Chineses conversam em códigos para evitar censura sobre Covid-19

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Os usuários das redes sociais na China estão tendo que se comunicar em códigos para discutir sobre questões delicadas como o surto do Coronavírus — responsável por mais de 3 mil mortes no país , pois o governo local tem censurado tópicos sobre a doença nas plataformas online.

Segundo a Anistia Internacional, a censura envolve palavras e expressões como “Wuhan”, “Crise + Pequim” e “Cruz Vermelha”, entre outras, que fazem parte de uma lista de termos proibidos pelas autoridades chinesas. Com isso, os usuários precisam ser criativos para driblar os censores.

Para conversar sobre lugares como Wuhan e Hubei, por exemplo, onde há muitos casos de infectados, as pessoas estão usando os termos “wb” e “hb”, enquanto nas discussões sobre as capacidades da Cruz Vermelha distribuir suprimentos, o termo foi substituído por algo como “dez vermelhos”.

Fotos de pandas também estão entre os códigos usados pelos internautas. (Fonte: Pixabay)

Outro código bastante utilizado nas redes sociais chinesas nas últimas semanas é “F4”, que não se refere a uma famosa boy band asiática e sim a quatro políticos locais: o prefeito de Wuhan, o secretário do Partido Comunista de Hubei, o secretário do partido de Wuhan e o governador da província de Hubei. Já a imagem de um panda representa o departamento de segurança doméstica.

Referências ao médico censurado

O médico chinês Li Wenliang, que foi uma das primeiras pessoas a comentar sobre o Covid-19 nas redes sociais, no início de 2020, está sendo uma grande referência para os internautas. Muitas das frases utilizadas por ele estão agora sendo combinadas para a formação de novos códigos, evitando a censura.

Vale lembrar que Wenliang foi censurado pelo governo por alertar às pessoas sobre o surgimento de uma doença ainda desconhecida, naquele momento, e acabou morrendo algumas semanas depois, contaminado pelo vírus.

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