Há algum tempo, pudemos conferir todo o potencial da arquitetura Polaris com um exemplar da tão comentada RX 480. A novidade da AMD veio para balançar o mercado e surpreendeu nos principais testes com novas APIs.

Depois do primeiro review da Polaris, nós analisamos a Radeon RX 470, eleita por nossa equipe como uma solução adequada para quem busca alta performance gráfica aliada a um excelente desempenho energético.

Desta vez, temos o prazer de apresentar a vocês a última novidade da AMD: a Radeon RX 460. O modelo chega ao consumidor com a proposta de entregar desempenho suficiente para curtir os principais games online do momento e ainda garantir ótimos visuais nos títulos mais requisitados.

Diferente das placas mais tops, a RX 460 chega com versões de 2 GB e 4 GB, já que a capacidade de processamento dela é um tanto limitada e não faria sentido disponibilizar um modelo com 8 GB. Vale notar que o componente de referência é focado no baixo consumo, sendo que, segundo a AMD, apresenta TDP de até 75 watts.

O produto que analisamos desta vez, contudo, não é o mesmo que vimos nos slides da Radeon. A companhia nos enviou uma peça personalizada pela XFX. Esta placa conta com vários incrementos no projeto de design, os quais visam entregar melhor refrigeração, bem como garantir o funcionamento do chip com overclock.

Para tanto, a fabricante fez um retrabalho no sistema de alimentação, incluindo até um conector de energia. Temos aqui um produto pequeno, mas que esconde um chip gráfico capaz de trabalhar com novas tecnologias. Será que a Polaris ainda tem cartas na manga?

Especificações

Design diferenciado

A gente já conhece a XFX há mais de uma década, e a marca tem experiência com placas de vídeo. Conforme já era de se esperar, a fabricante caprichou no desenvolvimento do projeto da RX 460, entregando um componente com boa qualidade de construção e visual que acompanha a tendência apresentada na nova série de produtos Radeon.

A versão de referência da RX 460 é bastante pequena, mas, para poder comportar os sistemas de alimentação e de refrigeração, a XFX teve de aumentar um pouco as dimensões. Todavia, as mudanças no chassi e na carcaça ainda são bem pequenas, de modo que temos aqui uma placa compacta e leve, tanto que uma boa parte do tamanho se deve aos coolers.

Na questão da ventilação, devemos ressaltar novamente uma novidade exclusiva da marca: um esquema inteligente para remoção das ventoinhas. Duas travas (uma de cada lado da ventoinha) permitem que o consumidor retire o item facilmente na hora da limpeza ou troca por modelos de melhor performance ou com sistema de iluminação personalizado.

Por ser uma placa mais básica, a XFX não incluiu um backplate no projeto, o que deixa alguns componentes de hardware expostos. A RX 460 vem com três saídas DisplayPort, uma HDMI e uma DVI, então está pronta para quem usa vários monitores de alta resolução.

Na lateral, a placa apresenta apenas um conector de energia de seis pinos, o que mostra que a fabricante precisou alterar o projeto original (que usava somente energia do PCI-Express). A XFX RX 460 ocupa pouco espaço e deve caber tranquilamente em qualquer gabinete.

Conheça a Radeon RX 460

A Radeon RX 460 é a terceira placa de vídeo da família Polaris, arquitetura que pretende focar em consumo energético, sem deixar a questão da performance de lado. Da mesma forma como os produtos mais top, este modelo intermediário pretende revolucionar o segmento ao adotar a quarta geração de componentes GCN (Graphics Core Next).

Apostando no processo de fabricação de 14 nanômetros, a AMD pôde incluir uma infinidade de transistores no processador, os quais são programados para trabalhar com clock elevado e entregar desempenho similar ao de placas top.

Segundo a Radeon, a RX 460 é projetada especialmente para trabalhar com APIs de baixo nível, ou seja, que dão acesso direto ao hardware. Ela promete bom desempenho com jogos que já usam os novos recursos do DirectX 12 e do Vulkan.

Arquitetura Polaris 11

A placa mais simples da série Polaris apresenta um chip redesenhado. Equipado com a arquitetura GCN 1.4 (de quarta geração), o novo componente traz 14 unidades computacionais (o que significa uma redução de 18 unidades se comparada à RX 470) e 896 stream processors que entregam até 2,2 TFLOPS de poder computacional (ficando bem abaixo da RX 470, que chega a 4,9 TFLOPS).

