Pouco mais de um mês após o lançamento da RX 480, a AMD resolve chacoalhar o mercado novamente com um produto ainda mais acessível da série Polaris.

O modelo RX 470 chega ao consumidor com um preço muito competitivo, que novamente pode abalar as vendas de uma das campeãs da concorrente, ainda mais pela questão do custo-benefício do novo produto.

Assim como a irmã mais top, a RX 470 chega com versões de 4 e 8 GB. Ela promete alto desempenho com baixo consumo de energia. Com alta capacidade de processamento, esta placa ainda mira na resolução Full HD, mas já pode ser uma boa opção para quem está pensando em monitores 2K.

Diferente da review da RX 480, o modelo que analisamos desta vez foi fabricado pela XFX. Ela conta com vários incrementos no projeto de design, os quais visam entregar melhor refrigeração, bem como garantir o funcionamento do chip com overclock elevado — por sinal, uma configuração que já vem de fábrica.

Temos aqui um produto pequeno, mas que esconde em seu interior um chip gráfico capaz de trabalhar com novas tecnologias de processamento visando maior performance. Será que vamos nos surpreender mais uma vez com a Polaris? Como de costume, rodamos vários testes com games para trazer um veredito.

Especificações

Capricho no design

A XFX é uma marca que já tem experiência de longa data com placas de vídeo, então não é surpresa alguma que a marca tenha algumas cartas na manga e entregue inovação ao consumidor. Todavia, no caso da RX 470, a companhia nos apresenta um componente de altíssima qualidade de construção, bem como com visual diferenciado.

Várias placas concorrentes são verdadeiras monstras na questão do tamanho, mas a XFX fez um ótimo trabalho no projeto de design da RX 470, uma vez que temos aqui um modelo bem leve e compacto. Vale notar ainda que algumas dimensões são aumentadas por conta do sistema de refrigeração, que conta com ventoinhas grandes.

Aliás, falando em refrigeração, é preciso notar uma sacada muito legal da fabricante. A XFX implementou nesta placa um esquema inteligente para remoção das ventoinhas. Com dois conectores (um de cada lado da ventoinha), o consumidor pode retirar o item facilmente, facilitando na hora da limpeza.

Além dessa vantagem, o novo sistema de ventoinhas da XFX promete ser revolucionário na questão de performance de refrigeração. Segundo a fabricante, o objetivo é trazer novos componentes para que o consumidor possa turbinar a ventilação da placa. Vale notar ainda que a marca também deve lançar coolers com sistema de iluminação personalizado.

Na parte de cima, a XFX colocou um backplate, o que deixa o hardware protegido e garante melhor dissipação do calor. A RX 470 vem com três saídas DisplayPort, uma HDMI e uma DVI, de modo que está pronta para quem usa vários monitores de alta resolução.

Na lateral, a placa apresenta apenas um conector de energia de seis pinos, o que mostra que é uma placa econômica. Vale notar ainda que a RX 470 é bastante leve, então não deve ocasionar qualquer tipo de problema no slot. Ela ocupa pouco espaço e deve caber tranquilamente em qualquer gabinete.

Conheça a Radeon RX 470

A Radeon RX 470 é a segunda placa de vídeo da família Polaris, arquitetura que pretende focar em consumo energético, sem deixar a questão da performance de lado. Da mesma forma como o produto top desta linha, este modelo intermediário pretende revolucionar o segmento ao adotar a quarta geração de componentes GCN (Graphics Core Next).

Apostando no processo de fabricação de 14 nanômetros, a AMD pôde incluir uma infinidade de transistores no processador, os quais são programados para trabalhar com clock elevado e entregar desempenho similar ao de placas top.

Segundo a Radeon, a placa RX 470 é projetada especialmente para trabalhar com APIs de baixo nível, ou seja, que dão acesso direto ao hardware. Ela promete alto desempenho com jogos que já usam os novos recursos do DirectX 12 e do Vulkan.

Outra característica relevante sobre esta placa diz respeito aos sistemas de energia e refrigeração. Com TDP de apenas 120 watts (tal qual a GTX 1060), este modelo visa operar com temperaturas amenas, enquanto consome pouca energia — sem ultrapassar os valores do padrão PCI-Express.

A tão prometida arquitetura Polaris

Assim como a RX 480, a placa intermediária da série Polaris apresenta um chip redesenhado. Equipado com a arquitetura GCN 1.4 (de quarta geração), o novo componente traz 32 unidades computacionais (o que significa uma redução de 4 unidades se comparada à RX 480) e 2.048 stream processors que entregam até 5,1 TFLOPS de poder computacional (este poder só é possível nesta Black Edition).

Tudo isso é possível graças ao processo de fabricação, que mudou de 28 nanômetros para FinFET de 14 nanômetros. Com essa alteração, o chip gráfico precisa de tensão muito menor, acomoda mais componentes (com mais transistores, é possível realizar a mesma tarefa num tempo menor) e pode rodar com clocks mais elevados.

