Quando o assunto é computador, Bill Gates é uma das primeiras coisas que surgem em nossa cabeça. Mas quando o assunto é o cofundador e a grande figura por trás da ascensão da Microsoft na área dos eletrônicos, aí nem sempre a imagem formada sobre ele é positiva. Por ser normalmente associado à riqueza e a algumas previsões malucas (algumas muito bem colocadas), muitas vezes nos esquecemos de levar em conta a trajetória de sucesso e os acertos na carreira do empresário.

Com um pouco de análise, entretanto, percebemos que William Henry Gates III deve ser levado a sério: afinal, trata-se do homem que ajudou a popularizar o computador pessoal, que criou um dos sistemas operacionais mais práticos e utilizados no mundo e não só ajudou muita gente por aí (incluindo, veja só, Steve Jobs), mas também ganhou muito, muito dinheiro fazendo tudo isso. Conheça abaixo alguns dos principais feitos do empresário:

1. Criar o Windows

Muita gente reclama da tela azul e dos mais variados erros apresentados pelo Windows, mas não se pode negar que o sistema operacional tem qualidades e prestou uma grande ajuda para o mundo da informática.

O Windows 3.1, uma das versões do sistema operacional antes de virar celebridade. (Fonte da imagem: OS History)

Além disso, ele pode nem ter sido o primeiro ou o melhor (já que o Macintosh, da Apple, utilizava recursos gráficos e técnicos bem similares) em sua época de lançamento, em 1985, mas foi o que mais caiu nas graças do consumidor, principalmente a partir do Windows 95. Hoje partindo para a oitava versão, o sistema operacional ganhou bastante autonomia e fama própria ao investir em interfaces como a Aero e a Metro – ou em produtos específicos, como o Microsoft Office.

2. Popularizar o PC

Se você tem um computador com Windows em casa, agradeça a Bill Gates. Afinal, para ele, não bastou criar um grande produto: era preciso fazer com que ele chegasse ao alcance de todos, especialmente quem não era especializado em informática e queria apenas experimentar a nova tecnologia.

A história começa em 1975. Gates, na companhia de Paul Allen, o outro cofundador da Microsoft, negociou um interpretador da linguagem BASIC para o Altair 8800, um dos lançamentos de computadores da época. A partir desse ponto, estava montada a empresa, que continuou programando produtos similares para os mais variados eletrônicos.

Ainda bem que este não era um dos anúncios da empresa... (Fonte da imagem: The Techbox)

Ao contrário da Apple, que não emprestava o sistema operacional para empresas de hardware, a Microsoft fez uma série de parcerias para inserir o Windows no maior número possível de máquinas – e a estratégia deu muito certo. Com isso, o produto era vendido em uma escala muito maior do que seus concorrentes – e sob um preço bem mais reduzido.

3. Ajudar a salvar a Apple

Bill Gates e Steve Jobs tinham uma relação complicada. Não eram grandes amigos, e volta e meia trocavam algumas declarações nada amigáveis, mas precisavam trabalhar juntos em alguns momentos.

Você consegue imaginar ambas as empresas como parceiras? Por muito tempo, o Mac recebeu vários aplicativos produzidos pela Microsoft, como versões de editores de texto e planilhas, além de vários outros produtos que pouparam muito tempo de programação da equipe da Apple.

Mas a ajuda principal veio em 1997: em uma conferência, Jobs anunciou uma parceria para o uso conjunto de patentes, a adoção do Internet Explorer no Mac e a compra de aproximadamente US$ 150 milhões (valor da época) em ações da Apple pela Microsoft, feito recebido com algumas vaias pelo público, mas que ajudou a tirar a empresa do vermelho.

É aqui que está a ironia: como a Maçã mergulhou em uma profunda crise financeira e criativa no começo da década de 1990 (quando Jobs ainda estava afastado da empresa), se não fosse por Bill Gates, produtos como o iPod e o iPhone poderiam nem existir.

4. Saber ganhar dinheiro

Não adianta: é impossível não relacionar Bill Gates com sua capacidade de gerar e acumular riquezas. Mais do que um geek, um empresário. No comando da Microsoft, ele transformou a empresa em um dos maiores polos da informática, desbancando em riqueza e popularidade outras empresas fortes do Vale do Silício nas décadas de 1980 e 1990, como a Apple, a HP e a IBM.

De acordo com a Forbes, ele é a quinta pessoa mais poderosa do mundo (atrás de quatro líderes políticos), a mais rica dos Estados Unidos (com patrimônio de pouco mais de R$ 100 bilhões) e o segundo colocado no ranking mundial (perdendo para o mexicano Carlos Slim), do qual Gates faz parte desde 1995.

O sorriso é justificável: são mais de R$ 100 bilhões na conta bancária. (Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

E ele está disposto a ensinar o caminho para o sucesso: as entrevistas mais recentes de Gates nem se concentram tanto no mundo da informática, do qual ele está mais afastado após deixar a Microsoft: o negócio agora é dar dicas sobre economia e falar sobre alguns projetos que podem mudar o mundo.

5. Voltar os olhos para a caridade

Acabar com a fome e melhorar o sistema de saúde em países da África são objetivos da fundação. (Fonte da imagem: Bill & Melinda Gates Foundation)

O egoísmo e a ganância são duas características frequentes em quem conquista muito dinheiro ou poder na vida. Com Gates, isso não aconteceu. O empresário fundou em 1994 a Bill & Melinda Gates Foundation, uma instituição filantrópica (porém abastecida com generosas doações privadas e parte da fortuna da família) que incentiva projetos de pesquisa em todo o mundo.

Administrada por ele, a esposa e o investidor Warren Buffett, a fundação possui como foco o combate à pobreza e a melhora nos sistemas de saúde de todo o planeta. Além disso, nos Estados Unidos, o projeto busca um sistema de educação diferenciado para regiões mais pobres. Cerca de R$ 49 bilhões (quase metade de seu patrimônio pessoal) já foram destinados à pesquisa de novas fontes de energia e à produção e distribuição de vacinas contra os mais variados tipos de doença, como a malária.

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Bill Gates pode não agradar a todos, mas não se deve negar crédito ao ex-chefe da Microsoft por seus acertos como pessoa ou no comando de uma das grandes empresas da área de informática. Afinal, se não fosse por ele, é possível que você não estivesse nem lendo este artigo.