Um relatório trazido pelo site de publicações empresariais MIS-Asia indica que as empresas estão bastante animadas, para dizer o mínimo, com as ações mais recentes da Microsoft em unificar seus sistemas operacionais mobile e de PC. O motivo? As companhias têm um sistema operacional a menos com que se preocupar, facilitando todo o processo.

Descrito no relatório como sendo a vanguarda de uma nova tendência, as empresas explicam que a ação é muito benéfica para os interessados em produzir conteúdo para a plataforma. “De uma perspectiva de chefe de TI [a convergência] torna mais fácil”, diz Aaron Gette, CIO da companhia de fitness Bay Club.

Não apenas isso: a queda vertiginosa do mercado de PCs fez com que a convergência de sistemas operacionais se tornasse necessária para manter a plataforma relevante para o grande público. Isso, de fato, é especialmente importante para negócios já operando no ambiente da nuvem, ao ponto de que Gette acredita que negar isso seja simplesmente “ridículo”.

“No fim do dia, nós estamos caminhando para um modelo federado de sistemas gerenciados”, afirmou ele.

Concorrência distante

Uma vez que a unificação de sistemas é vista como algo praticamente inevitável, as outras gigantes com sistemas feitos para PCs também devem estar se preparando para isso, não? Na verdade, o relatório mostra que esse não é o caso nem de longe.

De um lado temos a Microsoft, que veio tentando essa convergência desde o Windows 8 e o Windows Phone, mas que finalmente parece ter se encontrado com o Windows 10 e vem sendo vista como a maior esperança das companhias em oferecer um sistema operacional realmente unificado. Do outro... Bem, ninguém mais está tentando fazer isso, na verdade.

A Apple, por exemplo, é a segunda mais próxima de alcançar a unificação. Gette, entretanto, acredita que ela não poderia estar mais longe de fazê-lo para criar um ecossistema mais preocupado com as empresas: “A Apple nunca vai se dobrar para a indústria... Eu sinto como se eles estivessem seguindo para esse caminho, mas eles estão menos preocupados sobre se as empresas aceitam isso ou não.”

E quanto à Google, com seu Android e Chrome OS? Pode esquecer. Como já falamos em uma matéria recente, a gigante não tem qualquer objetivo em unir ambos; de fato, Gette simplesmente considera a empresa como uma “não-jogadora”.

Para ele, isso é simplesmente parte do funcionamento da empresa, cujo foco foi sempre o de ramificar ao máximo seus projetos. “Se o SO Android jamais vai se traduzir para o desktop, eu não sei. Eu não vejo muito valor no Chrome OS, então a Google para mim não é uma jogadora”, afirmou o CIO.

Gette não é o único a pensar assim. Adam Codega, chefe de operações de TI da firma Swipely, diz que a enorme diferença da experiência de uso entre as duas plataformas as tornam as piores candidatas a uma unificação bem-feita. Já para Greg Meyers, vice-presidente corporativo da Motorola Solutions, o Chrome OS simplesmente ainda não é tão capaz, quando lado a lado com o Windows 10 e o Mac OS X.

Os riscos da unificação

É extremamente importante comentar, no entanto, que nem tudo são flores para a união de sistemas mobile e de PC. Para Meyers, por exemplo, os softwares desenvolvidos precisarão de um planejamento muito maior se quiserem se adequar corretamente aos diferentes aparelhos em que são usados, alterando sua interface de acordo com as capacidades e a tela.

Mesmo assim, ele também afirma que alguns serviços, aplicativos e programas jamais vão conseguir funcionar bem na tela do smartphone ou tablet – principalmente quando falamos de sistemas mais complexos ou aqueles utilizados por empresas, que pedem um pesado nível de desempenho de hardware.

“Eu não tenho certeza de como aplicativos tão ricos como Salesforce, Oracle ou SAP jamais podem ser abstraídos o suficiente para trabalhar bem em uma interface puramente com estilo mobile.”

Seja como for, ele ainda deixa bem claro: eventualmente, mobile e desktop vão acabar se unindo.

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