AmpliarUbuntu Edge (Fonte da imagem: Divulgação/Canonical)

Era para ser apenas mais uma segunda-feira, mas a Canonical surpreendeu a todos e anunciou o Ubuntu Edge. O dia era 22 de julho e o aparelho anunciado nessa data era um smartphone com dual boot, capaz ainda de rodar um sistema operacional de desktop quando acoplado a um dock e com hardware respeitável, pronto para fazer frente aos principais aparelhos da atualidade.

Mas ele ainda não existia fisicamente. Se a proposta já era arrojada, a forma escolhida para levantar fundos e transformar o sonho da Canonical em realidade era ainda mais: a maior arrecadação da história feita por meio de financiamento colaborativo. Ao todo, a companhia criada pelo sul-africano Mark Shuttleworth espera reunir US$ 32 milhões, cerca de R$ 65 milhões.

As aquisições e doações prévias se encerram em 21 de agosto deste ano, mas, se você não planeja comprar o aparelho por meio do financiamento colaborativo, saiba que será praticamente impossível fazer isso depois: a Canonical informa que o Ubuntu Edge será vendido exclusivamente desta maneira, uma única vez.

“Convergência é o futuro da computação”

É com a frase acima que Shuttleworth abre o vídeo de apresentação do Ubuntu Edge, divulgado na rede em 22 de julho, juntamente com o lançamento do projeto. De forma resumida, e ainda de acordo com o criador do Ubuntu, o Edge pretende combinar a mobilidade de um smartphone com a força de um desktop, tudo isso em um só aparelho.

E, de fato, a proposta é simples assim. Aliás, a ideia vai além de “somente” oferecer um sistema focado no portátil e outro focado no desktop quando acoplado em um dock, mas convergir inclusive no sentido de oferecer opções. O Ubuntu Edge deve rodar Android e Ubuntu Phone OS em sistema dual boot.

Design anatômico, hardware poderoso

O visual do Ubuntu Edge é sóbrio, com cantos arredondados e laterais retas em um case feito de metal texturizado, com 9 milímetros de espessura. A tela vai ter 4,5 polegadas e será feita de cristal de safira, material resistente e apontado por muitos como o futuro dos displays de portáteis.

Ampliar (Fonte da imagem: Divulgação/Canonical)

Ainda não foi definido o processador que vai dar vida ao Ubuntu Edge, mas a companhia garante que vai escolher “o mais veloz processador multi-core disponível”, assim como mais detalhes sobre a tecnologia que vai compor a tela do aparelho também devem ser definidos e revelados mais adiante.

Completando o time estarão 4 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno — afinal, o Edge não é “apenas” um smartphone, mas também um PC portátil. Uma bateria de íon de lítio com ânodo de silício é a responsável por dar energia ao dispositivo da Canonical.

Software convergente

As opções atuais para quem quer ter um smartphone são, até certo ponto, limitadas, e normalmente não é possível usar mais de um sistema operacional em seu aparelho. O Edge contorna essa situação e traz o aguardado Ubuntu Phone, destaque do último Mobile World Congress 2013, lado a lado com o consagrado Android.

Aí está uma jogada interessante da Canonical, afinal, misturar uma aposta que tem tudo para dar certo (mas que também pode não agradar) com uma opção já consolidada no mercado é uma boa forma de tentar entrar em um ramo com poucas aberturas para novidades — vide Windows Phone e BlackBerry ainda engatinhando no setor.

Além disso, para consagrar de vez a ideia de convergência, o Ubuntu Edge embarca também uma versão de desktop do Ubuntu, a distribuição de Linux mais popular do planeta. Isso quer dizer que, quando acoplado a um dock específico para o aparelho, o Edge pode ser utilizado como um PC tradicional, com teclado, mouse e monitor.

AmpliarUbuntu Edge: smartphone + PC (Fonte da imagem: Divulgação/Canonical)

O dispositivo vai rodar aplicativos desenvolvidos para o Ubuntu desktop, bem como aqueles em HTML5 já criados para outras plataformas, como o Firefox OS. Aos desenvolvedores, haverá ainda a opção de usar o QML toolkit para criar seus apps.