As várias limitações no chip Polaris 11 causam bastante impacto tanto para processar pixels quanto para renderizar texturas. A taxa de preenchimento de pixels é de apenas 19,2 GP/s (cortando pela metade o que temos na RX 470). Quanto à taxa de texturas, a capacidade da RX 460 é de apenas 57,6 GT/s (quase um terço da RX 470, que chega a 154,4 GT/s).

A memória é do tipo GDDR5, mas, para limitar o consumo de energia (e também por conta das restrições nas capacidades da GPU), a Radeon apostou em módulos que usam uma interface de 128-bit. Com isso, a RX 460 tem largura de banda de até 112 GB/s, o que significa uma redução de 100 GB/s quando comparada com a placa mais básica com Polaris 10.

Apesar de tantas limitações, com o processo de fabricação, que mudou de 28 nanômetros para FinFET de 14 nanômetros, a Radeon conseguiu desenvolver um chip gráfico que precisa de tensão muito menor, acomoda mais componentes (com mais transistores, é possível realizar a mesma tarefa num tempo menor) e pode rodar com clocks mais elevados. O resultado é uma placa muito eficiente.

Refrigeração excelente

Uma das grandes promessas da AMD para esta placa é a redução no consumo de energia, e, de fato, ela consegue incríveis resultados. A alimentação é feita através de um conector de seis pinos. A inclusão desse elemento parece ter sido necessária para dar suporte ao overclock da placa, uma vez que o TDP de 75 watts fica muito apertado e poderia ultrapassar a potência do PCI-Express.

A XFX RX 460 roda os games com frieza, com temperaturas de no máximo 63 graus 

Com o sistema de refrigeração de air cooler do tipo Double Dissipation (nome que a própria fabricante dá para este modelo), a XFX RX 460 roda com temperaturas próximas dos 60 graus na hora dos games. Os valores são excelentes e nem mesmo em testes mais estressantes vimos picos acima de 63 graus.

Vale notar que, mesmo com a ventoinha rodando a quase 60%, o ruído emitido é realmente baixo e não deve atrapalhar no dia a dia. Obviamente, estamos falando de um gabinete totalmente fechado, pois o barulho pode incomodar um pouco caso você deixe a tampa aberta.

Em modo ocioso, a XFX Radeon RX 460 se sai muito bem, mantendo temperaturas próximas de 40 graus, com alguns picos de 43 graus. Todos os testes foram realizados com o gabinete Corsair Carbide Series AIR 540, que é bem espaçoso e conta com várias ventoinhas. O ambiente para os testes tem temperatura controlada por ar-condicionado.

AMD FreeSync

Há algum tempo, a AMD apresentou o FreeSync, um sistema de sincronização vertical que permite à placa de vídeo controlar a taxa de atualização do monitor, conseguindo, com isso, aumentar a fluidez das imagens.

Ao contrário do G-Sync, da NVIDIA, esse sistema não exige um hardware proprietário incluído no monitor para funcionar, pois o FreeSync aproveita as especificações do padrão DisplayPort para fazer isso. Contudo, você precisa ter um monitor capaz de oferecer essa tecnologia para ativá-la em sua placa de vídeo.

A Radeon RX 460 não vai manter os jogos na casa dos 100 frames por segundo, mas, considerando a proposta do FreeSync, essa tecnologia pode ser muito útil em vários cenários. Ela deve combinar perfeitamente com monitores que funcionam na faixa dos 30 a aos 75 Hz.

AMD VSR – Virtual Super Resolution

A super-resolução virtual não é uma novidade da Radeon RX 460, mas essa configuração pode ser útil para alguns jogadores que usam monitores de baixa resolução. O VSR aumenta a qualidade visual ao trabalhar com resoluções elevadas para exibir gráficos ainda melhores em monitores de capacidade limitada.

Para entender como ele funciona, pense em um monitor Full HD. Agora, imagine uma imagem em resolução inferior à do monitor. Para preencher toda a tela, a imagem precisará ser esticada, deixando as imperfeições mais aparentes. O downsampling funciona de forma parecida, só que ao contrário.

Em vez de esticar uma imagem pequena para preencher a tela, ele espreme uma imagem grande para que ela possa ser exibida em um monitor com resolução menor que a da imagem gerada, eliminando quase completamente as imperfeições. Isso é especialmente útil para quem pretende rodar jogos com qualidade 4K em monitores Full HD.

A compatibilidade é garantida pelo Radeon Software, que configura os jogos e todos os detalhes para que você não precise se preocupar com nada. Basta indicar que você pretende usar o Virtual Super Resolution e configurar os games para a resolução desejada.

