Imagem de Life is Strange: Episode 3 – Chaos Theory
Imagem de Life is Strange: Episode 3 – Chaos Theory

Life is Strange: Episode 3 – Chaos Theory

Nota do Voxel
90

Até mesmo o poder de voltar no tempo traz consequências inevitáveis

Life is Strange: Episode 3 – Chaos Theory veio para dar continuidade à história complexa e envolvente de Maxine "Max" Caulfield e dos muitos outros personagens da trama. O segundo episódio – Out of Time –, deixou uma "ponta" realmente decisiva para o desenrolar de toda a narrativa, e terceiro não faz feio ao apresentar outra cena igualmente importante no final do jogo.

O título, desenvolvido pela Dontnod Entertainment e publicado pela Square Enix, coloca os jogadores na pele de uma personagem que tem o poder surpreendente de voltar no tempo e manter na memória tudo aquilo que "ainda não aconteceu". O jogo apoia-se no sistema de escolhas como a principal mecânica para a construção da história, obrigando-nos a tomar decisões que poderão – e provavelmente terão – reflexos no futuro.

Life is Strange – Episode 3: Chaos Theory.

Atenção: ALERTA DE SPOILER! Essa análise pode conter informações que revelem detalhes importantes sobre o enredo de Life is Strange. O texto não pretende contar a história do jogo, já que o uso desses trechos tem como único objetivo servir de base para sustentar os argumentos apresentados pelo autor.

Colhendo os frutos das suas escolhas

Nessa altura do campeonato, não tem como esconder o jogo. A partir do início do terceiro episódio de Life is Strange, o jogador já começa sabendo qual foi a sua decisão ao final da trama anterior. Afinal, Kate Marsh cometeu suicídio ou Max conseguiu impedir essa tragédia e se tornar a heroína de Blackwell Academy?

E quem foi o culpado: o engomadinho do Nathan Prescott, o psicótico do David Madsen ou o admirado professor Mark Jefferson? A pergunta tendenciosa é reflexo das minhas próprias decisões durante o jogo, mas isso não me impediu de criar um novo save e seguir por um caminho diferente do escolhido pela maioria dos jogadores ao redor do globo – que foi culpar o herdeiro da família Prescott.

Registro de escolhas em Life is Strange.

O reflexo no Journal

Caso o jogador consiga salvar Kate, a seguinte mensagem vai aparecer no diário de Max:

"Estremecimento. Falando em medo, ainda penso em Kate e a tristeza em seus olhos naquele telhado. Eu estou tão grata que ela esteja viva. Eu adoro ver os alunos da Blackwell mostrarem o seu apoio para ela com flores e presentes. Finalmente."

Se o jogador tiver falhado em salvar Kate, o Journal vai mostrar a seguinte mensagem:

"Falando em medo, eu ainda posso ver Kate e seus olhos tristes e sem esperança naquele telhado... Eu não posso acreditar que ela não está mais aqui... Eu ouvi que alguns estudantes estão organizando uma petição para que Blackwell crie um bolsa de estudos em sua memória. Esse é o mínimo que este lugar poderia fazer por ela..."

Reflexos no Journal em Life is Strange.

Essas entradas distintas no Journal comprovam que a complexidade do game e as escolhas do jogador vão tornando tudo ainda mais complicado – e interessante. No final das contas, haverá um final em que Kate Marsh estará viva e outro em que ela, infelizmente, não terá sobrevivido.

E o terceiro episódio parece trazer ainda mais escolhas importantes: roubar dinheiro do diretor de Blackwell? Beijar Chloe? Defender David? Matar o cachorro de Frank? São tantas decisões e tantas possibilidades que seria necessário reiniciar o game uma dúzia de vezes para poder cobrir todas elas.

Escolhas complexas e imprevisíveis.

Mais controle sobre o tempo

Apesar das múltiplas escolhas durante a trama, Chaos Theory parece ter apresentado um detalhe que incrementa bastante o gameplay de Life is Strange. Ao contrário dos dois primeiros episódios, Max parece ter mais controle e domínio sobre seu poder de voltar no tempo.

