No dia 7 de março, o Medium publicou uma notícia que citava uma declaração assinada por 200 cientistas de 40 países, na qual, de acordo com o site, alertava os usuários sobre os AirPods e outros fones sem fio serem cancerígenos.

A declaração até existe, mas ela foi publicada em 2015, e não se refere exatamente a nenhuma marca ou modelo de equipamento, mas se trata de um pedido formal de um grupo de cientistas para que os governos levem a sério a possibilidade de financiar pesquisas que demonstrem os resultados da exposição à radiação não-ionizada, que é emitida por celulares e outros dispositivos sem fio.

Fonte: MD Safe Tech

A confusão foi causada porque, até pouco tempo, cientistas e operadoras trabalhavam com a ideia de que a radiação não-ionizada não poderia, de forma alguma, causar câncer. No entanto, um estudo realizado em 2018, pelo Programa de Toxicologia Nacional dos EUA, revelou que ratos machos expostos a esta radiofrequência contraíram tumores cancerígenos no coração, além de apresentarem a possibilidade de também contrair a doença no cérebro.

Quando os resultados do estudo foram publicados, Ronald Melnick (hoje, aposentado), que foi o toxicologista sênior no início da pesquisa, disse que era improvável chegarmos a uma conclusão a respeito dos efeitos em seres humanos.

Pode ser que a radiação não-ionizada traga riscos para nossa espécie, mas cabe à comunidade científica fazer uso desses dados e mapear como, e em quais níveis, essa radiofrequência pode nos afetar.

No caso dos AirPods, eles se comunicam com o smartphone através de conexão Bluetooth, que também emite radiação não-ionizada.

Em 2018, Leeka Kheifets, professora de epidemiologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, disse ao Consumer Reports, que, possivelmente, o risco do Bluetooth para a saúde humana é muito mais baixo do que o próprio sinal da operadora, pois a comunicação entre o aparelho e os fones ocorre numa distância muito menor que entre o smartphone e a torre do sinal de celular, o que demanda muito menos potência para funcionar. Mesmo assim, continua sendo apenas uma suposição.

Aliás, os mais precavidos ainda podem substituir os fones Bluetooth por fones convencionais, mas, como pudemos observar, ainda não existem estudos que comprovem que os dispositivos sem fio realmente causem algum risco à saúde dos seres humanos.