O cientista e físico teórico Stephen Hawking foi diagnosticado aos 21 anos com esclerose lateral amiotrófica – doença rara e degenerativa que paralisa todos os músculos do corpo aos poucos, sem afetar, no entanto, as funções cerebrais.

Desde aquele período, poucos anos de vida foram previstos para Hawking, porém até hoje ele convive com a doença (que infelizmente o afeta cada vez mais).

Para tanto, Hawking dispõe de vários recursos tecnológicos que o auxiliam na fala e na comunicação, permitindo que ele interaja com outras pessoas apesar de estar paralisado. Embora tal condição traga limitações óbvias, o cientista jamais deixou de estudar, publicar e aprender. Hoje, com 74 anos, Stephen Hawking só tem um pouco das funções motoras do lado esquerdo, localizadas na região dos músculos do rosto.

É exclusivamente desse modo que ele é capaz de se comunicar com o computador e com a cadeira de rodas. O cientista controla todas as funções de um computador em forma de tablet com apenas um comando. Ele utiliza um Lenovo ThinkPad X230t com um processador Core i7, que coordena todos os sistemas da cadeira. Um vídeo da Intel traz alguns detalhes sobre a tecnologia da cadeira de rodas (em inglês):

A interface do PC de Hawking é chamada EZ Keys e lê cada letra do teclado na tela de uma vez. Quando Hawking mexe os músculos da bochecha de leve, um sensor infravermelho acoplado aos óculos detecta o movimento, e o computador seleciona a letra desejada. Um sintetizador localizado atrás da cadeira traduz o texto digitado em áudio (na característica voz eletrônica de Hawking).

Esse mesmo mecanismo também é utilizado para acessar outras funções do PC, como o email (Eudora), o navegador (Firefox) e até mesmo o Skype. Contudo, como a condição de Hawking está se agravando mais, ele só consegue digitar duas palavras por minuto. Cientistas tentam diminuir esse tempo ao fornecer palavras prontas com base no estilo de escrita do professor.

“Todos nós somos um pouco deficientes na escala cósmica. Que diferença faz alguns músculos a mais ou a menos?”

Um controle remoto universal no PC permite que ele opere a TV, ligue e desligue luzes e até mesmo abra portas em casa e no trabalho. Uma caixa periférica localizada próximo aos pés contém um hub USB, um amplificador de áudio e reguladores de voltagem para os subsistemas diferentes. O firmware funciona com as baterias da cadeira de rodas logo abaixo do assento, que também tem um backup das próprias baterias.

Possibilidades para outros casos

O cérebro envia sinais nervosos para as cordas vocais sempre que falamos, inclusive se os músculos não forem suficientemente fortes para produzir sons audíveis. A fala subvocal ocorre na nossa mente antes mesmo de dizermos qualquer coisa. Tecnologias originalmente desenvolvidas para o Centro de Pesquisas da NASA já estão disponíveis para que pessoas deficientes possam controlar cadeiras de rodas motorizadas, enviando pensamentos para um sintetizador.

Nesse caso, o usuário utiliza eletrodos fixados na garganta que, ao receberem ordens objetivas do cérebro (como pare ou vá em frente), se comunicam com a cadeira para que os movimentos sejam realizados. Os pequenos impulsos elétricos são decodificados, traduzindo-se em comandos simples para a cadeira de rodas.

Infelizmente, interfaces desse tipo não funcionaram adequadamente com Stephen Hawking, mostrando-se instáveis. De acordo com a posição dos eletrodos em cada indivíduo, a taxa de reconhecimento pode cair de 94% para menos de 50%. Por isso, esse tipo de sistema deve ser aprimorado para não oscilar tanto.

A Intel apresentou em 2014 o Projeto de Cadeiras de Rodas Conectadas, realizado em conjunto com Hawking. Esse equipamento é capaz de medir a saúde do usuário, como temperatura corporal e pressão sanguínea – além de verificar a acessibilidade dos lugares que podem ser visitados pela pessoa.

Hawking trabalhou com grupos de engenheiros da Intel por mais de uma década e disse que a cadeira conectada é um exemplo de como a tecnologia para os deficientes está abrindo novas possibilidades para o futuro. Veja o vídeo de apresentação do projeto:

Você acha que existem investimentos suficientes em tecnologias para facilitar a vida de pessoas com tipos variados de deficiência? Comente no Fórum do TecMundo.