Você se lembra que a Apple estava considerando trazer sua produção para os Estados Unidos depois que Donald Trump indicou que queria que o país voltasse a fabricar seus produtos localmente depois que ele assumisse a presidência? Bem, se depender dos parceiros chineses da dona do iPhones, essa transição não deve ser tão tranquila ou fácil como se esperava. Aparentemente, a China não se empolgou muito com a possibilidade de expandir suas operações para o outro lado do mundo – e do custo embutido nisso.

Inicialmente, a conversa parecia estar rumando por um bom caminho, já que a Foxconn, uma das principais aliadas da empresa da Maçã na produção de seus smartphones se mostrou favorável à mudança. Porém, mesmo que a fabricante com sede em Taiwan tenha considerado dar o primeiro passo rumo a esse futuro “Made in USA”, a decisão não contagiou as companhias chinesas, que se revelaram bastante relutantes em sequer debater o assunto.

Ao que parece, só a Foxconn caiu no charme de Tim Cook

De acordo com o portal chinês DigiTimes, diversos nomes da cadeia de produção dos gadgets da Apple, como Pegatron e Lens Technology, disseram que a mudança traria custos proibitivos à sua operação. Acredite, eles nem estão levando em consideração o valor do investimento da construção de unidades das fábricas em solo norte-americano – que não deve ser baixo ou livre de burocracias –, mas sim a diferença no pagamento da mão de obra entre as duas localidades.

Flexibilidade? Aqui, não!

Eles exigem salários melhores e não estão dispostos a negociar jornadas

Segundo a Lens Technology, que fornece boa parte do vidro que cobre o display dos iPhones, ainda que o valor de locação de terreno e de energia sejam bem mais baixos do que os praticados na China, administrar cerca de 70 mil funcionários nos EUA é algo impensável. Além de os trabalhadores norte-americanos do setor serem mais velhos – acima dos 45 anos em média –, eles exigem salários melhores e não estão dispostos a negociar jornadas mais longas ou diferenciadas para alavancar a produção.

Além disso, o jornal informa que, ao longo dos anos, os chineses foram desenvolvendo seus parques industriais de modo que fornecedores e montadores trabalhando em um mesmo produto tinham prédios muito próximos fisicamente uns dos outros – algo que dificilmente conseguiria ser reproduzido na Terra do Tio Sam. A Apple, inclusive, já sentiu na pele a falta de um sistema semelhante ao tentar fabricar localmente um de seus Mac Pros, sofrendo com a lentidão na produção e não conseguindo suprir a demanda pelo computador.

Produzir esses brinquedinhos demanda uma boa força de trabalho

Por conta desse episódio, rumores indicam que alguns engenheiros sugeriram que a fabricação desses desktops voltasse para a China, já que isso possibilitaria a implementação de novas tecnologias de forma muito mais rápida e segura. Claro que até mesmo o chefão da Apple, Tim Cook, entende que essa mudança da Ásia para a América é bem delicada. Porém, como Trump deve oferecer um corte substancial nos impostos para as empresas que voltarem aos EUA, o mais provável é que o CEO pressione um pouco mais seus parceiros chineses.

E aí, como você acha que termina essa história, hein? Veremos iPhones ainda mais inflacionados em 2017 ou a Apple vai conseguir fazer as engrenagens da indústria girarem ao seu favor? Deixe a sua opinião mais abaixo, na seção de comentários.

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