O site Bloomberg obteve acesso a um dos locais mais misteriosos e polêmicos da tecnologia: uma das maiores fábricas de produtos Apple na China. A ideia é matar a curiosidade dos consumidores e também mostrar as novas políticas corporativas da empresa, que sofreu diversas acusações sobre más condições de trabalho nas linhas de produção orientais.

A fábrica da Pegatron Corp fica na periferia de Xangai e abriga 50 mil funcionários montando iPhones. Todos vestem o uniforme cor-de-rosa e passam por um leitor de crachás que identifica o empregado e seu horário de trabalho — uma das regras mais rígidas de lá é que ninguém faça hora extra no expediente.

Todos também passam por detectores de metal, para evitar câmeras que podem flagrar novos dispositivos sendo fabricados. As escadas possuem uma rede de proteção para evitar acidentes ou até tentativas de suicídio, prática conhecida em fábricas de componentes eletrônicos.

A estrutura é completa em serviços, como se fosse a própria Apple. Há uma cateferia gigante, ônibus para transporte interno, lagos e belas paisagens. Uma Disneylândia será inaugurada em breve em um local que fica a 20 minutos de lá.

Tudo transparente

Deixar tudo claro para a Apple, as agências reguladoras e os consumidores é o grande objetivo dessa "nova Pegatron". Terminais espalhados pela fábrica mostram dados como banco de horas, salário e gastos com comida de todos os funcionários. Um dos empregados mostrou o funcionamento e revelou que seu pagamento mensal era de 2.020 yuan. Na fábrica, o salário pode chegar a 5.500 yuan — sendo que um iPhone 6 na China custa 4.488 unidades da moeda local.

"Manufaturar não é pecado. As pessoas acham que estamos espremendo tudo dos funcionários, mas precisamos mostrar o que é um ambiente de trabalho responsável e eficiente", diz Denese Yao, chefe de relacionamentos da Pegatron com a Apple.

Para tentar transformar o clima pesado das fábricas, a Pegatron simula um estilo de empresas de tecnologia: WiFi, lounges com TV e opções com dormitórios mais modernos já são oferecidos. Nos últimos três anos, a retenção de funcionários por lá (ou seja, que não pede demissão) aumentou em 20%, proporção seguida quase na mesma porcentagem em volume de negócios. Em outras palavras, garantir a qualidade de vida do funcionário sempre foi óbvio para quem via de fora, mas agora passou também a ser rentável para quem está lá dentro.

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