Por que alguns vilões são inesquecíveis?

5 min de leitura
Imagem de: Por que alguns vilões são inesquecíveis?
Através de décadas de jogatina, vários foram os heróis de games que se consagraram por seus feitos maravilhosos, ou por seu carisma exemplar, servindo-se dessas características como um passaporte direto para a posteridade, perpetuando-se através das história dos games, e se fazendo conhecidos mesmo pelas gerações mais atuais. São vários, nomeie o seu: Mario, Sonic, Samus Aran, Kratos, Jill Valentine, Ryu, etc.
Praying Mantis, vilão alucinante de Metal Gear Solid Mas, tal qual demanda a ideologia oriental do Yin e Yang, apenas os heróis não construíram anos e anos de diversão. É necessário que exista uma dualidade, algo que se oponha e complemente. Dessa forma, há que se considerar também o outro lado da moeda: os famigerados chefes de games.

Produzindo uma espécie de sentimento híbrido de amor e ódio, também foram vários os chefes que se tornaram tão ou mais inesquecíveis que os protagonistas, conforme nos faziam passar horas e mais horas em frente ao videogames, suando os dedos, esbravejando e xingando... Mas sempre tentando novamente.

Normalmente, a malfadada figura aparecia em pontos-chave do jogo, se interpondo em uma passagem de fase (onde normalmente eram mais difíceis que tudo o que havia aparecido até então), impedindo a obtenção de um ambicionado item ou mesmo — e essa é realmente clássica — guardando com unhas e dentes uma princesa seqüestrada.

Entretanto, apesar de serem verdadeiros açoites dentro do curso do herói, muitos acabaram inesquecíveis, seja por assumirem um verdadeiros ideal de maldade, por desvelarem uma história rica em detalhes ou, simplesmente, por serem praticamente impossíveis de se derrotar, mesmo para os dedos mais habilidosos e calejados (característica na qual os chefes dos jogo mais antigos da Konami, como Contra e Gradius, são bastante escolados!).
Nave-mãe: Super chefão do jogo Phoenix, para Atari
Mas o que exatamente tornou e torna esses vilões inesquecíveis? O que exatamente faz de M. bison uma figura tão conhecida quanto Ryu ou Ken? Ou, ainda, o que foi capaz de tornar as batalhas contra Psycho Mantis algo memorável mesmo dentro de uma série que, por natureza, já é memorável?

Tudo bem, o sucesso do jogo em si já é um belo de um ponta-pé inicial. Mas também é possível encarar a coisa por outro lado. Cada grande chefe, bem ou mal, sempre joga pelas próprias regras; regras que acabam definindo a forma como o desafio do jogo é construído.

Dessa forma, seria possível, talvez, considerar vários arquétipos (padrões) que normalmente respondem por alguns dos chefes mais conhecidos dos games. Vamos a eles!

A personificação da maldade
Verdadeiros açoites com absolutamente nenhuma moral


Um dos tipos de chefes mais recorrentes nos video games, o mau encarnado é aquele sujeito que simplesmente não é bom em nenhum ponto, e normalmente faz o mau puramente pelo mau — quer dizer, sem nenhum motivo aparente. Ou realmente alguém poderia encontrar algum motivo razoável para que Mike Bison atormentasse a vida de cada personagem de Street Fighter, a fim de engrossar as fileiras do seu torneio? Pura maldade.
Ou, talvez, alguém pudesse encontrar um motivo minimamente lógico para que Bowser raptasse continuamente a princesa Peach, unicamente para que Super Mario pudesse salvá-la pouco tempo depois. É claro que o encanador já encarou pedreiras piores, como quando se chamava ainda “Jumpman” e lutava para salvar uma princesa ainda-sem-nome de uma série desafios infinitos — o que provavelmente colocaria o agora regenerado Donkey Kong como um dos mais sádicos vilões da história!
Bowser: O eterno perseguidor do Super Mario
É claro que nem todo o mau encarnado se apresenta sem nenhum método. Haja vista o famigerado Luc, da série Suikoden (sem nenhuma moral, mas com método). Ou ainda o inesquecível Ganon, cuja ambição é bem dirigida no épico musical The Legend of Zelda: Ocarina of Time: o negócio é obter a poderosa “Triforce”, para que se concretizem os seus ardis demoníacos. E precisa mais?

