O fundador da Microsoft e filantropo Bill Gates começou na semana passa uma nova campanha para ajudar pessoas vivendo em extrema pobreza. A ideia era doar galinhas para que famílias carentes pudessem criá-las para seu alimento e também para conseguir algum tipo de renda extra. A iniciativa foi bem-vinda em países africanos, mas, quando a Bolívia foi abordada para receber um lote de 100 mil frangos, o Governo recusou veementemente.

César Cocarico, ministro da Terra e do Desenvolvimento Rural da Bolívia, disse ao Financial Times ter ficado ofendido com a proposta de doação. Para ele, Gates não tem a menor ideia da atual situação do país, e frangos seriam de pouca utilidade por lá.

“Ele não conhece a realidade da Bolívia para pensar que estamos vivendo 500 anos no passado, no meio da selva sem saber como cultivar. Respeitavelmente, digo que ele deveria parar de falar sobre a Bolívia. E mais: ele deveria se desculpar conosco”, afirmou o ministro.

Bolívia x África

Inicialmente, acreditava-se que a iniciativa de Gates, chamada “Coop Dreams”, seria focada apenas em países extremamente pobres, onde existe uma alta demanda por alimento dada a incapacidade da nação de produzi-los. A Bolívia, por sua vez, dificilmente se encaixa nesse quadro, sendo que o país na verdade chega a exportar excedente de frango na casa dos milhões de aves ao ano.

Isso, entretanto, não quer dizer que parte dos cidadãos bolivianos não vivam na pobreza. No caso, poderiam ter pensado em uma forma mais adequada de ajudá-los. De qualquer maneira, segundo o FMI, a Bolívia deve registrar no fim deste ano o melhor crescimento econômico (3,8%) entre as nações sul-americanas, em contraponto à crise econômica que vivem Brasil, Colômbia, Argentina e outros países da nossa região.

“Eu acho que isso é rude, considerando que veio de um magnata que não sabe nada sobre a realidade da Bolívia”, completou o ministro Cocarico.

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