Bonito e elegante, o Apple Watch voltou aos holofotes no último dia 9 de março — exatamente seis meses depois da primeira demonstração oficial realizada pela Apple. Com detalhes sobre preços e datas de lançamento, o aparelho agora está mais próximo dos consumidores, que já poderão adquirir os relógios a partir do final do mês de abril (pelo menos nos Estados Unidos e em outros mercados preferenciais).

Durante o evento de lançamento, a Apple mostrou algumas das funcionalidades que o Apple Watch leva para os pulsos dos usuários. Entre elas estão: atender ao telefone, trocar mensagens e realizar o rastreio de atividades físicas. Mas será que os recursos oferecidos pelo aparelho justificam o preço cobrado por cada unidade? Há alguns motivos bem claros que podem nos levar a pensar que não.

Já no lançamento, a Apple venderá os relógios por preços que se iniciam nos US$ 349 – e esse valor é referente à versão Sport, que é a mais básica. Na edição principal, os relógios podem chegar a custar US$ 1.099 dependendo da pulseira que for escolhida pelos compradores. Isso é demais pra você? Então confira alguns dos motivos pelos quais essa sua sensação pode ser reforçada.

1. Falta de uma funcionalidade diferenciada

Durante a apresentação da Apple, foram mostradas diversas funcionalidades bem interessantes com o Watch. Com o aparelho, seria possível acessar câmeras privadas de segurança da sua casa, verificar a situação de tudo e ainda trancar ou destrancar portas. Além disso, também é possível contar para seus amigos como está o seu batimento cardíaco em determinado momento.

Mas há um grande problema nisso: quase ninguém pode desfrutar desses dois recursos. Para começar, a quantidade de pessoas que possui um sistema informatizado de segurança doméstica é mínima — circuitos internos de TV até são populares, mas são pouquíssimas as pessoas que contam com travas eletrônicas em seus lares. No segundo caso, é preciso dizer que somente outros aparelhos iguais podem receber os sinais.

Ou seja, o Apple Watch chega ao mercado sem uma funcionalidade diferenciada e autônoma. Há novos recursos e eles são bem interessantes, mas com o mercado atual eles acabam sendo pouco aproveitados. Vale ressaltar que não estamos dizendo que eles são dispensáveis ou que são ruins, mas sim que ainda não servem como um grande chamariz para o mercado — principalmente para o brasileiro.

Em resumo, o Apple Watch ainda precisa mostrar ao mercado que existe um motivo indiscutível para o investimento nele. Por enquanto, não é exagero dizer que ele se trata de um smartwatch sem grandes diferenças para os demais, além da compatibilidade com o iOS e o Digital Crown para uma menor dependência da tela sensível ao toque.

2. Histórico da Apple

Calma, gente! Não estamos dizendo que o histórico da Apple é de aparelhos ruins. O que acontece neste caso é que a empresa é conhecida por corrigir seus erros com bastante eficiência em versões sucessoras de seus aparelhos. Quer alguns exemplos bem recentes? O iPhone original, lançado em 2007, chegou ao mercado sem conectividade 3G — sendo que isso foi corrigido na segunda geração do celular.

Outro exemplo bem claro é o iPad. A versão apresentada em 2010 possuía uma falha bem evidente: a falta de câmeras. Sabe o que isso significa? Que um dos aparelhos mais inovadores das últimas décadas chegou ao mercado sem permitir que os usuários fizessem videoconferências — o que se tornou uma das grandes funcionalidades a partir da segunda versão.

Apenas para encerrar, vale lembrar que os iPods Touch não tinham conectividade Bluetooth até 2011, isso significa que não era possível sincronizar os aparelhos com outros equipamentos. Ou seja, são gigantescas as chances de os problemas encontrados no aparelho atualmente — falta de recursos matadores e até mesmo a autonomia da bateria — serem corrigidos para o ano que vem. Vale a pena esperar para ver!

3. Preço

A versão mais simples do Apple Watch custará US$ 349, e as outras passam da casa dos US$ 1.000 — isso sem mencionar o Apple Watch Edition, que se inicia nos US$ 10 mil. A versão mais básica custa US$ 100 a mais do que os Moto 360 e US$ 150 a mais do que o Gear 2 da Samsung. Sendo até mesmo redundantes, é preciso lembrar que ele não traz grandes vantagens sobre os concorrentes — além da integração total com os iPhones.

Fugindo da comparação com os rivais — principalmente pelo fato de que o Apple Watch foi feito para o iPhone —, é preciso pensar se vale a pena investir US$ 350 ou mais em um controle de pulso para o smartphone. Unindo todos os argumentos mostrados anteriormente, podemos dizer que aguardar por novos recursos pode ser uma saída bem saudável para os consumidores.

4. Você já se preocupa demais com baterias

A vida moderna é totalmente conectada à internet e também às tomadas. Por mais que utilizemos notebooks com bateria, smartphones com bateria e smartwatches com bateria, ainda é bem difícil passar o dia todo longe delas. A Apple promete que o Watch poderá ser usado por até 18 horas sem precisar de uma recarga, mas as chances de que isso seja realidade com uso intensivo são bem baixas.

De acordo com especialistas, não há como esperar que a autonomia seja maior do que cinco horas — principalmente pelo fato de haver muitos sensores e conectividade ativados o tempo inteiro. Em resumo, a utilização do Apple Watch deve ser bastante limitada por essas razões, lembrando que a conexão Bluetooth pode fazer com que a duração da carga do iPhone também seja reduzida.

5. Você tem um smartphone Android

Como você deve saber, o Apple Watch é um aparelho exclusivo para os smartphones produzidos pela mesma fabricante. Isso significa que celulares com Android ou Windows Phone não serão compatíveis com o relógio. Ou seja, o orçamento para a utilização do Apple Watch sobe em R$ 3 mil para quem não possui um iPhone.

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Como deixamos bem claro, a opção por comprar ou não um aparelho deve ser do próprio consumidor. Este artigo foi criado para reunir alguns dos motivos pelos quais ainda é cedo para adquirir o aparelho, sempre esperando que as versões seguintes do dispositivo sejam mais completas e tragam mais opções aos usuários. Será que a Apple vai apresentar soluções para tudo o que foi informado aqui em um futuro próximo?

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