Em um setor predominantemente masculino e, não raro, bastante machista, não é de se estranhar que, com as mulheres começando a ganhar cada vez mais seu merecido espaço no mundo corporativo, essas duas realidades se choquem e acabem dando origem a notícias nada agradáveis – geralmente com as profissionais sofrendo algum tipo de abuso ou preconceito. Desta vez, porém, é uma mulher que está sendo acusada de criar um ambiente sexista para tentar se livrar de funcionários homens: Marissa Mayer, a CEO do Yahoo!.

Pelo menos, é isso que um ex-empregado da casa afirma em um processo movido contra a empresa na corte federal de San Jose, nos Estados Unidos. Segundo Scott Ard, antigo diretor editorial da companhia, Mayer e outras de suas comandadas estariam usando um sistema injusto de avaliação de performance para prejudicar a ala masculina. Na documentação apresentada à Justiça, ele afirma que mesmo tendo uma análise positiva da chefia para o ano de 2014, foi demitido no início de 2015 sob a alegação de que tinha um desempenho fraco.

A chefona do Yahoo! é uma das mulheres mais poderosas da atualidade

Aparentemente, o fato de o desligamento ter sido turbulento e gerado desentendimentos entre Ard e Megan Lieberman, editora-chefe do Yahoo! News, contribuíram para que o processo fosse levado adiante. Além de toda a confusão envolvendo um relatório detalhado de tarefas que uma das partes afirma ter entregue enquanto a outra diz nunca ter recebido, o fato de Lieberman ter dado o cargo de Ard para uma nova contratada parece ter colocado mais lenha na fogueira e frustrado o ex-funcionário.

Ele não parou por aí na hora de 'provar' que a CEO estaria promovendo uma caça aos homens

Lieberman é citada mais uma vez no processo em um episódio no qual teria modificado avaliações de pares feitas por Ard, reduzindo a pontuação de três homens, mas mantendo inalterado o valor dado para duas profissionais do sexo feminino. Ele não parou por aí na hora de “provar” que a CEO estaria promovendo uma caça aos homens, acusando Kathy Savitt, antiga CMO da empresa, de, em um período de 1 ano e meio, promover ou contratar 16 empregados de nível sênior. O problema? A maioria deles (87%) foram mulheres.

Será mesmo?

Esse tipo de acusação não é exatamente novidade para o Yahoo! ou mesmo para Marissa Mayer, já que, em fevereiro deste ano, a companhia foi processada por outro ex-funcionário. No caso de Gregory Anderson, que cuidava da seção de automóveis do portal de notícias da casa, a bronca da disparidade de tratamento entre os sexos se deu por conta do próprio modo como o desligamento foi feito. Segundo ele, enquanto as mulheres podem ganhar tempo para arranjar um novo emprego, os homens são demitidos sumariamente.

Esse tipo de situação é algo corriqueiro para boa parte das mulheres que estão do mercado de trabalho

Não deixa de ser irônico ver profissionais do sexo masculino indo à Justiça e acusando suas superiores de discriminá-los depois de episódios isolados como esses, já que esse tipo de situação é algo corriqueiro para boa parte das mulheres que estão do mercado de trabalho. É de se imaginar que a confusão poderia chegar a outro patamar se Ard e Anderson tivessem sua competência colocada em xeque ou recebessem menos que suas contrapartes femininas apenas por serem homens, não é?

A diversidade parece ser algo importante para o Yahoo!

Felizmente, esse parece não ser o caso. Em mensagem enviada ao site norte-americano Gizmodo, a Yahoo! fez questão de afirmar que a equidade é um princípio básico nas avaliações internas. “Nosso processo de avaliação de performance foi desenvolvido para permitir que funcionários de todos os níveis possam receber feedbacks significativos, regulares e contestáveis de seus pares”, explicou o comunicado, dizendo ainda que esse sistema promove o desenvolvimento da equipe e a mantém competitiva.

Apesar de não comentar os processos, a empresa diz que eles não correspondem à realidade. “Com o apoio inabalável da nossa CEO, estamos focados em contratar pessoas com formação e perspectivas amplas e variadas”, exemplifica. Outro dado que reforça a posição do Yahoo! é o fato de seu relatório anual de diversidade apontar que o número de mulheres em posição de passou de 23% em 2014 para 24% em 2015. Uma companhia – e uma CEO – realmente comprometida em “eliminar os homens” não seria tão tímida com essa porcentagem, não é?

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