Em maio deste ano, a Google apresentou ao mundo um conceito que leva o termo “carro autônomo” ao pé da letra. Sob o nome de “Self-Driving Car Project”, o veículo de fato dispensa os métodos tradicionais de direção; não há volante nem mesmo pedais de freio ou acelerador.

E discussões acerca da eficiência de resposta do carro foram naturalmente construídas: e se for preciso desviar de um obstáculo de modo abrupto? E se uma direção defensiva precisar ser adotada? Debruçado sobre estes tipos de reflexões, o Departamento de Veículos Automotores (DMV) da Califórnia (EUA) determinou que carros autônomos deverão contar com mecanismos que ofereçam “controle físico imediato aos motoristas”.

“A Google tem o objetivo de cooperar com a regra criada pelo estado de Califórnia, construindo um pequeno sistema de volante e de pedais para que os motoristas usem durante os testes. Com estas adições, eles poderão testar os recursos de direção autônoma do veículo enquanto têm condições para controlar o carro manualmente se necessário”, publicou a Google.

A nova lei entra em vigor a partir do dia 16 de setembro deste ano. Em um primeiro momento, 100 protótipos do carros autônomos equipados com volante e pedal da Google serão testados junto a estradas privadas. A Gigante das Buscas solicitou esclarecimentos ao DMV acerca da adoção das mesmas medidas por demais projetos de veículos autônomos, como caminhões e motocicletas.

Aperfeiçoamento de sistema

“Queremos dar passos pequenos enquanto estivermos testando e desenvolvendo esta tecnologia. Assim, teremos noção se o estado de Califórnia terá condições de admitir o uso de veículos [que dispensam comandos de um motorista]”, disse Bernard Soriano, um dos idealizadores da regra que exige a instalação de pedais e volantes em carros autônomos.

Sistemas dotados de inteligência artificial estão ficando cada vez mais robustos; é bastante provável, portanto, que veículos completamente automáticos sejam comuns em um futuro próximo. Há, porém, uma faceta deste promissor novo horizonte que deve ser desvelada: carros guiados por softwares ficam, por consequência, suscetíveis a ataques hacker.

“E se vocês fossem abandonados por um carro autônomo no meio de uma estrada?”, provocou Claire Hughes, executiva envolvida no Self-Driving Car Project, durante palestra realizada em julho que tratou sobre a fundição entre sistemas automáticos e manuais – o questionamento feito deixa clara a preocupação da Google em aprimorar sistemas autônomos de direção. Vale lembrar que, também em julho, o carro inteligente Tesla Model S foi hackeado durante um evento realizado pela companhia chinesa Qihoo 360 (veja mais aqui) –  o que prova a necessidade de aprimoramento desses sistemas.