Taxistas franceses queimaram pneus e bloquearam estradas que dão acesso a estações de metrô e a aeroportos nesta quinta-feira (25) em protesto contra discussões que podem legalizar o Uber. As manifestações tiveram de ser contidas pelo batalhão de choque da polícia de Paris. Não foi possível chegar até a estação ferroviária de Gare du Nord, uma das principais da cidade; o Aeroporto de Paris só pôde ser acessado por meio de uma linha específica de metrô.

Novas manifestações estão sendo agendadas para todo o dia de hoje não apenas em Paris, mas também por todas as grandes cidades da França onde os embates entre taxistas e empresas de transporte particular acontecem. Por lá, e segundo informa a Reuters, os motoristas protestam contra a UberPop e o app Uber devido ao não pagamento de licenças e concorrência desleal – para referência, vale mencionar que em São Francisco, nos EUA, uma empresa pode pagar R$ 835 mil por uma licença.

De acordo com um representante da união francesa de motoristas FTI, as receitas dos taxistas caíram de 30% a 40% nos últimos dois anos em função da popularização do aplicativo. A legalidade do Uber foi discutida na última semana também na Câmara dos Deputados, em Brasília. Aqui, e por enquanto, os protestos dos taxistas se limitaram a vaias: é que os motoristas têm de pagar por licenças enquanto imposto algum é exigido dos usuários do serviço (entenda).

O aplicativo funciona em um tipo de limbo em território francês, pois, desde o início do ano, uma licença para o transporte seguro de passageiros tem sido exigida de todos os motoristas. “Estamos realmente arrependidos por estarmos retendo clientes e motoristas [devido à manifestação]”, comentou Serge Metz, da empresa de táxis G7. “Dei instruções à polícia para que as atividades de UberPop fossem banidas de Paris para prezar pela ordem pública”, disse Bernard Cazeneuve, Ministro do Interior, à imprensa.

Em declaração oficial, um porta-voz do Uber afirmou que “nenhuma corte do Tribunal de Justiça julgou que o serviço UberPop vai contra as leis da França. Esperamos que esta regra ainda prevaleça, o que significa que somos contra o ‘fazer justiça com as próprias mãos’. Vamos sempre estar do lado de nossos parceiros, e não toleramos violência”.

Tensão

Vidros de carros quebrados, um veículo capotado e fogo em pneus marcaram o protesto desta semana em Paris contra o uso do Uber. “Cara, @kanyewest, podemos voltar para o aeroporto e nos esconder, pois nosso carro foi atacado por protestantes”, publicou Courtney Love, ex-mulher de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana.

Vídeos e fotos que exibem a ação dos manifestantes têm pipocado aos borbotões internet afora. A situação ainda é tensa na França. A mídia internacional aguarda por mais pronunciamentos por parte do Uber e do governo.

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