A Waymo, responsável por tocar o projeto de veículos autônomos do grupo Alphabet e, portanto, irmã da Google, anunciou na última semana que vai começar a trabalhar no desenvolvimento de caminhões que serão capazes de dirigir por conta própria.

A companhia vai trabalhar em veículos da chamada Classe 8, que se refere àqueles que carregam até 15 toneladas, o tipo mais comum que vemos pelas estradas por aí – algo bem diferente da Chrysler Pacifica que a Waymo vem testando ultimamente. O kit de direção autônoma está sendo aplicado em modelos da marca Peterbilt.

Caminhão da Otto, outra companhia voltada para o desenvolvimento de kits de direção autônoma para veículos de carga pesada

Os caminhões serão testados em uma pista de testes privada na Califórnia, mas as operações devem expandir para as estradas do Arizona até o fim do ano – com um motorista dentro do veículo a todo momento, por questões de segurança e também por conta das leis de testes de carros autônomos nos EUA.

Em relação aos profissionais de transporte pesado, a Waymo reforçou que não há razões para pânico: a tecnologia deve ser aplicada apenas para viagens de longa distância, com os motoristas ainda sendo necessários pelas entregas e coletas locais.

A expectativa é que os caminhões autônomos supram as faltas de motoristas na indústria. De acordo com a American Truck Association, existem cerca de 50 mil vagas em aberto para caminhoneiros nos Estados Unidos.

Provocação ou desejo genuíno?

A parte interessante dessa história toda é que a Waymo está no meio de uma batalha judicial contra a Uber, que é dona da Otto – uma companhia voltada para, justamente, desenvolver um kit de direção autônoma para caminhões e que foi fundada por Anthony Levandowski. Ele é o pivô da briga e ex-funcionário da Waymo, acusado de “roubar” arquivos de sua ex-empregadora para levar para a Uber, de onde foi demitido na semana passada.

No fim do ano passado, a Otto conseguiu completar com sucesso uma entrega de uma carga de cerveja utilizando um caminhão autônomo. No entanto, a empresa está sendo investigada pelo órgão responsável pelo tráfego e transportes nos Estados Unidos.

Além da Otto, a Tesla também anunciou que está desenvolvendo um caminhão 100% elétrico e que possivelmente virá com a função Autopilot, já presente nos modelos comerciais da marca.