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’13 Reasons Why’ pode ter estimulado pensamentos suicidas, aponta estudo

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A série 13 Reasons Why estreou em março na Netflix e chamou muita a atenção do público especialmente por ter algo delicado e ainda alvo de tabu como tema central: o suicídio. À época, não era incomum ler reflexões preocupadas sobre o seriado e o tom das preocupações geralmente ficava em torno do possível estímulo que o programa daria à práticas suicidas.

Agora, pesquisadores da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos, apresentaram os resultados de uma pesquisa que confirma esses temores. O grupo liderado pelo professor de saúde pública da instituição John W. Ayers analisou a quantidade de buscas feitas no Google e descobriu um aumento significativo em pesquisas sobre suicídio.

Tendência

A pesquisa ficou restrita aos Estados Unidos e levou em conta o período de 31 de março e 18 de abril deste ano. Nesse intervalo, foram identificadas de 900 mil a 1,5 milhão — 19% — de pesquisas a mais do que o esperado quando se comparava a média do período entre 15 de janeiro e 30 de março deste ano.

Enquanto buscas por ajuda e prevenção ao suicídio cresceram apenas 12% e 23%, respectivamente, pesquisas com a frase “como cometer suicídio” tiveram um aumento de 26%. Buscas com as expressões “cometer suicídio” e “como se matar” tiveram crescimento de 18% e 9%, respectivamente.

Para autores do estudo, a série inspirou potenciais suicidas em procurar informações sobre como colocar fim à própria vida

“Enquanto é possível que o lançamento da série tenha resultado no aumento da preocupação com o suicídio e de sua prevenção, os nossos resultados confirmas os piores medos dos críticos do programa: ele pode ter inspirado muitas pessoas a procurarem informações sobre como cometer suicídio”, afirma Ayers em comunicado.

É claro que não há uma relação direta entre causa e efeito aqui. Como a pesquisa envolve apenas a coleta fria de dados do Google Trends no período logo após o lançamento da série, é impossível associar esse crescimento ao programa — para isso, o necessário seria, por exemplo, uma pesquisa de campo a fim de descobrir se as pessoas que pesquisaram sobre o tema assistiram à série.

Série estreou na Netflix em 31 de março e causou bastante controvérsia.

Pedido à Netflix

De qualquer forma, a conclusão do estudo envolve um pedido dos pesquisadores à Netflix para que o conteúdo seja retirado do ar e editado a fim de se tornar mais ameno.

“Nós pedimos à Netflix que remova o programa e edite o seu conteúdo para alinhá-lo aos padrões da Organização Mundial de Saúde antes de repostá-lo”, afirma Ayers. “Além disso, a planejada segunda temporada, e todo a mídia relacionada ao suicídio, deve ser submetida a testes antes de sua divulgação em larga escala para prevenir que conteúdo bem intencionado ocasione em resultados não esperados.”

Em comunicado enviado ao site Mashable, a Netflix afirmou ter ciência de que o programa aumentaria as discussões sobre o tema e que, em suma, essa pesquisa apenas confirmou essa expectativa.

“Nós sempre acreditamos que o programa aumentaria as discussões sobre esse tema pesado. Esse é um interessante estudo quase experimental que confirma isso”, afirma o serviço de streaming. “Nós estamos ansiosos por mais pesquisas e levando em conta de coração tudo o que aprendemos para a segunda temporada.”

A nova temporada de 13 Reasons Why estreia em 2018, mas ainda não tem uma data específica para isso.

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