Uma história extraordinária... Para um FPS comum

Os EUA representados na trama inflamada de Homefront são praticamente irreconhecíveis. Através de uma sucessão de escolhas e contingências infelizes, a “nação mais poderosa do mundo” — conforme se pode ouvir em qualquer blockbuster hollywoodiano de tema bélico —viu seu poderio bélico e cultural desmoronar diante de um novo colosso mundial: a Grandiosa República da Coreia (Greager Korean Republic). “Mas isso não existe!” Ok, vamos por partes.

Homefront parte de uma base não muito original para contar a sua história. Pelo menos a princípio. Trata-se aqui do clássico futuro distópico que transforma os seus piores pesadelos (sobretudo se você for um estadunidense) em uma realidade tão execrável que beira a mais completa e incrível fantasia ficcional. Não fosse um detalhe: uma diligente construção “tijolo por tijolo”.

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Em Homefront, a desenvolvedora Kaos Studios pretende que você acredite no seguinte cenário: em 2027, os Estados Unidos da América sucumbem ante o avanço inabalável de uma supernação constituída pelas Coreias do Norte e do Sul. A diferença aqui é que a cronologia que conduz até esse desfecho “apocalíptico” — dependendo do lado em que você esteja na guerra, é claro — é tão convincente nos seus acontecimentos, que toda a ficção assume um incômodo clima de “quase real”.

Senão, basta acompanhar os principais eventos do período coberto pela introdução do jogo. A Coreia do Norte ignorando sanções das Nações Unidas em relação ao desenvolvimento de armas nucleares. A morte de Kim Jong-Il e a ascensão ao poder de seu filho, Kim Jong-Un. A indicação deste para o Prêmio Nobel da Paz pela reunificação das Coreias — com direito a capa na revista Time.

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Entretanto, conforme a nova Grandiosa República da Coreia experimenta seus dias de glória, a antiga hegemonia americana começa a ruir. Além da instabilidade social causada por uma alta sem precedentes nos preços do petróleo — sempre ocasionadas pelo clima beligerante do Oriente Médio —, há ainda pandemias, falência de instituições financeiras vitais e, por fim, a declaração de lei marcial e a dissolução das Nações Unidas.

Diante desse cenário, é natural que os EUA não tenham conseguido cumprir com suas obrigações globais. Uma delas, a manutenção do sistema GPS. Dessa forma, em 2024, Kim Jong-Un anuncia um novo programa de satélites. Daí até a detonação termonuclear em algum lugar sobre o Kansas foi, digamos, uma questão de tempo.

Enfim, como já disse o sábio, “o Diabo está nos detalhes”. Mas como também outro sábio já deve ter dito: “nem só de histórias sobrevive um FPS (tiro em primeira pessoa)”. Portanto, vamos aos demais detalhes que se pretendem merecedores dos seus US$ 60.

Os antagonistas de Homefront deveriam ser outros: chineses. A ideia foi abandonada logo no início em razão de questões culturais... E também porque, no frigir dos ovo, norte-coreanos ainda “assustam” mais do que chineses. De qualquer forma, a escolha mostra a preocupação e o cuidado com que a Kaos Studios cria a sua distopia, o que resultou em um cenário incrivelmente épico e envolvente — da trama global aos detalhes.

Entretanto, a boa história não evita que Homefront pareça consideravelmente datado, logo de cara. As movimentações, os efeitos sonoros e mesmo os modos de jogos... Tudo isso já foi visto antes, embora dificilmente na mesma bagagem de uma história de grande porte. Dessa forma, fica o aviso: embora a campanha principal seja inegavelmente interessante, ela é também bastante curta. O resto do apelo de Homefront fica nos modos multiplayer, que são tão divertidos quanto clássicos.

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