A Agência Federal de Investigação dos EUA (FBI) pode estar prestes a hackear o iPhone 5C de Syed Farook, um dos responsáveis pelo ataque terrorista ocorrido em dezembro de 2015, em San Bernardino, que resultou na morte de 14 pessoas. As informações são do The Guardian. Desde que a Apple negou, com o endosso veemente de Tim Cook, a disponibilização de uma backdoor para o iOS, o órgão norte-americano vem tentando quebrar os códigos do telefone para dar cabo, então, à investigação.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, pode ter sido descoberto um método alternativo para o desbloqueio do smartphone, que dispensa colaboração por parte da Apple. Para especialistas em segurança e em criptografia, como, inclusive, Edward Snowden, é possível invadir um iPhone sem que a privacidade dos usuários seja colocada em risco – o sistema em atual fase de desenvolvimento por parte do governo tem sido chamado, de forma irônica, de “GovOS” pela “Maçã”.

Tim Cook, CEO da Apple, não se diz disposto a ceder uma backdoor para o iOS

A empresa fundada por Steve Jobs enfrenta a Justiça norte-americana, que deve decidir se a fabricante deve ou não colaborar com o FBI. Segundo o próprio CEO da Apple, a empresa não deve se envolver “em um caso centrado em direitos e liberdades que devem ser protegidos [pelo governo]”. Foi divulgado, também, que uma pessoa, cuja identidade é anônima, apresentou aos investigadores um jeito de invadir o iOS.

Falta de competência técnica?

O desenrolar dos recentes acontecimentos resultou, ainda, no adiamento de uma audiência agendada para esta terça-feira (22) na qual o trabalho conjunto entre Apple e FBI seria ou não deflagrado pelo juiz responsável pelo caso. O grande obstáculo enfrentado pelos investigadores data de 2014, quando uma atualização lançada para o software do iPhone passou a impedir o download de dados sem a senha do usuário – informação desconhecida até mesmo pela Gigante de Cupertino.

A apelação do FBI ao judiciário estadunidense suscitou questionamentos acerca da competência técnica dos investigadores federais. Para Susan Landau, especialista em segurança cibernética do Worcester Polytechnic Institute, em Massachusetts, faltam esforços no sentido de aprimorar os conhecimentos em programação do FBI.

FBI tenta hackear um iPhone 5C, que foi usado pelo terrorista Syed Farook

“O FBI está enxergando a segurança como algo acima de uma necessidade. Isso de a agência talvez não precisar da ajuda da Apple para acessar o telefone traz à tona o que se vem discutindo durante todo o caso: o FBI precisa aprimorar suas próprias capacidades tecnológicas”. Segundo James Comey, um diretor do órgão de investigação dos EUA, o FBI, às vezes, não possui as habilidades técnicas capazes de acompanhar a evolução das tecnologias de ponta.

Na opinião de Alex Abdo, representante da União Americana da Liberdade Civil, algo pode estar por trás da história toda. “Isso sugere que o FBI, de fato, não entende a tecnologia suficientemente ou que a agência não está nos contando toda a verdade quando diz que apenas a Apple pode quebrar o código do celular. Qualquer uma das possibilidades é desconcertante”.

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