliza as agências de ciência antártica: manter a coronavírus fora do continente. "Estamos trabalhando duro para fazer isso", disse à BBC a diretora da BAS, Jane Francis.  Esse trabalho, porém, pode já ser inútil: no último dia 13, o Programa Antártico dos Estados Unidos (USAP) pediu ajuda à Austrália para retirar um membro de sua equipe.

Países correm para retirar suas equipes antes que o inverno torne a viagem impossível.Países correm para retirar suas equipes antes que o inverno torne a viagem impossível.Fonte:  University of Houston/ITGC Thwaites Consortion/Julia Wellner 

Os australianos enviaram então uma equipe médica à base de McMurdo, a cerca de 3.500 km ao sul da Nova Zelândia e sob temperaturas a - 30°C.  Os dois países se recusaram a revelar o que acometeu o americano, integrante de uma recém-chegada expedição.

Mais partidas que chegadas

Os italianos partiram em um navio sul-coreano rumo à Nova Zelândia (onde devem desembarcar nesta quinta, dia 9), sem ideia de como voltarão para casa, já que todos os voos para a Itália foram cancelados.

A equipe brasileira deixou a Antártida em meados de março.A equipe brasileira deixou a Antártida em meados de março.Fonte:  Jonne Roriz/VEJA/Reprodução 

Já a equipe brasileira deixou a Estação Comandante Ferraz no último dia 19, a bordo do navio Almirante Maximiano, que parou para reabastecer na cidade argentina de Ushuaia. Ninguém foi autorizado a desembarcar.

O melhor e o pior lugar para se estar em uma pandemia

Se o continente oferece a melhor quarentena do planeta, é também o pior lugar para se estar se a covid-19 surgir: há poucos médicos, auxiliados por um corpo de enfermeiros quase inexistente e com recursos que incluem poucos ventiladores e nenhum material para o tratamento de falhas respiratórias graves.

A Antártida é, ainda, o único continente ainda intocado pela covid-19.A Antártida é, ainda, o único continente ainda intocado pela covid-19.Fonte: CSSE/Johns Hopkins University/Reprodução 

“Nenhum continente é imune, incluindo a Antártida. Viver aqui é como estar na Lua ou a caminho de Marte. Não é possível tirar as pessoas daqui. Uma evacuação médica em nove dos doze meses do ano é impossível”, revelou ao jornal The Washington Post o diretor médico da Divisão Antártica Australiana, Jeff Ayton.

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