Uma longa exposição a campanhas de marketing “levemente” irreais – como refrigerantes tamanho família com apenas alguns ml a mais do que o normal, embalagens de salgadinho repletas de ar e superpromoções que dão menos de R$ 5 de desconto –, não é de se estranhar que fiquemos céticos com os nomes dados a algumas coisas. Porém, com o European Extremely Large Telescope (E-ELT ou Telescópio Europeu Extremamente Grande), com cerca de 100 metros de altura, você pode ter certeza que a nomenclatura é mais do que acertada.

Para provar que ele é “Extremamente Grande” de verdade, a página oficial do projeto no Facebook postou uma série de imagens conceituais comparando o tamanho massivo da estrutura que abriga o telescópio com outros pontos de referência mundiais. Enquanto as pirâmides do Egito – com altura de mais de 150 metros – não fazem feio, o Coliseu e a Estátua da Liberdade parecem estar na medida certa para mostrar a escala colossal desse novo gigante dedicado à ciência e tecnologia.

Depois de considerar diversas localidades para levar o projeto a frente – entre elas áreas na Argentina, Espanha e Marrocos –, o European Southern Observatory decidiu por realizar a construção do E-ELT no Chile. Com tudo acertado as obras começaram no fim do ano passado a 3 mil metros de altitude, no topo de Cerro Armazones, uma montanha localizada na região central do deserto do Atacama. Levando a falta de humildade do nome para suas funcionalidades, o telescópio quer ser o instrumento definitivo para a observação do espaço.

Projeto ousado e poderoso

Com um espelho principal de 39 metros, o E-ELT é capaz de captar 13 vezes mais luz do que o melhor de seus concorrentes em atividade no momento. Na verdade, essa comparação nem é muito justa, já que a potência do conjunto óptico desenvolvido para o projeto é suficiente para que ele seja mais eficiente que todos os telescópios com espelhos de 8 a 10 metros somados. Se você acha que isso não é nada, saiba que a visão humana fica bem apagada perto dele, já que sua lente é capaz de absorver 100 milhões de vezes mais luz que os nossos olhos.

Imagem conceitual do domo e do telescópio.

Claro que com toda essa ambição, os equipamentos fora da Terra também acabam sendo superados. Como o E-ELT tem um sistema que corrige distorções atmosféricas, consegue produzir imagens 16 vezes mais nítidas que as geradas pelo Hubble, fazendo com que ele se torne uma ferramenta ideal para observar planetas e estrelas distantes. Além disso, toda essa qualidade deve facilitar o estudo de buracos negros massivos e da matéria escura – que preenche grande parte do espaço. O “abrir de olhos” do telescópio está marcado para 2024.

O único porém em um projeto dessa magnitude é que, ao nomeá-lo de Telescópio Europeu Extremamente Grande, o European Southern Observatory faz com que seja uma tarefa ingrata pensar no título oficial de uma construção nos mesmos moldes dessa mas com, digamos, 300 metros de altura. Telescópio Europeu Extremamente Grande de Verdade? Telescópio Europeu Extremamente Muito Muito Grande Mesmo? A criatividade é o limite.

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