No fim do mês passado, a BlackBerry anunciou oficialmente o Passport, smartphone com uma proposta ousada que vem para tentar dar um fôlego à empresa canadense – que, falando em aspectos financeiros, não está exatamente em seu melhor momento.

Disposta a apostar suas fichas em um projeto arriscado e fora do convencional, a marca decidiu projetar um dispositivo completamente diferente de toda a tendência visual adotada pela indústria mundial de telefones celulares:  além de contar com um saudoso teclado QWERTY físico (coisa que não se vê nas lojas há um bom tempo), o Passport possui uma tela quadrada, proporcionando uma experiência de uso totalmente inédita ao usuário.

Lançado nos Estados Unidos pelo preço sugerido de US$ 599 (cerca de R$ 1,5 mil sem adição de impostos), o gadget foi um sucesso de vendas e a BlackBerry viu seus estoques completamente esgotados poucos dias após o anúncio oficial do aparelho. Na ocasião de seu lançamento, o Passport figurou no topo de dispositivos mais vendidos na Amazon norte-americana.

Será que a companhia canadense acertou em cheio ao projetar esse aparelho de design tão peculiar? O TecMundo teve a oportunidade de botar as mãos no produto durante a Futurecom 2014, evento de TI e telecomunicações que acontece em São Paulo entre os dias 13 e 16 deste mês. Nós não tivemos condições de efetuar testes extensos com o smartphone, mas os poucos minutos que passamos com ele foram o suficiente para conferir todo o seu potencial.

Especificações técnicas

  • Display de 4,5 polegadas com 1440x1440 de resolução (proporção 1:1)
  • Processador Qualcomm Snapdragon 801 quad core de 2,2 GHz
  • GPU Adreno 330 de 450 MHz
  • 3 GB de memória RAM
  • 32 GB de armazenamento interno
  • Câmera traseira de 13 MP (com flash LED) e frontal de 2 MP
  • Sistema operacional BlackBerry 10 OS (versão 10.3)
  • Bateria de 3.450 mAh
  • Conexões: USB 2.0, LTE, Bluetooth 4.0, NFC

Design: o ponto forte do dispositivo

O nome do novo aparelho da BlackBerry não foi escolhido aleatoriamente: o design do Passport foi de fato inspirado nos passaportes que utilizamos na hora de viajar para outro país (ele possui quase o mesmo tamanho desse tipo de documento, por sinal). E a primeira coisa que nos chamou a atenção foi justamente o design do aparelho, que está simplesmente arrasador.

Deixando claro seu foco no mercado corporativo e clientes executivos, a BlackBerry projetou o Passport como um dispositivo elegante, discreto e que impõe respeito ao ser retirado do bolso de seu terno. Apesar de seu tamanho assustador, o aparelho não é tão pesado quanto parece. No geral, o gadget parece ser um tanto resistente – o mínimo que você pode esperar de um produto com um custo tão elevado.

Seu acabamento é em metal e há quatro botões físicos (além do teclado): um para ligar e desligar o telefone, dois para aumentar e diminuir o volume e um para entrar no modo silencioso (Mute). Podemos dizer que a BlackBerry alterou bastante o seu estilo visual caso comparemos o Passport com os Z10 e Q10, os últimos dispositivos lançados pela marca – o novo gadget possui um visual bem mais sóbrio e “sério”.

O outro lado da moeda...

Mas se o visual do Passport agrada logo na primeira vez que você o vê, o mesmo não pode ser dito da usabilidade do gadget como um todo. Primeiramente, é óbvio que o tamanho do dispositivo impede que você utilize-o com uma só mão, especialmente quando você deseja digitar algum texto qualquer. É preciso passar um bom tempo com o modelo até que se cérebro se acostume a dedicar as duas mãos para operá-lo com eficácia, algo que pode desagradar alguns usuários e criar situações desconfortáveis (imagina só usar o Passport no metrô cheio?).

Outro ponto um pouco decepcionante é em relação ao teclado do smartphone. Enquanto as teclas mais básicas estão disponíveis fisicamente (alfabeto, backspace, Enter e Barra de espaço), as complementares (acentos, pontuações, símbolos e botões de funções) são dispostas digitalmente. É um pouco desconfortável ter que alternar entre teclas físicas e virtuais constantemente, e novos usuários certamente vão precisar passar por um longo período de adaptação até que eles se acostumem com esse sistema incomum.

Um celular para quem quer ser produtivo

Mas o design incomum do Passport também tem seus pontos positivos. Por mais bizarra que ela pareça, a tela quadrada do aparelho se mostra muito confortável enquanto você está efetivamente utilizando o celular. Acredite ou não, a proporção 1:1 parece mais natural e amigável aos seus olhos do que os displays retangulares que estamos acostumados a ver nos smartphones convencionais.

Experiências cotidianas como ler textos longos, trabalhar em documentos e navegar na internet são completamente renovadas quando você coloca as mãos no novo gadget da BlackBerry. Trabalhar em uma planilha ou visualizar mapas de GPS utilizando o modelo, por exemplo, é uma delícia.

É óbvio que o formato da tela atrapalha um pouco a visualização de filmes widescreen (como você pode conferir neste vídeo), mas isso não será nenhum incômodo caso você coloque a produtividade antes do lazer. Novamente, visto que o Passport foi desenvolvido com foco no mercado corporativo, é bem provável que seus consumidores em potencial se importem mais com as capacidades do aparelho aplicadas ao trabalho do que ao entretenimento.

Será que vale a pena?

O Passport é equipado com o BB10 (versão 10.3), sistema operacional que apresenta uma interface bastante intuitiva e agradável. O gadget conta com a novíssima BlackBerry Assistant, assistente pessoal comandada por voz elaborada para competir com a Cortana, Siri e Google Now. É uma pena que, como todos nós sabemos, o ecossistema do BB10 é o mais limitado de todos – há poucos aplicativos disponíveis e nenhum wearable compatível com o sistema operacional, o que pode ser um problema para usuários mais exigentes nesse quesito.

A BlackBerry do Brasil não soube informar o preço sugerido pelo qual o Passport será vendido no território nacional. Também não sabemos a data no qual o produto será lançado por aqui: a empresa se limita a dizer que ele será disponibilizado no mercado em 2015, sem especificar um mês ou sequer o semestre.

Para a felicidade da companhia canadense, é bem capaz que o modelo realmente fique restrito ao mercado corporativo – não conseguimos enxergar muitas chances do aparelho competir com os aparelhos Android que tanto fazem sucesso por aqui, especialmente por causa de seu preço (ninguém tem esperanças de que o Passport seja lançado no Brasil por um valor acessível, correto?). E você, o que achou do gadget?

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