Coluna do Carpe #15: a redenção da Ubisoft

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Ubisoft: um nome que desperta os mais variados sentimentos entre os jogadores. Ao mesmo tempo que possui franquias icônicas e adoradas, como Assassin's Creed, Far Cry e Splinter Cell, virou até piada na internet por conta de promessas vazias, downgrades e jogos lotados de bugs.

No entanto, diversos acertos recentes têm mostrado que a publicadora ouviu as reclamações dos fãs e parece estar de volta nos trilhos. Sim, estamos diante da redenção da Ubisoft.

Uma sequência de erros

Primeiro, vamos refrescar a memória. Talvez o grande estopim dessa onda de problemas foi Watch Dogs, anunciado em 2012. Prometia ser a primeira experiência verdadeiramente “de nova geração”, com gráficos de cair o queixo e uma profundidade de gameplay nunca antes vista em um jogo de mundo aberto.

Assumindo o papel de um hacker, o jogador poderia manipular todo o ambiente de acordo com seus interesses: de semáforos a câmeras de segurança, dos celulares de NPCs andando pela rua até a iluminação de todo um quarteirão. Os visuais apresentados na E3 2012 eram impressionantes, com uma cidade detalhada, viva e altamente interativa. O hype era real.

Com lançamento previsto para o final de 2013 (que acabou sendo adiado para maio de 2014), o título até cutucava um concorrente de peso lançado há pouco tempo: “dois meses são o suficiente para visitar Los Santos. Venha para Chicago em novembro.”

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Entretanto, o produto que chegou na mão dos consumidores era bem diferente do esperado. Nada tão único ou profundo quanto os trailers davam a entender, e os visuais, bem longe do aspecto prometido.

Aliás, esse foi apenas o primeiro dentre vários títulos marcados por grandes downgrades gráficos. The Division e Rainbow Six: Siege também apresentaram visuais estonteantes em demonstrações na E3, mas completamente diferentes do que foi entregue. Desde então, a Ubisoft é a primeira publicadora que vem a mente de muitos quando o assunto é trailers enganosos.

Em 2014, foi a vez do conturbado lançamento de Assassin’s Creed: Unity. Entregue antes da hora, é lembrado por inúmeros bugs (alguns até bem engraçados), performance instável nos consoles e, no geral, uma experiência bem abaixo das expectativas. Aquele que seria o primeiro jogo da série desenvolvido apenas para a nova geração, tão ambicioso e aguardado, acabou decepcionando – e muito.

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A publicadora também ficou conhecida pelo desgaste de algumas franquias, como a já mencionada saga Assassin’s Creed. Só entre 2014 e 2016 vimos três jogos da série principal (Unity, Rogue e Syndicate), três spin-offs (trilogia Chronicles) e quatro remasterizações (Liberation e The Ezio Collection).

Desde então, a Ubisoft é a primeira publicadora que vem a mente de muitos quando o assunto é trailers enganosos

Felizmente, as coisas começaram a mudar. O ano de 2016 marcou a “pisada no freio”, enquanto que 2017 foi o grande ponto de virada para a Ubisoft, que, desde então, tem acertado em muitas de suas decisões. Pelo visto, a pressão da comunidade surtiu efeito.

De volta nos trilhos

Watch Dogs 2 foi um jogo muito melhor do que o primeiro, nada falsas promessas dessa vez. Com uma campanha de marketing pé no chão, entregaram um jogo sólido, divertido e competente em sua proposta. É talvez um dos melhores games de 2016.

Assassin's Creed abandonou o ritmo anual, com uma pausa de dois anos que resultou em Origins, o melhor jogo da série em muito tempo. Redefiniu vários sistemas que já estavam saturados, um sopro de ar fresco em uma franquia que apresentava graves sinais de deterioração.

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Em Raibow Six: Siege, o ótimo suporte pós-lançamento e apoio a comunidade competitiva transformaram um lançamento morno naquele que é hoje um dos maiores eSports do momento. É algo bem diferente do que a empresa costuma entregar, e acertaram em cheio.

For Honor pode não ter agradado tanto, mas foi, no mínimo, ousado. Um misto de action-RPG em terceira pessoa, MOBA e jogo de luta, com um sistema de combate único. Apesar de uma execução que deixou a desejar, foram boas ideias. Dá para dizer o mesmo de Steep, game que traz diferentes esportes radicais em uma experiência multiplayer de mundo aberto.

Dois games que não acertaram em cheio, é verdade, mas por fugirem de fórmulas tão “manjadas” já é um ótimo sinal. O aprendizado com estes jogos pode abrir caminho para grandes sequências.

É talvez a grande publicadora que mais investe em novas IPs, com um catálogo incrivelmente variado

Quanto a Far Cry 5, título mais recente da marca, é simplesmente um dos melhores jogos em sua franquia. Uma experiência consistente, polida e lotada de conteúdo, cujo modelo de DLCs e suporte são bastante promissores.

Vale ainda mencionar as inúmeras apostas recentes em jogos completamente diferentes. Rayman, Trials, Child of Light, Valiant Hearts, South Park e o extremamente improvável Mario + Rabbids: Kingdom Battle são apenas alguns exemplos. É talvez a grande publicadora que mais investe em novas IPs, com um catálogo incrivelmente variado.

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Existem também títulos muito promissores no horizonte. The Crew 2 tem tudo pra ser um jogo muito melhor do que o primeiro; Skull & Bones promete aprofundar as elogiadas mecânicas de navegação de Assassin's Creed 4: Black Flag em um jogo próprio; e Beyond Good and Evil 2 é um sonho se tornando realidade, mais ambicioso do que todos os fãs poderiam imaginar.

Enfim, livre

A cereja do bolo foi a notícia de que a Ubisoft finalmente garantiu sua independência da Vivendi. Para quem não se lembra, a empresa passou por uma tentativa agressiva de aquisição, que se iniciou em 2015, estendendo-se até março deste ano.

A Vivendi, conglomerado de mídia francês, comprou cerca de 27% das ações da publicadora em apenas três anos, com um acelerado ritmo de expansão que mirava no total controle da marca.

Um recente acordo firmado entre as empresas garante que a Vivendi venderá toda a sua parcela da companhia, impedida de investir novamente por, pelo menos, cinco anos. Parte destas ações foram adquiridas pela Tencent, através de um contrato que impede qualquer tentativa de aquisição semelhante. A ideia é que essa nova parceria facilite a entrada dos jogos da publicadora no território chinês.

Essa conquista garante que a Ubisoft continuará “dona de si mesma”, sob a visão de seus criadores, os irmãos Guillemot, declaradamente apaixonados pela indústria. Por ora, nada de megacorporações ditando os rumos da publicadora.

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A internet pode ser um ambiente bastante negativo e hostil, onde os erros pesam muito mais do que os acertos, e a Ubisoft sabe muito bem o que isso significa. Por isso, acredito que seja importante reconhecermos ações na direção correta.

Como jogador, fico feliz em ver uma publicadora com tantos games incríveis encontrando novamente seu caminho, trabalhando duro para reconquistar a confiança de seus fãs. Que venham mais e mais títulos, nos surpreendendo como nunca antes.

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A Coluna do Carpe vai ao ar toda quinta-feira aqui no Voxel – caso ainda não tenha visto, vale a pena conferir a última edição.

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