O cinema e a literatura já cansaram de explorar como poderão ser as residências em um futuro não muito distante. Na maioria dos casos, as obras de ficção mostram vários tipos e formatos de robôs com as mais diversas funções trabalhando dentro das casas para o máximo conforto dos moradores.

Porém, o que se pensa hoje em dia no mundo real é que, diferentemente da ficção, as próprias casas serão os robôs que vão tornar nossa vida cada vez mais prática – ou talvez preguiçosa. Por isso, uma startup norte-americana chamada Brain of Things anunciou que está desenvolvendo casas inteligentes e automatizadas em três locais da Califórnia.

As casas do futuro!

Essas residências-robô são constituídas por uma quantidade enorme de sensores e dispositivos automatizados que armazenam informações sobre o comportamento-padrão dos habitantes e reagem de acordo com o que for programado. A precisão com a qual a casa consegue entender as manias e jeitos de quem a frequenta é impressionante, sendo ela capaz até de “dibrar” o seu “mim acher” e sacar imediatamente se você chegou em casa bêbado ou se acordou com aquela ressaca monstruosa no dia seguinte.

As moradias inteligentes sabem quando você está acordando para trabalhar ou quando você apenas levantou durante a noite para tomar um copo d’água ou ir ao banheiro e reagem de acordo

Ashutosh Saxena, um dos pesquisadores envolvidos no desenvolvimento desse conceito, afirma: “A casa conhece o contexto, se seus ocupantes estavam vendo um filme, dormindo, ou qualquer outra coisa. Enquanto eles caminham pela residência, ela acompanha como eles estão reagindo, podendo aprender muito com isso”.

Uma das casas da Brain of Things

Assim, as moradias inteligentes sabem quando você está acordando para trabalhar ou quando você apenas levantou durante a noite para tomar um copo d’água ou ir ao banheiro e reagem de acordo, acendendo as luzes de modo que não ofusquem a visão dos ocupantes ou agindo de maneira mais ativa para acordar os moradores quando necessário.

Se você chegou tarde depois de passar um pouco da conta no “danone” no Happy Hour da firma, a casa é capaz de disponibilizar o que você precisa para se sentir mais confortável e não vai abrir as persianas das janelas para evitar que você sofra demais com a possível ressaca.

A Internet das Coisas nas coisas

Por mais que esse tipo de automatização “exagerada” ainda preocupe algumas pessoas mais precavidas, não dá para negar que a tendência é que sejamos cercados cada vez mais por esse tipo de tecnologia, vide a revolução que vem sendo a chamada Internet das Coisas, com recursos de interatividade e conexão com a nuvem sendo disponibilizados para praticamente qualquer tipo de eletrodoméstico e outros aparelhos eletrônicos.

Tudo pode ser controlado pelas pessoas através do sistema normal de interruptores e botões liga/desliga, mas também funcionam por meio de comandos de voz e aplicativos em um smartphone

As casas inteligentes da Brain of Things partem dessa premissa e contam, além dos sensores, com todo tipo de eletrodoméstico inteligente, incluindo sistema de climatização e até os encanamentos. Uma programação central processa e compreende todos os dados capturados sobre o comportamento de pessoas e até animais dentro da casa e repassa para os dispositivos, que vão reagir de acordo com que favorecer mais os ocupantes.

Tudo pode ser controlado pelas pessoas através do sistema normal de interruptores e botões liga/desliga, mas também funcionam por meio de comandos de voz e aplicativos em um smartphone. Essa parte do processo também vai ajudar a “ensinar” a casa a agradá-lo e, com um certo tempo de rotina, a residência passa a tentar prever o que o você provavelmente faria caso agisse como o esperado.

Ainda há muito o que melhorar

Ao contrário do que parece, o sistema de sensores das casas da Brain of Things é relativamente simples e detectam apenas movimento, vozes e outras informações, mas não possuem a capacidade, por exemplo, de discernir se uma pessoa parada em um cômodo está de pé, sentada ou mesmo se já deixou aquele ambiente, visto que não há movimento sendo detectado.

O grande problema nisso tudo? A privacidade

É o que afirma Kamin Whitehouse, outro pesquisador envolvido com a criação de moradias inteligentes robotizadas e professor da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos. Segundo ele, a solução para isso seriam dispositivos vestíveis, ou wearables, que monitorariam com muito mais precisão os habitantes da casa e seriam capazes de fornecer informações melhores e mais detalhadas sobre os comportamentos dos ocupantes da casa.

Vigilância 24 horas por dia

O grande problema nisso tudo? A privacidade. Pessoas sendo monitoradas em todas as suas ações e atividades diariamente não parece ser algo muito legal para quem deseja manter uma certa discrição. Ainda assim, segundo Whitehouse, os benefícios trazidos por essa tecnologia ultrapassam os riscos de ter dados pessoas revelados, especialmente no caso de pessoas com deficiências, que vão poder ter uma vida muito mais próxima da “normal” com a ajuda das casas inteligentes.

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