(Fonte da imagem: Reprodução/Newscom)

O iMac em sua primeira edição (aqueles com a parte traseira colorida), o iPod com seu visual revolucionário e portátil e os diversos modelos de MacBooks. Esses produtos – e muitos outros – fazem parte da linha de produção quase impecável da Apple nas últimas três décadas.

Mas não é só em funcionamento que eles se destacam: o design de cada aparelho é cuidadosamente estudado, planejado e montado para ser um sucesso.

E o culpado por isso, além de Steve Jobs, que participava ativamente dessas discussões, é Jonathan Ive, antes apenas um designer e hoje vice-presidente de design industrial da Apple. Fora a trajetória do ex-CEO, vale conhecer um pouco sobre outro cérebro por trás de alguns dos maiores trunfos da empresa.

A mordida na maçã

Nascido em 1967 em Chingford, na Inglaterra, Ive é filho de um artesão que deixava o filho usar a oficina nas horas vagas só para diversão. Desde aquela época, ele aprendeu que produtos feitos com as próprias mãos tinham um “cuidado especial” – e que, se fosse para fazer alguma coisa, teria que ser bem feito. Essas filosofias ele encontraria décadas depois em outro de seus mentores, ninguém menos que Steve Jobs.

Antes da Apple, Ive formou-se na Newcastle Polytechnic (hoje Northumbria University), lugar onde ele tinha contato direto com designers de todas as artes possíveis. Foi lá também que ele teve acesso ao primeiro Mac, que contava com a incrível tecnologia de permitir desenhos feitos com o mouse. Foi amor à primeira vista.

Ive e Jobs, um time dos sonhos. (Fonte da imagem: Michael ONeill)

Anos depois, já graduado e com alguns prêmios da Royal Society of Arts na bagagem por trabalhos na faculdade, Ive cofundou a Tangerine, uma empresa de design que se tornou consultora (e, a partir de 1992, parte do departamento de criação) da Apple.

Só que a Maçã andava mal das pernas na época – Steve Jobs só foi recontratado em 1997 e a empresa acumulava vários fracassos comerciais. Com o pedido de demissão em mente, Ive assistiu à palestra de retorno do executivo, que o fisgou com apenas uma frase: “Nosso objetivo não é apenas ganhar dinheiro, mas fabricar grandes produtos”. Nascia aí uma das maiores parcerias da indústria da tecnologia.

Ritmo nada industrial

Um dos trunfos por trás do design dos produtos da Apple é a quantidade de avaliações necessárias para que um produto seja aprovado e considerado “o melhor possível”. O departamento de design da empresa é secreto, com janelas escuras e funcionários que não entregam nenhum detalhe sobre o que é desenvolvido lá dentro.

Cada peça é discutida separadamente na Apple. (Fonte da imagem: Reprodução/iGadget Report)

E os primeiros protótipos não têm nada de eletrônicos: são modelos de espuma criados por computador e pintados para parecerem realistas. Dezenas são apresentados por reunião – e a maioria diferencia-se por detalhes minúsculos, mas que na Apple fazem toda a diferença. Pode levar meses até que um visual inicial seja aprovado – e muito mais tempo até a finalização do projeto, já que até a embalagem dos aparelhos costuma gerar discussões acaloradas na empresa.

O cuidado é tanto que a companhia já cansou de criar novos métodos de fabricação, moldes ou uso para materiais, tudo para atender às ideias de Ive e aos pedidos de Jobs, que por muito tempo levou o crédito total pela criação dos produtos da empresa.

Os filhos de Ive

Um dos primeiros projetos de Ive na empresa após a volta de Jobs foi o design de tomadas e conectores para o Macintosh original – nada especial. Mas o que realmente atingiu o público foi o iMac G3, em 1998. Com um gabinete curvo, de plástico colorido e levemente translúcido, o aparelho ainda marcou o início do uso do “i” antes do nome de cada projeto – uma criação de Ken Segall, do departamento de publicidade.

O iMac G3. (Fonte da imagem: Divulgação/Apple)

O sucesso da aparência do iMac levou Ive a manter o processo de criação em seus produtos seguintes. Para ele, criar não era apenas uma questão visual ou da parte externa do aparelho. Equipes de design, engenharia e fabricação tinham que trabalhar juntas para buscar a palavra-chave da empresa: simplicidade.

A evolução do iPod. (Fonte da imagem: Divulgação/Apple)

Produtos como o iPod, o iPhone e os MacBooks, que vieram em seguida, foram elaborados após questões como “Essa peça é mesmo necessária?” e “Como podemos fazer o melhor acabamento possível?”. Esse tipo de discussão leva à criação não só de produtos mais finos que o normal, mas também de modelos mini e gerações ainda mais portáteis. E não é tão fácil quanto parece: ele já esteve envolvido no design de projetos arquivados e revelou recentemente que o smartphone que virou líder de mercado quase foi para o lixo.

iPads e MacBooks: cada vez mais finos. (Fonte da imagem: Divulgação/Apple)

Desafio ainda maior foi fazer o iPad, que foi inicialmente criticado pelo tamanho exagerado (o tablet ainda não era um aparelho convencional no mercado). Aliás, a ideia de aposentar o teclado e colocá-lo dentro da tela a partir do touchscreen foi do próprio Ive.

Longe do pomar

Mas não foi só dentro da Apple que Ive colocou suas ideias em prática. Recentemente, foi anunciado que ele será o responsável por bolar um modelo de unidade única para a Leica, que fabrica câmeras fotográficas de luxo. O processo de criação ainda não começou, mas o leilão do aparelho deve passar fácil pelos US$ 7 mil do lance inicial.

Ainda na faculdade, ele criou uma caneta com uma bolinha no topo que podia ser “acariciada” pelo dono e ajudava a criar uma ligação entre pessoa e objeto – e, apesar de nunca ter sido lançada comercialmente, ela traduz perfeitamente a ideologia do designer. Ive não costumava fazer trabalhos externos até então, mas pode começar a abrir exceções a partir de agora. Os fãs de tecnologia só têm a ganhar com isso.

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Atualmente, ele não só é um dos homens mais poderosos da Apple, mas também uma das mentes mais respeitadas – e financeiramente bem-sucedidas – do design industrial. Portanto, da próxima vez que você pegar um produto da empresa nas mãos, não agradeça apenas a Steve Jobs: o maestro Jony Ive também merece uma salva de palmas.

Fontes: “Steve Jobs por Walter Isaacson”, Telegraph, Apple, Tecmundo

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