A plataforma WikiLeaks divulgou uma grande quantidade de documentos nesta terça-feira (7) que detalham como a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, utiliza ferramentas de espionagem cibernética para vigiar qualquer pessoa no mundo. Nos papéis, a WikiLeaks detalha as táticas voltadas para invasão de celulares iOS, Android, computadores, roteadores e até televisores smart.

De acordo com a Associated Press e a agência Efe, a CIA ainda não se pronunciou sobre o caso.

Faz tempo que a vigilância de massa é citada por delatores, hoje, ao redor do mundo. Entre eles, Chelsea Manning, Edward Snowden e o próprio Julian Assange, da WikiLeaks, são os mais conhecidos. Para entender até que ponto estamos sendo espionados, acompanhe esta reportagem.

Ferramentas reveladas

Documentos

O vazamento de informações toca na questão da facilidade que o governo norte-americano tem de interagir com softwares e dispositivos móveis de cidadãos via agências e ferramentas hackers.

Nesta série, batizada de "Vault 7" pela WikiLeaks, a plataforma divulga o "maior vazamento de documentos oficiais da agência de inteligência dos Estados Unidos". Você pode ver tudo, na íntegra, clicando aqui — são mais de 8.760 arquivos.

A CIA tem milhares de alvos na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos

Segundo os documentos, a CIA desenvolveu uma multiplataforma de ataque malware e controle de sistema que tem a capacidade de invadir sistemas Windows, Mac OS X, Solaris, Linux etc. — e ferramentas "Cutthroat" e "Swindle". Além disso, a WikiLeaks nota que as técnicas permitiam que a agência "penetrasse, infectasse e controlasse softwares Android e iPhone que rodam contas presidenciais no Twitter" usando "zero day exploits" (exploração de dia zero).

"A CIA perdeu o controle sobre a maior parte de seu arsenal de espionagem cibernética, incluídos softwares maliciosos, vírus, cavalos de Troia, ataques de dia zero, sistemas de controle remoto de software malicioso e documentos associados", notou a plataforma.

Vigilância

Até TVs e carros?

Como os documentos indicam, a CIA tem a capacidade de invadir até televisores para escutar conversas via microfone integrado — smart TVs que utilizam comandos de voz para ações. A invasão instala na TV um modo chamado "Fake-off", que deixa o televisor "apagado" para o usuário quando, na verdade, ele está ligado internamente e capturando informações.

O relatório vai ainda mais longe e sugere que a CIA poderia cometer assassinato: "A CIA também estava buscando infectar sistemas de controle de veículos utilizados por carros e caminhões modernos. A proposta de tal controle não foi especificada, mas ele permitiria que a CIA realizasse assassinatos praticamente indetectáveis".

A segurança de sistemas de carros autônomos também é uma preocupação

Acompanhe abaixo um trecho, na íntegra, explicando melhor sobre as ferramentas:

"As ferramentas de hacking e malware da CIA são desenvolvidas pelo EDG (Engineering Development Group), um grupo que desenvolve software da CCI (Center for Cyber Intelligence), que também é um departamento da DDI (Directorate for Digital Innovation), dentro da CIA. O DDI é um de cinco diretórios principais da CIA.

O EDG é responsável por desenvolvimento, testes e suporte operacional de todos os backdoors, exploits, trojans, vírus, cargas maliciosas e qualquer tipo de malware usado pela CIA para cobrir suas ações pelo mundo inteiro".

  • E você, se sente seguro usando mensageiros? "Estas técnicas permitem que a CIA contornem a encriptação de WhatsApp, Signal, Telegram, Weibo, Confide e Cloackman. Isso é feito ao hackear os smartphones e coletar o tráfego de áudios e mensagens antes de a encriptação ser aplicada".

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