Imagem de King’s Bounty 2
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King’s Bounty 2

Nota do Voxel
40

King's Bounty II não acerta nas novidades e gera dúvida sobre seu futuro

Nem tudo é luz no mundo dos games. Nem sempre a continuação de um jogo significa certeza de sucesso. A franquia King’s Bounty surgiu pela primeira vez na década de 1990, chamando a atenção dos fãs de RPG.

O título sempre foi considerado uma das maiores influências de grandes jogos do gênero, ao mesclar uma aventura em tempo real com batalhas por turnos. Essa premissa foi encontrada principalmente em Heroes of Might and Magic e Valkyria Chronicles.

Desenvolvido pela 1C Entertainment, King’s Bounty II tenta dar uma bela repaginada no seu original, mudando tudo o que foi construído por ele ao longo dos anos. De certa forma, busca balancear melhor elementos que fazem mais sucesso atualmente.

Tiro no pé

A grande ideia por trás de King’s Bounty II era trazer características até então esquecidas pelo seu antecessor, como uma boa exploração e uma narrativa com opções que pudessem mudar o futuro da aventura.

O jogo começa com o jogador optando por três classes de personagens: guerreiro, maga ou paladina. Este primeiro ponto já nos chama a atenção pela escassez de possibilidades. Não precisa ser um Baldur’s Gate da vida, com dezenas de opções, mas poderiam ter tido um cuidado maior aqui.

Além disso, os personagens são mal-feitos. A impressão que temos é de jogarmos um game da década passada. Falta polimento, falta tudo! É até difícil falar qual é o primeiro ponto que poderia ser refeito. Trazer o jogo para a terceira pessoa pode ter sido o principal erro.

Dizem que a primeira impressão é a que fica, não é mesmo? Muitos jogadores já iriam torcer o nariz pela falta de cuidado na parte gráfica. Com o desenvolvimento tecnológico atual, um melhor trabalho poderia ter sido feito.

Se o personagem principal chama a atenção pelos gráficos ruins, imagina então o cenário e os NPCs? Tudo deixa muito a desejar, tirando grande parte da vontade de continuar a aventura.

O ambiente é serrilhado e cheio de polígonos soltos, isso tira muito da imersão no game, dificultando uma leitura ideal do que vem pela frente.

Cadê o enredo?

A aventura começa no Forte Crucis, onde o jogador é prisioneiro. O jogador é solto pelo rei para salvar o mundo de um verdadeiro apocalipse mágico, que está prestes a tomar conta do mundo.

A missão será investigar o que ocorre no reino e ao mesmo tempo ser o salvador da pátria. Ao longo da aventura poderá desenvolver o personagem e também sua história, em quests secundárias.

Uma das novidades para esta edição é a possibilidade de optar por escolhas ao longo da jornada, mas sinceramente? Tudo o que nos cerca em King’s Bounty II não têm apelo algum para entrar de cabeça no enredo.

Tudo é desnecessário. Passear pelo reino, descobrir artefatos, e o desenrolar da história é chato e pouco interessante. Os cenários são vazios, sem vida. A trilha sonora não ajuda e muito menos o som ambiente.

Não é sentido “aquele desafio” de desbravar cada canto do mapa para encontrar elementos que possam agregar na aventura. Parece que tudo foi jogado no mapa. Momentos intensos e divertidos só poderão ser vistos na batalha por turnos.

Por mais que a interação com os outros personagens ocorra em King’s Bounty II, o que dá um certo significado para a aventura, ela não te prende como deveria, devido à falta de um game design sólido.

Uma pena o jogo não dispor de legendas em português, o que poderia agregar bastante em conteúdo, principalmente para aqueles que ainda não têm facilidade com a língua inglesa.

Hora de equilibrar a balança

Como sempre aconteceu em King’s Bounty, o combate por turno é o carro-chefe do game. O jogo pode ter vários problemas, mas aqui ele tem o seu lugar entre os melhores, por mais que apresente uma mecânica simples.

Os hexagonais seguem presentes nos combates, que demandam muito mais estratégia do que se pensa. Este sempre foi um ponto de destaque na franquia, deixando um pouco assustado àqueles jogadores mais novatos.

A batalha contra um adversário mais fraco parece trazer uma vitória certa, mas não se engane. Cada passo no tabuleiro digital será importante para trazer sucesso à conquista.

Vale destacar que o personagem principal não participa da batalha diretamente. Ele funciona como se fosse um comandante. Todos os atributos adquiridos durante a exploração servem para dar aquele upgrade em sua tropa.

Ao longo de cada combate será possível atuar com 5 grupos de soldados, bem variados. Eles podem ser adquiridos ao longo do mapa, sendo comprados por um preço um pouco exorbitante no início.

O jogador também poderá comprar outros itens para seguir em sua aventura, como armas. Elas são bem variadas e enriquecem um pouco o universo de King’s Bounty II.

É fundamental fazer sempre um bom gerenciamento dos seus soldados, sejam eles arqueiros ou animais. Qualquer vacilo pode fazer com que o jogador entre em uma disputa sem o melhor à disposição.

Vale a pena?

King’s Bounty II tenta chegar ao mundo moderno sem esquecer suas raízes. Porém, poderia ter caprichado mais, principalmente no que se refere a parte gráfica.

Quando um título se propõe a trazer uma narrativa intensa e um mundo de exploração, é fundamental transformar a aventura em algo prazeroso. Que sirva de lição para a construção de uma sequência conforme o jogo merece.

*****

King’s Bounty II foi cedido gentilmente pela 1C Entertainment para a realização desta análise.

“Se você é fã do primeiro jogo passe longe desta edição”

Pontos Positivos
  • Batalha por turnos
  • Estratégia de combate
Pontos Negativos
  • Gráficos da década passada
  • Narrativa fraca
  • Exploração sem graça