Portadores da doença esclerose lateral amiotrófica  também conhecida pela sigla ELA ou, ainda, Doença de Lou Gehrig  sofrem muito com a falta de mobilidade. Se você não tem muito conhecimento sobre a ELA, talvez se lembre que o cientista Stephen Hawking sofre da patologia. A doença do consagrado físico britânico também foi retratada em seu biográfico filme "A Teoria de Tudo". Hawking é um ótimo exemplo de como a tecnologia pode dar o poder de comunicação para quem não tem mobilidade.

   

ELA é uma doença degenerativa que compromete gravemente os neurônios motores, causando fraqueza muscular. Com o passar do tempo, o paciente perde os movimentos e não consegue falar, já que os músculos do corpo todo são afetados. No entanto, a pessoa não perde suas habilidades intelectuais e percebe normalmente tudo o que acontece ao seu redor. Cientes de sua condição, mas sem conseguirem se mover ou se comunicar, os portadores da ELA enfrentam um isolamento involuntário.

Seja em prol do desenvolvimento científico ou para atenuar essas consequências emocionais, a tecnologia tem sido crucial nos estudos sobre a doença. Os recursos tecnológicos são essenciais para, ao menos, amenizar os efeitos da ELA e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Podemos citar novamente o cientista Hawking e seu moderno sistema de comunicação como exemplo.

Mas, convenhamos: os recursos avançados adotados por Hawking dificilmente poderiam ser acessíveis a muitas outras pessoas. Em contrapartida, novas e modernas tecnologias estão surgindo. Um exemplo é o Eyespeak, uma câmera especial com óculos de realidade aumentada. O produto foi desenvolvido pela empresa portuguesa Lusovu.

O que é e como funciona o Eyespeak

Uma pequena câmera grava o olho, localiza a pupila e monitora o sentido para onde você está olhando. Essa câmera é equipada com os óculos de realidade aumentada, que por sua vez projeta um teclado virtual. Com o movimento dos olhos, o paciente é capaz de "teclar" no dispositivo virtual selecionando as letras com o movimento das pupilas. Por fim, basta selecionar "falar", que um sintetizador vai reproduzir o que foi escrito.

Ivo Vieira, engenheiro português da Lusovu, é um profissional com 16 anos de experiência no setor aeroespacial. Quando soube que seu pai foi diagnosticado com a ELA, resolveu dedicar seu conhecimento para fazer algo positivo. Então ele desenvolveu uma tecnologia para ajudar não apenas seu pai, mas também outras pessoas que sofram da mesma doença ou de patologias similares. Foi assim que surgiu o Eyespeak.

O engenheiro defende que sua criação se trata de uma tecnologia avançada e revolucionária. Isso porque o monitor fica dentro das lentes dos óculos e o paciente consegue enxergar a luz. O Eyespeak tem conexão com a internet e funções multimídia. Além dos benefícios para os portadores de ELA, Vieira acredita que o produto será futuramente como um smartphone. "De fato, os smartphones que usamos hoje em dia vão desaparecer em uns 5 ou 10 anos porque vamos ter esse dispositivo que vai projetar as informações de que você precisa", prevê.