(Fonte da imagem: Twitter)

O Twitter, em sua limitada proposta de oferecer apenas 140 caracteres por postagem ao usuário, parece uma ferramenta de simples engrenagem — mas não é. O microblog gera uma grande variedade de dados a cada tweet enviado na rede, ainda que essas informações não sejam visíveis aos clientes.

O sistema utilizado pelo Twitter permite o registro de toda uma arqueologia virtual que rastreia os passos dados pelos seus usuários. Um simples tweet contém, além do texto da mensagem escrito pelo autor, outros 30 campos de preenchimento automático. Esses metadados documentam, por exemplo, a hora e a localização geográfica do usuário no momento do envio.

Ter conhecimento dessa prática por parte do Twitter pode levar a uma série de questionamentos a respeito da segurança, da privacidade e do uso desses dados para fins variados. Como sabemos, não há mais espaço para ingenuidade na rede, e todas as atividades na web podem ser monitoradas hoje por empresas que analisam o comportamento dos internautas.

Com o Twitter não é diferente. A ferramenta de microblog se tornou um dos canais mais influentes da internet, permitindo a aproximação de pessoas, a rápida troca comunicacional, o conhecimento imediato das últimas novidades, além de possibilitar a expressão sem censura dos usuários (haja vista a utilização do Twitter como forma de divulgação das manifestações populares na primavera árabe).

Babel erguida com poucos caracteres

Quando foi lançada, em 2006, a ferramenta tinha o desafio de agregar os milhões de blogueiros que se alastravam pela internet de forma desordenada e de oferecer um canal de diálogo e interatividade. A função e a objetividade dos blogs foram revistas; a proliferação de vozes e opiniões era caótica e, por vezes, não chegava a lugar nenhum.

Com o Twitter, as vozes se encontraram, e através dos 140 caracteres das mensagens as opiniões ganharam eco e força devido aos recursos do microblog. Usuários com boa capacidade de se relacionar na rede recebem mais atenção, na forma de seguidores e retweets de suas postagens, e a possibilidade de interagir até mesmo com famosos e figuras públicas atraiu muita gente para o serviço.

(Fonte da imagem: Reprodução/Information Technology)

Apesar da limitação dos tweets, a ferramenta foi capaz de construir um espaço interconectado, vivo e criativo de opiniões. O tamanho reduzido das mensagens acabou traduzindo um espírito da contemporaneidade – da necessidade de transmitir informações de maneira sucinta e da popularização de conteúdos de consumo rápido (e também pouco aprofundados).

Conectividade na web e nos aparelhos portáteis

O sucesso do Twitter também se explica pela forma como a sua API (Application Programming Interface) está desenhada. A ferramenta se comunica com facilidade através da web e permite que programadores utilizem o serviço em suas páginas e aplicativos, ou até mesmo que eles desenvolvam recursos adicionais para o microblog.

Por isso, é frequente vermos sites e serviços que oferecem o Twitter como opção de login, para você utilizar o seu perfil pessoal como cadastro e alternativa de assegurar seus dados. Até mesmo o registro de comentários em páginas da internet pode ser feito utilizando a sua conta do serviço.

Além disso, o Twitter se adequa muito bem ao formato de smartphones, especialmente pela rapidez dos tweets e pela possibilidade de ver, em curtas postagens, as últimas notícias. Neste caso, porém, o mérito é dos próprios usuários, que popularizaram o uso da ferramenta nos aparelhos portáteis.

(Fonte da imagem: Reprodução/The Drum)

O Twitter é um dos aplicativos originados na web que mais se beneficiaram com os smartphones. Hoje, grande parte do tráfego de dados do microblog ocorre através desses dispositivos. Isso permite que artistas e celebridades se comuniquem com seus fãs, por exemplo, de dentro de suas limusines, a caminho de um show ou de um evento.

Os metadados e as aplicações possíveis

É nessa hora que os metadados coletados pelo Twitter se tornam tão valiosos, não apenas pela chance de reconstituir os passos de alguém como também pela possibilidade de analisar o alcance, a popularidade e a capacidade de um usuário em influenciar a opinião pública.

Os metadados registram as atividades de cada tweet em mais de 30 campos de descrições, os quais podem servir para gerar um enorme banco de dados de comportamento dos twitteiros. O sistema marca, por exemplo, se o conteúdo é adequado para todo o público ou se há restrições ou denúncias por parte dos demais leitores.

É nesse sentido que o mecanismo de controle do Twitter se apresenta tão interessante: o poder de julgar os tweets está nas mãos dos usuários, e não da empresa. Dessa maneira, o microblog é autorregulado pelos próprios clientes, que decidem, de acordo com seus gostos e predileções, o que promover e o que rejeitar.

(Fonte da imagem: Reprodução/Telegraph)

Essa característica é o que atrai, cada vez mais, a atenção de agências publicitárias pelos metadados do Twitter. Como é o próprio público que define os tópicos mais comentados, os assuntos mais quentes e quem ou o que merece receber um retweet na rede, a ferramenta se torna um espaço ideal para a inserção de campanhas e peças de publicidade com alvos dirigidos.

E não apenas isso, o Twitter disponibiliza essas informações dos tweets de forma aberta, pública e democrática, bastando o usuário solicitar uma “API key” para acessar os metadados através da internet. Claro que, para o usuário comum, esses campos não são mais do que números e textos confusos e de difícil leitura, exigindo um programa para organizar o banco de dados.

Porém, essas informações são de grande valor para companhias que querem saber, por exemplo, qual é o melhor horário para divulgar uma promoção, lançar um novo produto ou novidade através de sua conta na rede. Dados como esses ajudam a entender o perfil dos usuários e potenciais consumidores da web, e até mesmo utilizar as vozes (e tweets) desses milhões de twitteiros para alavancar e determinar o sucesso de campanhas.

Como podemos ver, não há nada simples e ingênuo nas aplicações de mecanismos na web, nem mesmo em curtas postagens de apenas 140 caracteres.

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