As especificações técnicas conhecidas do Ubuntu Edge até agora são as seguintes:

  • Dual boot com Android e Ubuntu Phone;
  • Ubuntu desktop quando acoplado ao dock;
  • 4 GB de memória RAM;
  • 128 GB de armazenamento interno;
  • Tela de cristal de safira de 4,5 polegadas com resolução de 1280x720 pixels (HD);
  • Câmera traseira de 8 megapixels, câmera frontal de 2 megapixels;
  • Alto-falantes estéreo com áudio em alta definição, gravação com microfone duplo e sistema de cancelamento de ruído;
  • Conector de 11 pinos que oferece conexão simultânea de MHL e USB;
  • Conector de fone de ouvido de 3,5 milímetros;
  • Suporte para tecnologias dual-LTE, dual-band 802.11n, Wi-Fi, Bluetooth 4, NFC;
  • GPS, acelerômetro, sensor de proximidade e de giro, barômetro, bússola;
  • Bateria de íon de lítio com ânodo de silício;
  • Dimensões: 64 x 9 x 124 milímetros.

Comparativo com outros aparelhos

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/Indiegogo)

Edição limitada e colaborativa

Não importa se você é fã do Android, do iPhone ou do Windows Phone, é provável que pelo menos a ideia do Ubuntu Edge tenha causado algum impacto positivo. Entretanto, para ter um modelo desses é preciso investir agora, na fase de arrecadação, e torcer para que o valor final seja alcançado — caso contrário, o dinheiro é devolvido aos investidores.

(Fonte da imagem: Reprodução/Indiegogo)

Você pode fazer qualquer doação acima de US$ 20 (mais ou menos R$ 50) e, atualmente, a categoria de financiador mais barata oferecida na página do projeto no site Indiegogo para quem quiser um aparelho custa US$ 780, cerca de R$ 1,6 mil. Mas a questão não está nem no preço, mas sim no fato de que a produção do Ubuntu Edge é limitada e o aparelho não será vendido após o seu lançamento.

Claro que podemos encarar isso como uma experimentação da Canonical, uma forma de medir o interesse do público em seu aparelho, uma vez que, se oficialmente a informação é de que a única forma de adquirir o Edge é investindo no projeto antes do seu lançamento, o próprio Shuttleworth deu indícios de que o projeto pode continuar.

“Essa primeira versão do Edge serve para provar o conceito de um projeto baseado em ideias geradas por crowdsourcing, financiado por financiamento colaborativo. Se recebermos a luz verde, então penso que poderemos adotar um processo anual no qual os fundadores da geração anterior poderão voltar para definir as especificações da próxima versão do Edge”, escreveu o fundador do Ubuntu no Reddit.

Um catalisador do futuro

É pouco provável que o Ubuntu Edge alcance o valor desejado para a sua realização — afinal, ele pede mais de três vezes do que o atual recorde do gênero, que foi de US$ 10 milhões. Entretanto, caso isso realmente ocorra, não significará que o projeto fracassou, e, nas palavras de Shuttleworth, a proposta audaciosa serve para chamar a atenção do mercado para o Ubuntu.

“Triplicar o recorde de financiamento colaborativo é sempre uma meta superambiciosa. Está claro que este trabalho está ancorado na missão de trazer o Ubuntu para o mercado”, revela ao Cnet o criador da distribuição de Linux mais usada no mundo.

A Canonical declara que o Ubuntu Edge é o um “catalisador para guiar a próxima geração da computação pessoal”. Juntando tudo isso, dá para afirmar que o mercado provavelmente não será o mesmo depois desta campanha.

Quem sabe a Canonical nunca acreditou de fato que ela pudesse dar certo por meio do financiamento colaborativo e, com isso, tenha chamado a atenção de algumas gigantes, possíveis parceiras no futuro. É uma aposta cujos resultados só o tempo dirá.

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