Qualquer jogador de vídeogames no Brasil sabe que as barreiras para curtir esse hobby são altas: impossibilidade de se conseguir alguns jogos, preços assustadores, falta de suporte de produtoras na região e até posições contrárias aos vídeogames vindas diretamente de membros do governo.

Isso não significa que nosso país está completamente abandonado pelas produtoras e que o chão onde pisamos é um cangaço sem jagunço onde é cada jogador e jogadora por si e seja o que o NPC quiser!

Pelo contrário: múltiplas produtoras como Bandai Namco, Ubisoft, Square-Enix, Capcom, Warner Bros. Entertainment, isso sem falar nas representações oficiais de Microsoft e Sony, estão trabalhando ativamente no país. E aqui citando apenas apenas algumas.

No caso da Bandai Namco, o TecMundo teve a oportunidade de conversar com Jason Enos, diretor de marcas da empresa para a América Latina, que nos contou alguns dos planos passados, presentes e futuros da companhia para a nossa região.

Mira acurada nas ações nacionais

Parabéns aos Chile...

Um dos primeiros pontos apresentados por Enos é que muitos países da América Latina apresentam caminhos mais fáceis ao consumidor do que o Brasil. Citado como exemplo direto múltiplas vezes, temos o Chile, onde o número de consumidores geral é muito menor que o nosso mas, graças a um bom apoio do estado às produtoras, a porcentagem de vendas é superior simplesmente porque é mais fácil comprar por lá: os preços são melhores, as lojas conseguem materiais mais atrativos e é mais fácil ao mercado levar as cópias e materiais especiais até lá.

Mas isso não se traduziu em desânimo em relação ao Brasil pela Bandai. Justamente o oposto: eles começaram a investir aqui já há 4 anos, trabalhando diretamente com grandes redes como Geek, Saraiva, Fnac, entre outras.

Parte importante desse investimento foi o começo da fabricação de seus jogos em território brasileiro, na Zona Franca de Manaus. Essa medida foi necessária para conseguir manter preços competitivos e também levar os jogos aos fãs na mesma data de lançamento do mercado mundial. Não é segredo para ninguém que importar vídeogames para dentro do nosso território não é lá das tarefas mais fáceis.

Ultimate Ninja Storm 4 faz parte de um programa contínuo de investimentos no Brasil.

Edições de colecionador nacionalizadas?

Ainda assim, os fãs mais dedicados podem se perguntar: mas e as edições de colecionador? Elas se apresentam como um problema muito maior. A presença dos itens como action figures ou até mesmo eletrônicos especiais pode adicionar novos tributos, o que acarreta em valores maiores e também novas camadas de burocracia que atrasam a chegada dessas maravilhas por aqui de maneira oficial.

Devido a esse caminho tortuoso, a Bandai não desconsidera a possibilidade de, no futuro, começar a produzir edições de colecionador por aqui.

Pra solucionar temporariamente esse problema, a Loja Oficial da Bandai Namco internacional agora oferece a possibilidade de enviar os produtos para cá. Eles sabem que isso acarreta em altos impostos ao comprador e que essa não é a solução ideal ainda e é por isso que esses planos de expansão por aqui existem.

Ainda assim, a possibilidade de simplesmente ter essa opção de compra através de um canal oficial já é um passo adiante de uma maior inclusão dos fãs da marca nos diversos mundos oferecidos pela gigante japonesa.

Fãs brasileiros agora podem comprar diretamente da loja internacional, segundo a produtora

O poder dos animes

Mas o Brasil, o nosso Brasil brasileiro, é muito, muito fã de animes. Isso deve ajudar, não? Ajuda, e ajuda muito. Em relação a títulos como Cavaleiros do Zodíaco: Alma dos Soldados, a porcentagem relativa de vendas no Brasil quando comparado a outros territórios das Américas foi muito superior. Em séries como essa, pode acontecer de as vendas em territórios ocidentais únicos superarem os números até mesmo do Japão!

Falando nisso, Alma dos Soldados foi dublado totalmente em Português, assim como Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4. Esse trabalho de dublagem foi a consequência de um programa contínuo na América Latina que envolve muitas ações de parceria por aqui. Além da dublagem, jogos totalmente legendados em Português Brasileiro estão tornando-se padrão no portfolio da companhia. Para citar alguns temos One Piece: Burning Blood, Dark Souls 3, a série Tales e tantos outros.

São medidas como essa que permitiram a Bandai Namco um crescimento de 20% em vendas gerais de games na América Latina, mesmo quando o mercado nacional geral sofre um recuo devido a instabilidade do dólar.

Para manter esses números algumas medidas específicas para a região foram tomadas no começo de grandes projetos. Ultimate Ninja Storm 4 recebeu DLCs exclusivos para a América Latina gerando algo que nós jamais imaginaríamos: petições de fãs americanos para que a empresa lançasse esses conteúdos nos Estados Unidos também.

Naruto e Sasuke receberam Ponchos como DLC's exclusivos a América Latina

Pra quem joga, parece até piada: americanos reclamando para uma empresa de vídeogame porque eles não receberam um conteúdo de vídeogame que veio só para latinos.

Pra finalizar, parte da verba de marketing global da empresa está destinada apenas a América Latina e isso se traduziu em páginas oficiais no Facebook com suporte real aos fãs, no canal do YouTube que conta com coberturas e também com o programa Bandai Namco Now e várias outras ações específicas no país.

Mesmo com todas essas iniciativas, os fãs sabem que a estrada pode, às vezes, conter alguns buracos. Como no caso do preço de Dark Souls 3 que passou por uma tempestade de mudanças confusa variando entre valores abaixo dos 100 reais, passando dos 200 em um certo momento, e até mesmo enfrentando um erro de digitação que o deixou temporariamente em R$105,90.

De qualquer forma, é muito recompensador ter a sensação de que nós existimos como mercado e temos uma voz direta das empresas para tirar dúvidas e esclarecer situações controversas. O mercado ainda não está perfeito e devemos continuar exigindo de todas as produtoras que possuem um mercado consumidor ativo no país um tratamento à altura de territórios estabelecidos no mundo dos vídeogames como Estados Unidos e Europa.

Até lá, deixa eu dar um tempo aqui para continuar praisando o sol.

O TecMundo Games visitou o evento Bandai Namco Open House a convite da produtora.

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