Qual é o sistema operacional que você utiliza em seu computador? Para a grande maioria dos leitores, a resposta vai ser “Windows 7”. Pois é, o sistema lançado pela Microsoft em 2009 ainda é o mais utilizado em todo o mundo, seguido pelo Windows XP e vendo o irmão caçula Windows 8 apenas na terceira posição. Isso mesmo, a versão mais recente do Windows ainda não conseguiu bons resultados no mercado internacional.

Mas será que podemos considerá-lo um verdadeiro fracasso? Não é possível dizer isso ainda, mas é fato que ele não está conseguindo resultados tão bons quanto o antecessor. E, com base nessas diferenças, existem vários especialistas em mercado que afirmam que a Microsoft precisa repensar diversos conceitos antes de colocar o Windows 9 nas lojas. Há diversos caminhos que devem ser evitados.

Mas quais são esses caminhos? O que a Microsoft fez de errado na produção do Windows 8? É o que veremos agora, em uma reunião de motivos pelos quais a empresa de Redmond pode ter que trabalhar arduamente em mudanças de cenários antes de colocar uma nova versão do Windows no mercado.

Longe do sucesso do Windows 7

No primeiro ano em que esteve no mercado, o Windows 7 conseguiu chegar a um total de 20% dos computadores ao redor do mundo. Durante o mesmo período de tempo, o Windows 8 conseguiu apenas metade disso. No final de 2013, segundo o Net Applications,         o Windows 7 ainda dominava 47,5% do mercado de sistemas operacionais. Completavam o pódio o Windows XP com 28,98% e o Windows 8 com 10,49%.

Ficar atrás do Windows 7 não é um grande problema, uma vez que ele ainda está sendo vendido no mercado. O problema para a Microsoft está no fato de que o segundo colocado no mercado é o Windows XP, que foi lançado em 2001 e parou de ser comercializado em 2008. Ou seja, 28,98% dos clientes da companhia podem não estar sendo rentáveis há pelo menos seis anos.

Logo, a empresa precisa fazer com que os consumidores façam upgrades de suas máquinas. Os que utilizam o Windows XP verão o encerramento total do suporte até metade do ano que vem, mas será que eles vão optar pelo Windows 8? Essa era a grande expectativa de todo o mercado, mas novos movimentos das fabricantes nos fazem pensar que a história pode ser diferente.

Empresas ainda investem no Windows 7

Alguns meses depois que o Windows 8 foi lançado comercialmente, diversas fabricantes de computadores começaram a vender os aparelhos com o novo sistema. Aos poucos, o Windows 7 deixou de ser uma opção para muitos dos modelos existentes nas prateleiras. Parecia um movimento natural, mas a HP dos Estados Unidos anunciou uma novidade que mudou todas as especulações.

(Fonte da imagem: Reprodução/HP)

No dia 18 de janeiro, a empresa voltou a oferecer a opção do Windows 7 para os consumidores que compram novos computadores. Mais do que isso, a HP afirma que tomou a decisão com base em “demanda popular”, anunciando ainda descontos de até US$ 150 no valor total dos aparelhos para quem optar pelo sistema operacional lançado em 2009.

É bem provável que outras fabricantes sigam o mesmo caminho, além do fato de que há diversas montadoras que ainda oferecem o Windows 7 como opção para os consumidores. O que nos resta agora é analisar quais são os motivos que podem levar as empresas e os consumidores a preferirem a versão anterior do Windows em detrimento do “irmão caçula”.

Problemas estruturais

Uma publicação no site da Forbes separou diversos problemas estruturais no funcionamento do Windows 8. Segundo a análise dos especialistas do site, o sistema operacional já começa apresentando problemas quando não oferece boas possibilidades de escalas das imagens. Isso é bem visível quando analisamos o funcionamento do Windows 8 em monitores de maiores resoluções, pois ele acaba distorcendo muitas informações.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Outro exemplo citado pela publicação são os “Hot Corners”. Trata-se do recurso que mostra informações e opções adicionais assim que o usuário passa o cursor do mouse sobre os cantos da tela — os dois do lado direito e também o inferior esquerdo. A Microsoft introduziu o recurso para aproximar os computadores comuns das possibilidades oferecidas por interfaces sensíveis ao toque.

