Imagem de Dracula: Origin
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Dracula: Origin

Nota do Voxel
76

Um jogo à altura do mito.

Quem conhece os títulos anteriores de Drácula deve saber, ao menos em parte, o que esperar de Origin: um bom trabalho artístico, dúzias de itens para coletar e combinar, muito diálogo e também alguma leitura. A bem da verdade, isso tudo define o próprio estilo “point-and-click”, que, de forma geral, não agregou muitos elementos novos desde os títulos mais pioneiro.

Dracula: Origin traz coisas novas, é claro. Não obstante o fato de apostar novamente na já quase folclórica obra do escritor irlandês Bram Stocker, Origin acrescenta vários detalhes que dão uma roupagem (quase) nova à série. Além disso, os cenários apresentam uma qualidade artística bastante superior à dos primeiros títulos.

Uma figura já bem conhecida


Van Helsing embrenhando-se na trama de Dracula: Origin. Embora fosse apenas um dos personagens principais da obra prima de Bram Stoker, o professor Van Helsing hoje é uma figura tão conhecida (e batida) que parece ser bastante natural que seja o protagonista de toda uma trama (como aconteceu com o não muito brilhante filme protagonizado por Hugh Jackman). Isso é exatamente o que acontece em Dracula: Origin.

Durante um dia aparentemente “normal” de trabalho, Van Helsing é surpreendido por uma carta um tanto emergencial enviadas por um de seus alunos, ninguém menos do que Jonathan Harker. Sendo o primeiro de vários documentos que aparecerão durante o jogo, a carta afirma que Jonathan encontra-se cativo no castelo de Drácula e teme pela segurança de sua noiva, Mina. Van Helsing vai então ao encontro de Mina, onde o primeiro puzzle do jogo irá conduzí-lo a um local onde, possivelmente, estaria o vampiro.

A partir daí, a aventura conduzirá Van Helsing para diversas localidades através do globo, tais como Londres, Cairo, Viena e, como não poderia ser diferente, Transylvania. O objetivo básico é simples: salvar Mina e derrotar o conde Drácula.

Puzzles mais elaborados

Em relação ao primeiro jogo da série, o qual se chamava simplesmente Drácula (e que ganhou, inclusive, uma tradução completa para o português), é impossível negar que Origin trouxe uma considerável evolução no que diz respeito ao nível dos desafios oferecidos. No primeiro Dracula, a aventura tornava-se às vezes meio decepcionante, posto que se tinha uma série de puzzles quase infantis (não todos, é claro) e uma busca sem fim por mais e mais itens.Ambos os problemas foram, com maior ou menor excelência, resolvidos em Origin.

Os puzzles parecem, na maioria das vezes, bastante pertinentes à trama. Os puzzles estão, sem dúvida, mais pensantes. Não basta agora simplesmente sair combinando um sem número de itens para conseguir alguns efeitos um tanto sem nexo. Alguns desafios podem mesmo fazer o jogador pensar um pouco (nada que se compare aos extremos da série Myst, é claro). Além disso, os puzzles estão agora muito mais ligados ao andamento da trama (salvo uma ou outra exceção). E sim, ainda existem combinações de itens, porém, estas estão agora bem menos óbvias e também, muitas vezes, ligadas à resolução de outros puzzles.

Em relação àquela por vezes interminável procura por itens e pontos de interação no cenário, Origin acrescentou um mecanismo bastante prático. Basta pressionar a barra de espaço para que todos os pontos “interessantes” do cenário se descortinem para o jogador. Tudo bem, parte do desafio do estilo “point-and-click” sepre esteve ligado à capacidade de observação do jogador. Entretanto, o jogo não se apóia apenas nesse tipo de desafio, já que acaba sendo também bastante interessante concentrar-se apenas em desvendar os puzzles. E, é claro, para aqueles que realmente gostam do estilo “procure a agulha no palheiro”, basta não utilizar a função.

Ars Gratia Artis

Drácula: Origin sem dúvida traz um acabamento bem mais cuidado. Embora uma ou outra quebra de gráfico aconteça aqui e ali, os cenários, de maneira geral, estão bem detalhados e imersivos. Além disso, agora o jogador verá mais do que apenas o cursor, já que os desenvolvedores  optaram por uma mudança radical no estilo do jogo, que agora traz uma visão em terceira pessoa (o que acaba muitas vezes facilitando as coisas, diga-se de passagem).

A impressão que se têm do total, é que os desenvolvedores estavam realmente interessados em corrigir vários erros do passado para criar um jogo bem mais bonito e envolvente. São diversos cenários em vários países que trazem um nível artístico bastante acentuado. Além disso, pode-se perceber uma certa inclinação temática no visual das coisas, como, por exemplo, no vermelho vivo que se repete em vários cenários (em cortinas, rosas e até mesmo na barra de carregamento — o “loading” — do jogo).

Complementando o belo visual do jogo, estão algumas igualmente belas linhas clássicas de piano e violino que dão um tom perfeito à trama. Além disso, o fundo musical varia de acordo com a localidade visitada por Van Helsing, indo das já mencionadas linhas clássicas até a música altamente evocativa encontrada na viagem ao Egito.



Tudo à mão


Uma das coisas mais interessantes que se percebe ao joga Origin, é que o jogo corre sempre de maneira fluida, sem se prender a uma série de comandos complexos ou algo parecido. Pode-se, por exemplo, passar pelo jogo inteiro sem utilizar o teclado nenhuma vez, fazendo uso apenas de um inventário com um conjunto de rápidos e lógicos menus. Tem-se, por exemplo, todos os documentos, notas e até mesmo diálogos guardados para aqueles momentos de dúvida; quem jogou Sherlock Holmes (dos mesmos desenvolvedores) já deve estar habituado a esse estilo de jogabilidade.


Talvez o um dos poucos “poréns” do jogo seja a falta da possibilidade de um deslocamento acelerado; Van Helsing parece estar constantemente em um passeio no parque em vez de estar caçando uma das criaturas mais perigosas que jamais existiu. Entretanto, nos momentos em que há mudanças de cenário, é possível se esquivar do tempo ocioso com um duplo clique.

Origin representa uma evolução bastante evidente na série Drácula. Mesmo sendo o caçula de uma família de jogos de origem não muito nobre (posto que a Frogwares é um selo indepentende), fica bastante evidente o esforço dos desenvolvedores em criar algo com um nível de qualidade bem aceitável. É claro, provavelmente não será possível encontrar no jogo aquele tipo de movimento e textura que aparecem em alguns dos mais bem dotados jogos da atualidade, entretanto, isso acaba sendo muito bem compensado por um belo design e uma trama envolvente.

Enfim, para fãs de “point-and-click” Origin deve ser um prato cheio. Já os fãs dos jogos anteriores da série vão sentir sem dúvida um acentuado acréscimo de qualidade em Dracula: Origin.
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