"O crescimento estelar da Apple estava enraizado no amor pela simplicidade de Steve Jobs. Esse amor — você pode até chamar de obsessão — podia ser visto no hardware, no software, no empacotamento, no marketing, no design de lojas e até a organização interna da Apple. Mas, isso foi há quatro anos". Este parágrafo está na coluna de Ken Segall, publicada no The Guardian, que trabalhou ao lado de Jobs como diretor criativo de publicidade por 12 anos.

Durante todo o argumento, Segall diz que a Apple "perdeu o seu caminho" com a ausência de Steve Jobs. Por isso, ele explica de maneira clara em vários pontos que a simplicidade da companhia foi embora. O ex-diretor ainda comenta que "os produtos e serviços que eram intuitivos e fáceis de usar" estão diminuindo.

Se você acha que a palavra de Ken Segall não tem muito valor, saiba que até o "i" (presente nas linhas iPhone, iPad, iMac etc) é de certa forma creditado a ele durante o desenvolvimento do primeiro iMac.

Apple Watch

Apple e uma galáxia de produtos

"A Apple agora vende três iPhones diferentes, quatro iPads diferentes e três MacBooks diferentes. O Apple Watch é vendido com incontáveis combinações de tamanhos e pulseiras. O universo da Apple está explodindo com tanta complexidade", destacou Segall.

Os preços são altos, disse Cook

2016 está sendo um ano "difícil" para a Maçã. Após 13 anos, ela registrou uma queda em suas vendas trimestrais (16%) e está perdendo fatias de mercado no mundo para o Android — e o responsável é o principal produto, o iPhone. Analistas também esperam que as vendas caiam ainda mais durante o ano.

No mês passado, o CEO da Apple, Tim Cook, já havia comentado que os preços destes smartphones são muito caros:

"Eu reconheço que os preços são altos. Nós queremos fazer com que as coisas diminuam com o tempo dentro de nossas expectativas", comentou Cook durante uma entrevista. No caso, ele havia sido perguntado sobre os valores altos do iPhone na Índia (US$ 784).

Tim Cook, atual CEO da Apple

A culpa é do CEO?

Ken Segall deixa claro uma coisa: "Steve Jobs não pode ser substituído". Pela visão, energia e instinto, Segall comenta que jamais a Apple vai conseguir repetir os mesmos passos, contudo, ela ainda pode ter sucesso.

Tim Cook foi escolhido por Jobs para substituí-lo e já provou que sabe como comandar a Apple de maneira eficiente, comenta o ex-diretor. Porém, a maneira de lidar com a empresa é muito diferente. Sem as mesmas qualidades de Jobs, Cook precisa confiar na expertise de funcionários mais antigos de outras áreas, principalmente no que toca o design de produtos e marketing.

O Apple Watch é um produto fashion

Durante o artigo, Segall deixa claro que Cook não errou em atender ao público. Por exemplo, oferecendo iPhones com telas maiores. Além disso, ele ainda entende as inúmeros opções de customização do Apple Watch, já que é um produto "fashion". Mas a complexidade e o número alto de produtos é algo ruim:

"Quando uma companhia se preocupa com a simplicidade, ela oferece as escolhas certas — não infinitas escolhas", disse.

iPhone 6s e 6s Plus

A Apple criou um problema

Segall, antes de finalizar o artigo, ainda bateu no principal produto da companhia, o iPhone. No caso, ele toca no nome. Atualmente, os modelos são: iPhone 6S, iPhone 6S Plus e iPhone SE. Simples, o que está certo, mas a linha "S" que está errada.

As companhias que entregam simplicidade são aquelas que vencem no final

"Por alguma razão, a Apple decidiu que a cada dois anos ela adicionaria um 'S' ao modelo atual porque as mudanças seriam apenas internas. Então, as próprias ações da Apple serviram para o público lidar com os anos 'S' como 'anos perdidos'. Isso é um absurdo, já que recursos revolucionários como a Siri, o Touch ID e o processamento de 64-bit foram introduzidos em modelos S", declarou.

Por estes motivos citados, de acordo com a Segall, a Apple precisa voltar aos antigos passos dados: "Nós vivemos em um mundo complicado, e as companhias que entregam simplicidade são aquelas que vencem no final".

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