Mal se passaram 24 horas desde que a Uber lançou seu serviço de transporte com carros autônomos em San Francisco, na Califórnia, mas ele já está sofrendo represálias por parte do governo norte-americano. O Departamento de Veículos Motorizados (DMV, na sigla em inglês), instituição reguladora dos transportes no estado, afirmou que a empresa não possui a autorização necessária para operar veículos capazes de se moverem sozinhos e, por isso, terá que encerrar imediatamente a ação.

“É ilegal que a companhia opere seus automóveis autônomos em vias públicas até que receba um documento de permissão. Qualquer atitude da Uber para continuar a utilizar veículos equipados com tecnologias do tipo nas ruas da Califórnia deve ser encerrada”, escreveu o DMV para a empresa em uma carta enviada na última quarta-feira (14).

A empresa não possui a autorização requerida pelo Governo para usar carros autônomos em vias públicas

Atualmente, um total de 20 corporações já possuem a autorização requerida pelo governo californiano para utilizar carros sem motoristas nas vias públicas. Entre elas estão nomes como Google, Tesla, BMW, Honda, Ford, Mercedes Bens, Nissan e GM, mas não a Uber. De acordo com Brian Soublet, o conselheiro-chefe legal do DMV, a empresa foi avisada há cerca de um mês de que precisaria da permissão para lançar o serviço.

Pode isso, Arnaldo?

Respondendo à proibição em uma postagem no blog da companhia, o vice-presidente de tecnologia autônoma da Uber, Anthony Levandowski, declarou que a empresa está ciente da polêmica que está causando. “Nós analisamos essa questão cuidadosamente e não acreditamos que precisamos [da autorização do governo]”, afirmou.

Como seus carros autônomos contam com motoristas humanos 'de segurança', a Uber afirma que a lei em questão não se aplica

Segundo o executivo, a regras da Califórnia se aplicam a carros que são completamente autônomos, ou seja, não têm pessoas monitorando a direção. A Uber vai manter “motoristas de segurança” nos veículos, permitindo que assumam o controle a qualquer momento caso julguem que algo está errado.

Os carros autônomos da empresa contam com motoristas humanos, que assumem o controle em caso de erros do sistema

Levandowski afirma que os requerimentos e as leis do estado são exageradamente rígidos e alertou que “podem ter a consequência indesejada de retardar a inovação”. De acordo com ele, os estados de Arizona, Nevada e Flórida são líderes nesse tópico e se mostraram a favor da tecnologia.

A regra é clara

Mesmo com a argumentação da Uber, o DMV mantém a determinação de que a empresa deve suspender as atividades com veículos autônomos do estado; caso contrário, terá que encarar consequências legais. Soublet afirma que a lei se aplica ao tipo de tecnologia utilizado no automóvel, e não ao fato de ele ter ou não um humano atrás do volante. Eles equiparam os carros com [um aparato] que permite que funcionem autonomamente. Isso é o principal”, pontuou.

A instituição afirma que encoraja o desenvolvimento de veículos autônomos, contanto que as companhias solicitem a permissão devida. Segundo eles, a razão para essa política é o bem-estar da população. “É essencial que a Uber tome medidas apropriadas para garantir a segurança do público”, escreveu o DMV na carta enviada à empresa.

Nas quase 24 horas em que os carros com a tecnologia autônoma da Uber estão em operação em San Francisco, um deles foi flagrado em vídeo ultrapassando um sinal vermelho. Um representante da firma afirmou que o incidente foi causado por erro do motorista humano e que o automóvel em questão não somente não fazia parte do projeto-piloto, como não transportava passageiros.

Em todo caso, a empresa suspendeu o condutor e prometeu continuar a investigar. Ainda não se sabe se a Uber pretende obedecer à ordem do DMV ou se vai ignorá-la e, assim, levar a briga para a Justiça.

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