Em nossos testes, a Radeon RX 460 aguentou bem rodar os jogos em Full HD, mas ele não é uma placa recomendada para 2,5K ou 4K, já que na maioria dos casos a performance fica muito abaixo do esperado, o que prejudica a experiência. De qualquer forma, vale experimentar o recurso em monitores com resolução HD e ativar a opção Full HD.

Testes de desempenho

Como de costume, para conferir o desempenho da placa de vídeo em situações práticas, nós realizamos uma série de testes que você possivelmente faria em seu computador.

Eles são divididos em duas etapas: jogos e benchmarks sintéticos. Em geral, nós usamos configurações de vídeo em nível máximo (Ultra ou Very High), incluindo filtros e com V-Sync desativado.

Máquina de testes

  • Sistema: Windows 10 Pro
  • CPU: Intel Core i7-6700K
  • Placa-mãe: GIGABYTE Z170-X Gaming G1
  • Memória: 16 GB RAM Corsair DDR4 2133
  • SSD: Intel 540 Series 480 GB
  • Fonte: Corsair RM1000

Batman: Arkham Knight

O mais recente jogo da franquia do Homem-Morcego abusa do poder do chip gráfico, colocando o componente de vídeo sob grande estresse e testando a máquina com vários filtros e efeitos.

GRID Autosport

O mais recente título da série GRID não é tão exigente como determinados jogos de corrida, porém conta com um benchmark bem longo que permite analisar perfeitamente a capacidade da placa de vídeo.

Hitman Absolution

Apesar de ser um jogo de 2013, Hitman: Absolution ainda serve perfeitamente para verificações com tecnologias mais recentes, já que sua engine abusa do poder de processamento e trabalha com o DirectX 11.

Metro: Last Light Redux

Metro: Last Light aproveita o poder das GPUs modernas para trazer gráficos excelentes, texturas em alta definição e muita destruição com efeitos especiais incríveis. O game é construído com a engine 4A e também é uma excelente prova de fogo para placas de todos os tipos.

Middle Earth: Shadow of Mordor

Um dos jogos de maior sucesso dos últimos tempos é também um ótimo título para teste de poder gráfico. Baseado na série Senhor dos Anéis, ele conta com uma grande quantidade de elementos em cenário e pode representar um bom desafio em alguns momentos para os processadores gráficos.

Benchmarks

Os testes práticos (com jogos) mostraram que a XFX Radeon RX 460 pode rodar alguns dos principais jogos. Contudo, como de praxe, para comprovar o real poder da placa, nós rodamos benchmarks sintéticos, que visam identificar a performance absoluta do chip gráfico.

3DMark

Vale a pena?

A XFX Radeon RX 460 é uma placa que mostra poder suficiente para rodar os jogos mais modernos em configurações modestas. Ela executa a maioria dos games em Full HD com gráficos com qualidade alta, mas é importante desativar os filtros para obter experiência satisfatória.

O desempenho apresentado é equivalente ao da GTX 950, o que está de acordo com as promessas da Radeon. É claro que o desempenho limitado em alguns casos pode ser culpa dos drivers, mas, no geral, o consumidor não deve pensar que esta placa pode rodar os jogos no máximo.

O sistema de refrigeração nos deixou muito surpresos. As temperaturas em jogo são excelentes, e gostamos muito do esquema de remoção das ventoinhas. A XFX ainda não lançou tais componentes no Brasil, mas a ideia é muito boa tanto para personalizar o produto quanto para utilizar itens mais eficientes, que devem garantir melhores temperaturas e alto nível de overclocking.

O design merece destaque, uma vez que mostra robustez e entrega visual diferenciado, mas muito na mesma linha da RX 470 Black Edition. Ele aproveita características comuns da fabricante, sendo esta uma placa muito leve e compacta. Por ter medidas reduzidas, ela cabe em qualquer gabinete.

A XFX Radeon RX 460 ainda não está disponível no Brasil, o que impossibilita uma comparação direta com produtos similares. Considerando os valores de placas RX 460 de concorrentes, que estão na casa dos R$ 850, podemos dizer que o preço está um pouco acima do que imaginamos para uma placa desse porte, já que a GTX 950 chega por R$ 100 a menos.

Ficamos satisfeitos com o desempenho do produto, que entrega o que é prometido. O projeto da arquitetura Polaris 11 aplicado nesta placa é muito bom, ainda mais pela economia de energia e pelas ótimas temperaturas. Resta aguardar para ver qual será o preço oficial da XFX RX 460 no Brasil.

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