O novo componente Polaris 10 aumentou também a performance por unidade computacional. Vale notar ainda que este chip gráfico trabalha com as tecnologias exclusivas WattMan, Frame Rate Target Control, Eyefinity e Virtual Super Resolution.

Refrigeração excelente

Uma das grandes promessas da AMD para esta placa é a redução no consumo de energia e, de fato, ela consegue incríveis resultados. A alimentação é feita através de um conector de 6 pinos, e o TDP é de 120 watts, de acordo com a AMD.

A XFX RX 470 roda com temperaturas próximas dos 70 graus na hora dos games, com picos de até 75 graus

Com o sistema de refrigeração de air cooler, a XFX RX 470 Black Edition roda com temperaturas próximas dos 70 graus na hora dos games. Os valores estão dentro do aceitável e nem mesmo em testes mais estressantes vimos picos acima de 75 graus.

Vale notar que, mesmo a ventoinha rodando a quase 60%, o ruído emitido é realmente baixo e não deve atrapalhar no dia a dia. Obviamente, estamos falando de um gabinete totalmente fechado, pois o barulho pode incomodar um pouco caso você deixe a tampa aberta.

Em modo ocioso, a XFX Radeon RX 470 se sai muito bem, mantendo temperaturas próximas de 45 graus, com alguns picos de 50 graus. Todos os testes foram realizados com o gabinete Corsair Carbide Series AIR 540, que é bem espaçoso e conta com várias ventoinhas. O ambiente para os testes tem temperatura controlada por ar-condicionado.

AMD FreeSync

Há algum tempo a AMD apresentou o FreeSync, um sistema de sincronização vertical que permite à placa de vídeo controlar a taxa de atualização do monitor, conseguindo, com isso, aumentar a fluidez das imagens.

Ao contrário do G-Sync, da NVIDIA, esse sistema não exige um hardware proprietário incluído no monitor para funcionar, pois o FreeSync aproveita as especificações do padrão DisplayPort para fazer isso. Contudo, você precisa ter um monitor capaz de oferecer essa tecnologia para ativá-la em sua placa de vídeo.

Considerando o potencial da Radeon RX 470, podemos garantir que ela é uma das melhores placas para quem pretende usar este recurso, já que consegue alcançar bom desempenho (em frames por segundo) e aproveitar as altas taxas de atualização de monitores compatíveis. Ela deve combinar perfeitamente com monitores que funcionam na faixa dos 30 a 75 Hz.

AMD VSR – Virtual Super Resolution

A super-resolução virtual não é uma exclusividade ou novidade da Radeon RX 470, mas esta configuração pode ser bem aproveitada nesta placa, já que pode até rodar alguns games em 2,5K. O VSR aumenta a qualidade visual ao trabalhar com resoluções elevadas para exibir gráficos ainda melhores em monitores de capacidade limitada.

Para entender como ele funciona, pense em um monitor Full HD. Agora, imagine uma imagem em resolução inferior à do monitor. Para preencher toda a tela, a imagem precisará ser esticada, deixando as imperfeições mais aparentes. O downsampling funciona de forma parecida, só que ao contrário.

Em vez de esticar uma imagem pequena para preencher a tela, ele espreme uma imagem grande para que ela possa ser exibida em um monitor com resolução menor que a da imagem gerada, eliminando quase completamente as imperfeições. Isso é especialmente útil para quem pretende rodar jogos com qualidade 4K em monitores Full HD.

A compatibilidade é garantida pelo Radeon Software, que configura os jogos e todos os detalhes para que você não precise se preocupar com nada. Basta indicar que você pretende usar o Virtual Super Resolution e configurar os games para a resolução 4K ou 2,5K.

Em nossos testes, a Radeon RX 470 aguentou legal rodar alguns jogos em 2,5K, mas não se mostrou muito satisfatória em 4K, pois tivemos que reduzir muito a qualidade visual, o que prejudicou a experiência. De qualquer forma, vale experimentar o recurso, pois isso pode variar de acordo com o título em questão.

Testes de desempenho

Como de costume, para conferir o desempenho da placa de vídeo em situações práticas, nós realizamos uma série de testes que você possivelmente faria em seu computador.

Os testes são divididos em duas etapas: jogos e benchmarks sintéticos. Em geral, nós usamos configurações de vídeo em nível máximo (Ultra ou Very High), incluindo filtros e com V-Sync desativado.

Máquina de testes

  • Sistema: Windows 10 Pro
  • CPU: Intel Core i7-6700K
  • Placa-mãe: GIGABYTE Z170-X Gaming G1
  • Memória: 16 GB RAM Corsair DDR4 2133
  • SSD: Intel 540 Series 480 GB
  • Fonte: Corsair RM1000

Batman: Arkham Knight

O mais recente jogo da franquia do Homem-Morcego abusa do poder do chip gráfico, colocando o componente de vídeo sob grande estresse e testando a máquina com vários filtros e efeitos.

