Alguns de nossos leitores entraram na escola quando Plutão já era carta fora do baralho, mas muitos de nós crescemos aprendendo que o Sistema Solar tinha nove planetas, e que o pequeno no final era o nono. E uma boa parte não aceitou muito bem esse corte sofrido por ele.

Planeta, planeta-anão... o debate acaba de voltar à mesa. E que debate!

Por 76 anos, as pessoas aprenderam que havia um nono corpo celeste no Sistema Solar, e que ele era bem pequeno, escuro e congelante. Então, em 2006, a União Astronômica Internacional (IAU) criou uma nova categoria em que Plutão se encaixou direitinho, a chamada “planeta-anão”, o que o tornava algo que não é bem um verdadeiro planeta.

A ideia defendida por eles é que um planeta que preze por seu título deve corresponder a três pontos: 

  • Ele tem que girar em torno do Sol: OK! Plutão faz isso.
  • Ele tem que ser grande o bastante para se tornar redondo por sua própria gravidade: OK! Plutão é pequeno, mas grande o suficiente para ter ficado redondinho sozinho.
  • Tem que ter limpado a sua órbita, sem deixar nada no caminho: Opa! Aí veio o problema...

Plutão não tem poder gravitacional suficiente para consumir corpos menores ou mandá-los para longe; quando se olha sua órbita vizinha, chamada de Cinturão de Kuiper, é possível ver que ela é bem repleta. E esse foi o motivo para  seu rebaixamento.

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Em 2018, o pesquisador da NASA Alan Stern e o cientista David Grinspoon lançaram um livro a respeito de uma missão que sobrevoou o astro renegado em 2015, chamado “Perseguindo Novos Horizontes: Dentro da Primeira Missão Épica a Plutão”. E em maio, o jornal The Washington Post publicou um artigo escrito pelos dois, intitulado “Sim, Plutão é um planeta”. Afirmação curta e direta!

Para eles, a ideia de classificar um planeta de acordo com o que está na órbita é absurda. Um exemplo dado pelos cientistas era de que a Terra, nos seus primeiros 500 milhões de anos, estava rodeada de destroços; se fôssemos levar essa propriedade a sério, nosso mundo em seu início não poderia ser considerado um planeta.

Porém, a opção dada pelos cientistas de que a melhor definição para um planeta é a geofísica – em que ele é basicamente um “objeto redondo no espaço, menor que uma estrela” – também não satisfaz. Afinal, se fosse para levar isso em consideração, até nossa simpática lua seria um planeta, e isso quer dizer, querido leitor, que nós teríamos muitos, mas muitos por aqui.

PlutãoComparação de Plutão e sua lua Caronte com a Terra

Para o astrofísico Ethan Siegel, o que acontece com Plutão é que ele nunca foi exatamente como os outros. Ele não foi classificado direito quando foi descoberto, e aí em 2006 a IAU tentou reparar isso de uma maneira não muito adequada e fez uma bagunça.

Fica aí uma discussão acirrada entre o pessoal de astronomia em relação ao pequeno e polêmico corpo celeste – e talvez uma esperança para os nostálgicos.

Plutão vai permanecer um planeta-anão? Vai voltar a ser o nono planeta do Sistema Solar? Ou a definição geofísica vai pegar, e as crianças vão aprender que temos mais de cem planetas? O que você acha?

Plutão pode voltar a ser um planeta? Eis que o debate volta à tona! via Mega Curioso

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