Hoje em dia, com a presença massiva de câmeras em todos os lugares e a facilidade de se compartilhar conteúdo, tem se tornado cada vez mais comum a violação da privacidade alheia, especialmente das mulheres, em vídeos que retratam a intimidade de determinado casal. Conhecido como “revenge porn”, ou pornô de vingança, este crime tem assolado a vida de muitas pessoas que após terminarem seus relacionamentos são forçadas a encarar a realidade que as suas fotos e vídeos com seu parceiro(a) se tornaram de domínio público.

O problema é tão grave que boa parte das equipes de policiais e advogados do mundo já tem especialistas para lidar com o tema. Mesmo sendo um crime passível de cadeia, e uma violação de respeito ao seu antigo companheiro(a), uma grande maioria dos homens ainda compartilha e reproduz vídeos e imagens alcançados a partir deste tipo de prática abominável.

Mesmo no Brasil, a prática tem sido severamente podada por diferentes leis. O Marco Civil da internet, iniciado em 23 de junho, coloca a responsabilidade na mão do provedor do respectivo site (como Facebook ou Google), obrigando a retirar o material do ar caso seja notificado pela vítima.

Outra lei que visa defender as pessoas lesadas por esse tipo de ação é 12.737/2012, também conhecida como Lei Carolina Dieckmann. Segundo ela, uma pessoa que compartilhar fotos íntimas sem consentimento da pessoa exposta pode pegar de três meses a um ano de detenção, além de uma multa altíssima.

O Disckreet

Tentando capitalizar em cima deste problema, o aplicativo batizado de Disckreet tenta inibir a prática, exigindo duas senhas - uma de cada parceiro – na hora de gravar e também no acesso dos registros íntimos. Lançado em julho, por enquanto apenas para iOS, este app pode ser adquirido por US$ 0,99 (cerca de R$ 2,2).

A ideia foi desenvolvida por Antony Burrows, um australiano de 36 anos que criou o programa para dar mais controle aos usuários sobre a sua privacidade. Segundo ele, " o aplicativo foi desenvolvido como uma maneira segura de registrar momentos íntimos quando o casal está junto.” O desenvolvedor também afirmou que a ideia original veio quando ele leu um artigo sobre o crescimento de vídeos e fotos íntimas de celebridades que vazam na internet.

Outra ideia era fazer com que o aplicativo pudesse ser usado por vários usuários diferentes, precisando de múltiplas senhas para ser acessado. Burrows desistiu da ideia, porque ele acredita que a maioria dos usuários seriam casais e que outras funções, ainda que úteis para alguns, deixariam o aplicativo mais complicado para o público-alvo. A equipe que cuida do aplicativo é composta somente por duas pessoas, o próprio desenvolvedor, que no momento está criando a versão de Android, e sua esposa, que funciona como gerenciadora de marketing.

Como funciona o Disckreet?

Segundo Antony, "quando o app é usado pela primeira vez, ele pede que o primeiro usuário escolha uma senha. Depois, deve passar o dispositivo para a segunda pessoa, que escolherá outra combinação", explica ele.

Depois desta primeira interação, os parceiros sempre deverão colocar suas senhas para fazer login no app e utilizá-lo, tanto para gravar quanto para acessar os vídeos. Os dados sempre são salvos dentro da memória do dispositivo e não vão parar na internet. Outra função interessante, é que o aplicativo pode importar imagens e vídeos de outros programas, protegendo o conteúdo com as senhas.

Uma medida de segurança adotada pelo Disckreet é a impossibilidade de se mudar as senhas. Somente um usuário poderá fazer isso se todo conteúdo salvo for deletado primeiro, o que garante que uma pessoa sozinha nunca poderia ter acesso aos dados armazenados.

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