No terceiro episódio, é mais frequente a ocorrência de momentos em que usamos o poder para pegar/fazer algo no futuro e voltar no tempo para agir de acordo com o que aprendemos. Duas situações mostram isso com bastante clareza: a invasão da sala de Ray Wells (diretor da Blackwell Academy) e o momento em que tentamos roubar as chaves de Frank Bowers no café Two Whales Diner.

O terceiro episódio traz um maior controle sobre o poder de voltar no tempo.

A segunda ocasião é bastante complexa e envolve conversas com Frank, Nathan Prescott e o Oficial Berry. Nessa parte, o jogo mostra a perfeita combinação entre o sistema de escolhas e a capacidade de Max voltar no tempo. E o resultado pode ser muito bem explicado pelas palavras da própria protagonista do jogo no Journal: "Às vezes, eu sinto que estou apenas trapaceando na vida".

Só mais dois

O terceiro episódio da trama também indica que chegamos no meio do caminho. Porém, restando apenas dois episódios para a conclusão da história, ainda não temos pistas sobre o desaparecimento de Rachel Amber, as mudanças climáticas que estão acontecendo em Arcadia Bay e muitos outros mistérios apresentados durante o game – como a morte repentina de muitos pássaros.

Max e Chloe invadindo o escritório do diretor de Blackwell.

Mas o que deixa tudo ainda mais complexo é o final de Chaos Theory. A Dontnod mostrou que é capaz de surpreender os jogadores e deixá-los ainda mais ansiosos para a chegada de um novo capítulo de Life is Strange. Só quem jogou o terceiro episódio vai entender o que estou dizendo.

Que trilha!

Mais uma vez, Life is Strange surpreende por um aspecto que não é visível, mas faz toda a diferença durante a jogatina: a trilha sonora. A escolha das canções que vão compor o título faze dele uma obra de arte quase completa, com um história envolvente e uma direção de arte muito bonita.

"Lua" (Bright Eyes), "Santa Monica Dream" (Angus & Julia Stone), "Piano Fire" (Sparklehorse), "Kids Will Be Skeletons" (Mogwai) e "Got Well Soon" (Breton) traduzem com perfeição cada momento do game. É difícil não se impressionar e se apaixonar pelo trabalho da Dontnod com a trilha sonora. O instrumental abaixo diz tudo.

Nada além do inglês e francês

Nesse momento, os jogadores já estão cientes de que Life is Strange só está disponível através dos idiomas inglês (narrativa e legendas) e francês (apenas legendas). Apesar de ainda incomodar, quem insistiu até agora sabe desse ponto negativo e provavelmente só continuou o game porque está entendo a trama.

A esperança é de que Dontnod resolva esse problema em algum momento do futuro – talvez quando todos os episódios tiverem sido lançados. Enquanto isso, quem quer aproveitar o jogo e não domina os idiomas oferecidos tem que esperar ou recorrer a métodos alternativos para ter o jogo na língua preferencial.

Ainda nada de outros idiomas além do inglês e francês.

Vale a pena?

Life is Strange: Episode 3 – Chaos Theory mostra um trabalho consistente da desenvolvedora em um título episódico que faz os fãs esperarem longas semanas para um novo lançamento. Apesar da relativa demora, a espera tem compensado e entregado uma história emocionante e que prende o jogador até o fim do capítulo.

O terceiro episódio – o meio do caminho para Max – ofereceu tudo o que os outros títulos entregaram: direção de arte e trilha sonora espetacular, uma trama envolvente e nada de legendas em outros idiomas. Portanto, muito mais pontos positivos do que negativos.

Pontos Positivos
  • Trilha sonora continua espetacular
  • História muito envolvente e final "explode cabeças"
  • Direção de arte ainda belíssima
  • Maior complexidade e importância das escolhas
Pontos Negativos
  • Nada de suporte oficial para outros idiomas