Uma resolução do Departamento de Veículos Automotores (DMV) da Califórnia determinou a obrigatoriedade de mecanismos de controle de direção tradicionais em carros autônomos – quando foi concebido, o carro inteligente da Google sequer contava com volante ou pedais. Mas a que se deve tamanha insegurança no que tange à popularização de veículos com tecnologia de locomoção que dispensam as habilidades de motoristas?

Fato é que, apesar de já ter percorrido milhares de quilômetros de forma segura, o carro autônomo da Google deverá chegar ao mercado somente daqui a, no mínimo, cinco anos. Quem faz a previsão é Chris Urmson, diretor do projeto da Gigante das Buscas. E a falta de estrutura adequada à circulação dos automóveis (como estradas bem pavimentadas) não é o único desafio que as fabricantes deverão enfrentar.

“Algumas preparações devem ser primeiramente feitas, tais como mapeamento de pistas e de calçadas – o que determina a rota exata que deverá ser percorrida pelos carros. Dados específicos sobre cada passo que o veículo irá dar devem ser coletados tanto por computadores quanto por humanos. Se uma luz de parada de emergência aparecer no meio da noite, por exemplo, nosso carro não saberia obedecê-la”, comenta o executivo.

Mas desviar de obstáculos de forma ágil e saber identificar uma luz de parada de emergência em plena madrugada não são os únicos desafios que a Google enfrenta. Conheça outros limitadores listados por Urmson e entenda, assim, os motivos que truncam o lançamento de carros completamente autônomos:

  • Tempo: os carros autônomos da atualidade não são capazes de encarar más condições de tempo, tais como chuvas fortes ou nevascas.
  • Agentes fiscalizadores: a abordagem policial não é possível junto aos carros inteligentes: se um órgão de fiscalização emitir um sinal para a parada do veículo, o automotor continuará seguindo em frente.
  • Obstáculos: ajustes devem ainda ser feitos sobre os sensores de obstáculos: “nosso carro ainda não consegue diferenciar uma pedra de um pedaço de papel”. Bueiros abertos e demais adversidades, desta forma, são ignoradas pelo veículo.
  • Congestionamentos: em locais congestionados ou que exigem atenção maior por parte de motoristas (como os arredores de construções), algumas dificuldades de navegação são enfrentadas por veículos inteligentes.

Estas razões, portanto, deixam claro que carros completamente autônomos deverão ser realidade somente em um futuro próximo. E por que exatamente cinco anos? “Quero que os veículos estejam devidamente finalizados assim que meu filho, que hoje tem 11 anos, complete os 16 – idade legal para a condução de carros admitida pela Califórnia”, revelou, por fim, Urmson.