Relegado ao segundo controle do video game e estrelando alguns jogos de gosto duvidoso no passado, o encanador Luigi sempre esteve à sombra de seu irmão mais famoso, o igualmente bigodudo Mario. Felizmente, parece que a época em que o personagem era chamado de “Mario verde” já ficou para trás. Isso porque o seu nome foi escolhido para batizar um robô que deve ajudar bastante no trabalho de pesquisadores do MIT. Como ele vai fazer isso? Mexendo nas suas fezes, oras!

Desenvolvido para um projeto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o equipamento deve se mostrar uma ferramenta essencial para que os cientistas possam coletar bactérias e compostos químicos da água que circula no esgoto das cidades para entender como diversas doenças se alastram entre a população e como o comportamento sanitário das pessoas pode afetar esse cenário. Pode não parecer uma tarefa muito nobre para o pobre Luigi, mas é o tipo de trabalho que os humanos não têm nenhum problema em passar para os robôs, certo?

Amostras podem ser obtidas mais facilmente com o robô

Leve, simples e com um formato cilíndrico relativamente compacto, o dispositivo pode ser descido ou içado facilmente através de bueiros para chegar até a água que leva dejetos dos centros urbanos para os rios ou centros de tratamento. Uma vez posicionado adequadamente nessas instalações, o aparelho pode ser controlado de forma totalmente remota. Para isso, os cientistas utilizam um aplicativo dedicado para iPhone que permite operar sensores, coletores e até a câmera integrada ao conjunto.

Entrar no bueiro tem menos glamour na vida real

Em vez de levar litros de esgoto para a bancada, conseguimos começar o processo de filtragem no próprio local

“Todos nós damos descarga em dados valiosos pela privada. Os esgotos representam uma oportunidade única na qual os dados de saúde de toda uma comunidade são reunidos”, analisa Eric Alm, um dos principais pesquisadores do projeto Underworlds. Para o professor Carlo Ratti, líder do projeto e diretor de um dos laboratórios do MIT, a invenção leva a tecnologia de coleta de amostras a um novo patamar. “Em vez de levar litros de esgoto para a bancada, conseguimos começar o processo de filtragem no próprio local”, explica.

Entrando pelo cano em grande estilo

Conferir a existência de superbactérias nos esgotos da cidade ou avaliar se a população de uma certa localidade está começando a apresentar sinais de diabetes em um nível alarmante, por exemplo, não são tarefas simples de serem feitas. Por isso, o magrelinho Luigi foi construído com recursos feitos sob medida para esse tipo de situação, trazendo ferramentas e funcionalidades adaptadas aos requerimentos mais exigentes do time de análise biológica do instituto universitário.

O kit também é totalmente modular

Para mostrar a competência do robô no segmento, Alm conta que o equipamento tem a medida exata de sucção da água para que a ação não afete as bactérias – rendendo dados bem mais preciso e próximos da realidade. O kit também é totalmente modular, permitindo que os pesquisadores possam substituir filtros e garrafas de armazenamento conforme a sua necessidade. Além disso, o projeto é econômico e fácil de ser montado, itens que, muito provavelmente, devem viabilizar a produção e uso do brinquedinho em uma escala bem maior.

Será que essa é a chance de redenção do Luigi ou ele prefere ser um encanador aventureiro – e secundário – no mundo dos games?

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