GRID Autosport

O mais recente título da série GRID não é tão exigente como determinados jogos de corrida, porém ele conta com um benchmark bem longo que permite analisar perfeitamente a capacidade da placa de vídeo.

Hitman Absolution

Apesar de ser um jogo de 2013, Hitman: Absolution ainda serve perfeitamente para verificações com tecnologias mais recentes, já que sua engine abusa do poder de processamento e trabalha com o DirectX 11.

Metro: Last Light Redux

Metro: Last Light aproveita o poder das GPUs modernas para trazer gráficos excelentes, texturas em alta definição e muita destruição com efeitos especiais incríveis. O game é construído com a engine 4A e também é uma excelente prova de fogo para placas de todos os tipos.

Middle Earth: Shadow of Mordor

Um dos jogos de maior sucesso dos últimos tempos é também um ótimo título para teste de poder gráfico. Baseado na série Senhor dos Anéis, ele conta com uma grande quantidade de elementos em cenário e pode representar um bom desafio em alguns momentos para os processadores gráficos.

Rise of the Tomb Raider

Aproveitando a chegada do novo jogo da franquia Tomb Raider, nós resolvemos adotar o título como um teste-padrão para nossas análises, já que ele conta com visuais estonteantes e já utiliza o DirectX 12.

Benchmarks

Os testes práticos (com jogos) mostraram que a XFX Radeon RX 470 dá conta dos principais jogos. Contudo, como de praxe, para comprovar o real poder da placa, nós rodamos benchmarks sintéticos, que visam identificar a performance absoluta do chip gráfico.

3DMark

Unigine Heaven

Unigine Valley

Vale a pena?

A XFX Radeon RX 470 Black Edition é uma placa que mostra poder de sobra para os jogos mais modernos, sendo capaz de encarar qualquer parada. Ela roda a maioria dos games em Full HD com gráficos na qualidade máxima e com filtros ativados, mostrando que aproveita tudo o que a arquitetura Polaris tem para oferecer ao jogador.

O desempenho apresentado é tão elevado que chegou a empatar com o da RX 480 e até superá-lo em determinados testes. Ainda que estejamos tratando aqui de uma placa personalizada e que aproveita o overclocking de fábrica, ficamos surpresos com os resultados. Evidentemente, parte da boa performance pode ser resultante do driver. De qualquer forma, uma placa excelente da XFX!

Uma das responsáveis por essa vantagem é a arquitetura Polaris. Com o processo de fabricação de apenas 14 nanômetros, esta Radeon pode rodar com clock elevado, entregar alta performance e manter temperaturas muito boas.

Ficamos bastante surpresos também com o sistema de refrigeração, ainda mais por conta do esquema de remoção das ventoinhas. A XFX ainda não lançou tais componentes no Brasil, mas a ideia é muito boa tanto para personalizar o produto quanto para utilizar itens mais eficientes, que devem garantir melhores temperaturas e alto nível de overclocking.

O projeto de design também merece destaque, uma vez que mostra robustez e entrega um visual arrojado. Ele aproveita características comuns da fabricante, sendo esta uma placa muito leve e compacta. Com medidas reduzidas, ela cabe em qualquer gabinete.

Para finalizar, chegamos na questão do preço. A XFX Radeon RX 470 Black Edition ainda não está disponível no Brasil, o que não nos permite fazer uma comparação direta com produtos similares. Considerando os valores da RX 480, esperamos que ela chegue por menos de 1,4 mil reais, mas ainda não temos como dar certeza quanto a isso.

Lá fora, esta placa está disponível por 230 dólares (R$ 750) na versão de 4 GB. O preço é similar ao da RX 480 de referência (que tem o dobro de memória RAM), mas o consumidor paga aqui pelo projeto de design exclusivo — incluindo as belas ventoinhas que podem ser trocadas — e o overclocking de fábrica.

A performance similar à da RX 480 acaba sendo uma questão a se considerar, já que esta RX 470 não fica para trás na maioria dos testes. É complicado dizer qual placa é a mais recomendada, já que tudo vai depender do game em questão. Em teoria, placas com o chip RX 480 são superiores, mas, na comparação com a versão Stock, esta XFX RX 470 ainda se mostra muito interessante.

No geral, ficamos satisfeitos com o desempenho do produto e todo o projeto da arquitetura Polaris aplicado nesta placa. A XFX RX 470 mostra que este componente gráfico é um dos maiores avanços da Radeon, de forma que recomendamos o produto com toda certeza. Resta aguardar para ver como vai ficar a questão do preço aqui no Brasil.

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