Em torno de 285 milhões de pessoas sofrem, mundialmente, com algum tipo de deficiência visual. Muitos tratamentos e tecnologias vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos, mas talvez a cura para a cegueira esteja nos filmes de ficção científica: olhos biônicos.

Um olho biônico, ou sistema de retina prostética, funciona como uma ponte que liga a luz entrando no seu olho e chegando ao nervo óptico — que é o que comunica as imagens ao cérebro para que possamos discernir o que vemos.

Até o momento, o único dispositivo regulamentado (nos EUA) é o Argus II, que funciona usando uma câmera integrada a um par de óculos e um implante na superfície do olho — vide a primeira foto —, que torna a comunicação com o nervo óptico possível. Com ele a pessoa só consegue discernir os contornos e sombras de objetos, não sendo tão eficiente.

Outro projeto que está se desenvolvendo rapidamente — graças a um investimento de mais de US$ 1 milhão por parte do governo americano — tem o diamante como um dos elementos principais, sendo utilizado como uma espécie de eletrodo wireless que é implantado atrás do olho do paciente.

Com isso, 256 eletrodos feitos de diamantes recebem informações de uma minúscula câmera acoplada num par de óculos — similar ao Argus II. Mas 256 eletrodos não são suficientes para reproduzir uma boa resolução dos objetos vistos, portanto o Dr. David Garrett (responsável pelo projeto) utilizará quatro camadas de eletrodos como estes no próximo protótipo — 1024 eletrodos de diamante —, sendo possível gerar uma resolução boa o suficiente para reconhecer rostos e expressões.

Um futuro ciborgue

A luz chega até nós em ondas de tamanhos diferentes, e humanos só conseguem ver o espectro visível onde há luz colorida. Se um olho biônico nos desse a capacidade de enxergar inteiramente o espectro eletromagnético — de raios gamas até ondas de rádio —, poderíamos “enxergar” o calor, identificar diferentes tipos de gases com os nossos próprios olhos, e até ver através de paredes.

Seríamos capazes de dar zoom (tecnologia que já existe), focar em vários objetos ao mesmo tempo, ampliar nosso campo de visão, filmar o que vemos e sincronizar na nuvem automaticamente, entre outras coisas que parecem terem saído de algum filme de ficção cientifica — Estilo ‘Black Mirror’. Afinal, não podemos negar que muitas tecnologias hoje existentes se basearam em grandes sagas do universo Sci-Fi. 

Uma visão do futuro

Tecnologias como essas poderão impactar diferentes áreas: o estudo de micro-organismos poderá ser feito sem uso de equipamentos especiais, soldados irão detectar minas no campo de batalha, seguranças de aeroportos não precisariam de maquinas gigantescas de Raio-X, entre outras infinitas possibilidades. 

Poderá levar décadas até que tenhamos olhos biônicos funcionais e de fácil acesso, seja para curar deficiências visuais, auxiliar na segurança ou até mesmo no setor de entretenimento.  Até lá, cientistas ficarão de olhos bem abertos para futuros avanços tecnológicos. 

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