O problema é que é muito comum que os usuários acabem acionando os “Hot Corners” quando vão minimizar, fechar ou maximizar janelas, entre outras possibilidades similares. A Forbes também cita o fato de a Microsoft continuar impondo a utilização de seus próprios serviços no Windows 8 — mencionando Bing, Internet Explorer, contas LIVE e sincronização com o SkyDrive como exemplos.

É “touch” ou não?

Há outro recurso implantado no Windows 8 que incomoda muitos consumidores: a interface híbrida para computadores comuns e aparelhos com tela sensível ao toque. Não sendo completamente dedicada a um modelo ou outro, há diversos momentos em que o sistema acaba causando um certo desconforto na utilização. Isso pode ser visto em diversos momentos, incluindo no já citado problema dos “Hot Corners”.

(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

Outro ponto controverso é a conhecida Tela Iniciar. Funcionando da mesma forma que os botões “Home” de smartphones, ela garante mais facilidade para a localização de diversos recursos nos computadores. Mas o preço para isso está no sacrifício da comodidade e da praticidade do Menu Iniciar. É fácil se acostumar com a mudança, mas também é fácil encontrar pessoas que a acharam muito incômoda.

Esses são apenas alguns exemplos do estranhamento que a interface híbrida pode causar. É claro que estamos nos referindo à utilização do Windows 8 em computadores comuns, mas é preciso ter em mente que esse ainda é o principal ponto de acesso ao sistema operacional.

Integração de ecossistema

Atualmente, os usuários que possuem dois computadores que utilizam a mesma conta LIVE podem desfrutar de poucos benefícios na sincronização dos aparelhos. Pouca coisa além do compartilhamento de temas é garantido automaticamente, exigindo que os usuários tenham backup no Skydrive para que possam acessar seus arquivos — o que não garante a utilização de aplicativos em mais de uma máquina.

(Fonte da imagem: Divulgação/Microsoft)

Mais do que isso, falta uma integração entre computadores com o Windows 8 e smartphones Windows Phone ou mesmo com o Xbox. A Forbes cita a ausência da sincronização de conteúdos multimídia, compras de aplicativos e controle remoto como alguns dos pontos que poderiam ser melhorados. A publicação ainda lembra que a Sony permite isso com o PlayStation 4 e com o PlayStation Vita.

Windows 9 vem aí

Há quem diga que a Microsoft sofre com uma maldição de versões ímpares do sistema operacional, que vem acontecendo desde o lançamento do Windows 98. Segundo essa lenda urbana, a empresa de Redmond estaria fadada a obter sucesso em uma versão e fracasso na seguinte. Seguindo essa lógica, temos: Windows 98 (sucesso), Windows ME (fracasso), Windows XP (sucesso), Windows Vista (fracasso), Windows 7 (sucesso) e Windows 8 (fracasso?).

Talvez comercialmente falando ele seja, mas é preciso deixar claro que o Windows 8 abriu caminho para um Windows 9 muito bem estruturado. O sistema operacional tem alguns atributos que merecem ser destacados, como rapidez, eficiência, estabilidade e segurança. Sendo corrigidas algumas falhas estruturais e de design, a versão seguinte pode roubar o lugar do Windows 7 em poucos anos.

É esperado que a nova versão do sistema operacional chegue ao mercado apenas em 2015, três anos após o lançamento do Windows 8. Caso aconteça isso, a Microsoft terá mantido os intervalos apresentados recentemente, mas, se o novo sistema chegar ainda neste ano, a desenvolvedora terá assumido o Windows 8 como um fracasso. Será que isso vai acontecer?

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Como você viu ao longo deste artigo, o Windows 8 não é o sistema operacional perfeito, mas fica muito longe de ser um sistema ruim. Mesmo assim, ele ainda vive à sombra do Windows 7, que é um dos maiores sucesso da Microsoft. Como já dissemos antes, o Windows 8 pode não ser um sucesso de  vendas, mas abriu espaço para um futuro bem interessante para a empresa de Redmond. Você discorda?

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