A propósito, isso ainda faz lembrar outra característica dos vilões puramente maus. Os seus objetivos normalmente são bem claros, e nunca se apresentam como algo menos que épico. Conquistar o mundo. Dominar todo o cosmos. Espalhar maldade e destruição por cada canto do globo, etc. Basta lembrar de cada um dos filmes e jogos do 007. Enfim, um tipo inesquecível, e que dificilmente passa batido.

A maldade justificada
O deslumbre messiânico, o flagelo da vingança


É claro que alguns vilões não se limitam a simplesmente espalhar caos e destruição. Ou, pelo menos não o fazem sem nenhum motivo aparente. A maldade justificada poderia englobar justamente aqueles inimigos — abundantes, sobretudo, nas plataformas mais recentes — que pintam um motivo absolutamente claro para que, em um belo dia, tenham simplesmente “despirocado”.

Poderia ser, por exemplo, a sede visionária do Dr. ASephiroth: Um dos maiores vilões da saga Final Fantasyndrew Ryan, cuja concepção da cidade submersa de BioShock visava retirar freios morais das pesquisas científicas. Ou ainda o caráter messiânico de Albert Wesker, que (“spoiler” adiante) em Resident Evil 5 planejava uma completa reforma da humanidade através do recém-elaborado projeto Uroboros.

Mas a maldade justificada também assume um caráter vingativo. Na série Final Fantasy, o vilão Sephiroth pretende, inicialmente, apenas destruir o nocivo projeto de bioengenharia que fez dele o que é. Entretanto, lá pelas tantas, acaba perdendo o controle, e, como se diz, “jogando o bebê com a água do banho”. Clássico.



O antagonista
Uma barreira entre o herói e a conquista


Em uma área mais cinzenta do espectro “vilanesco”, aparece o antagonista. Ele não necessariamente é um sujeito ruim, embora normalmente apresente uma moral questionável. Trata-se de alguém que simplesmente se opõe ideologicamente ao herói, o que ocasiona o conflito.
O quadro de sobrevivência primal da série Fallout é um bom exemplo, onde seres humanos não necessariamente ruins são reduzidos aos seus impulsos mais primitivos, tendo que lutar uns contra os outros pelos mirrados recursos do que restou do planeta Terra.Nero, inimigo mortal de Dante de Devil May Cry

Também poderiam ser colocados aqui a bela ladra Carmen San Diego, ou mesmo a inoportuna (e não muito convincente) batalha entre Nero e Dante em Devil May Cry 4. Ou ainda os fantasmas revoltados de Fatal Frame. Não necessariamente ruins, apenas opostos.

Também nessa classe de vilões pode-se incluir vários manipuladores brilhantes, que jogam com o protagonista como em um jogo de xadrez, fazendo tanto da trama quanto das batalhas um verdadeiro labirinto, papel muito bem representado pelo instinto destrutivo (e caráter irônico) do famigerado computador Shodan (System Shock), ou ainda o insano GLaDUS, que coloca o jogador na nada convidativa condição de cobaia.
Em termos de criatividade, figura o inesquecível Psycho Mantis, com um método nada menos que inovador. O vilão psíquico, além de impor uma estratégia de vitória totalmente inesperada, ainda apareceu com uma tática totalmente inédita: a de brincar com a mente do próprio jogador, transcendendo o nível do jogo e deliberadamente lendo o conteúdo do memory card de um espantado/extasiado jogador.
M. Bison: O Implacável vilão de Street Fighter
Enfim, vários são os motivos e estilos, assim como também vários foram os chefões que garantiram o seu quinhão na memória dos jogadores. Difíceis. Complexos. Com personalidades ricas. Engraçados. Memoráveis. Afinal, parte da diversão de se jogar video games sem dúvida vem da escabrosa capacidade dos desenvolvedores de pintar um antagonista à altura da trama.

E você, lembra de algum chefe realmente digno de nota? Que marcou por algum motivo específico? Ele se enquadra em algum desses clichês? Não? Comente. O TecMundo Games quer saber a sua opinião.
Cupons de desconto TecMundo:
* Esta seleção de cupons é feita em parceria com a Savings United
Você sabia que o TecMundo está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.