(Fonte da imagem: Reprodução/Tizen (Google Plus))

Quais são os sistemas operacionais que você conhece e que podem equipar os smartphones de todo o mundo? É bem provável que se perguntarmos isso para todos os nossos leitores, as respostas mais frequentes devem envolver Windows Phone, Android e iOS. Mas você deve saber que existem outras opções, não é mesmo? Algumas que parecem pouco promissoras, mas existem.

Falamos em “pouco promissoras”, mas isso não pode ser referente ao Tizen — personagem principal deste artigo. Isso acontece por um motivo bem simples: o sistema operacional possui o apoio de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo e isso pode representar avanços que poucos sistemas conseguiram. Mas antes de falarmos sobre isso, é importante contextualizar um pouco melhor.

O que é o Tizen?

Imagine um sistema operacional baseado nos códigos-fonte do Linux — assim como o sistema MeeGo. Agora você precisa imaginar que este sistema é versátil e pode ser instalado em qualquer dispositivo eletrônico. Caso você tenha conseguido fazer isso, você está com a imagem do Tizen em sua cabeça. Assim como o Android, o Tizen possui código aberto e permite que qualquer desenvolvedor realize alterações em sua estrutura.

Apesar de não ser uma proposta exclusiva do Tizen, o sistema propõe a utilização do HTML5 como principal estrutura para os aplicativos e para as próprias funções principais dele — algo parecido com o que faz o Firefox OS. Com isso, os mesmos aplicativos poderiam ser utilizados em Smart TVs, smartphones, tablets e qualquer outro aparelho eletrônico, pois a programação deles seria completamente escalável.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tizen)

Para os mais aficionados por tecnologia, o nome Bada não deve soar estranho. Trata-se de um sistema operacional presente em alguns smartphones da Samsung, um dos responsáveis pelo avanço da empresa coreana no mercado de smartphones. Parte deste sistema, que foi abandonado em fevereiro deste ano, serve como base para o Tizen.

Por enquanto, apenas uma câmera da Samsung é vendida com o sistema operacional, pois ele ainda está em construção e falta bastante para que ele seja considerado como algo pronto a ser colocado no mercado internacional. Mesmo assim, há muitos investimentos nessa que pode ser a grande aposta da Samsung para os próximos anos — sim, estamos falando da mesma Samsung que dominou o mercado de smartphones com o Android.

Quem apoia?

Apesar de o nome da Samsung ser muito visto neste artigo, é preciso saber que os desenvolvedores do Tizen são filiados à Linux Foundation. A empresa da Coreia do Sul aparece como corresponsável pela direção do sistema, logo ao lado da fabricante de processadores Intel. Ou seja, a Samsung e a Intel estão financiando o projeto, mas não são proprietárias dele.

Maratona de desenvolvimento, patrocinada pela Samsung (Fonte da imagem: Reprodução/Tizen (Flickr))

E são essas duas empresas que — ao lado de Huawei, Vodafone e algumas outras menos expressivas — estão investindo pesado no desenvolvimento do Tizen. Com esses nomes de peso como apoiadores da Linux Foundation no desenvolvimento do Tizen, não é de se duvidar que em breve comecem a surgir os primeiros smartphones com o sistema operacional.

Sendo um sistema de código aberto e multiplataforma, é bem possível também que ele ganhe larga adesão por parte da comunidade de desenvolvimento open source. Isso deve valer tanto para aplicativos quanto para alterações no próprio sistema. Mas isso nos leva a uma dúvida muito válida para os próximos anos. Será que a comunidade Android irá migrar para o Tizen?

A Samsung nessa história

Atualmente, os dois principais sistemas operacionais portáteis do mundo são iOS e Android. Este segundo, produzido e distribuído pela Google, conseguiu ampla adesão em todo o mundo graças à Samsung. É claro que a empresa sul-coreana não é a única responsável pelo sucesso do sistema, mas certamente é uma das protagonistas nessa história.

Aparelho com Tizen pode estar a caminho (Fonte da imagem: Reprodução/RbMen)

O principal trunfo da Samsung foi ter analisado o mercado e percebido que havia um nicho muito interessante sendo formado. A principal fabricante de celulares alguns anos atrás era a Nokia, mas quando o mercado se moldou para os smartphones, algumas apostas erradas fizeram com que o mercado ficasse carente de opções para os iPhones (fabricados pela Apple).

Nessa lacuna do mercado, a Samsung conseguiu ótimos resultados com suas duas linhas principais de smartphones: os Galaxy e os Wave. Enquanto os primeiros são vendidos até hoje com o sistema Android, os segundos eram produzidos com o Bada. E apesar de a Samsung ter total domínio com os aparelhos Galaxy, ter mais controle sobre o sistema operacional é algo que a empresa ainda almeja.

Galaxy: alto poder em todos os nichos

O Android é um sistema operacional que permitiu que consumidores de diversas faixas de poder aquisitivo tivessem acesso aos smartphones. Um dos fatores que mais contribuem para isso é o fato de que diversas empresas investiram no projeto, criando celulares que se encaixam nos mais variados perfis de utilização — desde os usuários mais casuais até os aficionados por games pesados.

Galaxy S4: sucesso absoluto (Fonte da imagem: Divulgação/Samsung)

Há aparelhos fabricados por empresas muito conhecidas como LG, Sony e Motorola, até outros de fabricantes de menos destaque, como a Huawei, ZTE e Alcatel. Nessas duas definições distintas, surgem smartphones que vão dos R$ 400 até aparelhos que custam mais de R$ 2 mil. E também existe a Samsung, que se encaixa nos dois exemplos de valores apresentados.

Pois é! Basta folhear um anúncio de lojas de eletrônicos ou de departamentos... Você logo verá que existem smartphones Samsung Galaxy criados para praticamente todas as faixas de preço. Galaxy Y, Galaxy X, Galaxy S, Galaxy Duos ou Galaxy Win, todos são opções da empresa coreana para os consumidores que querem um novo smartphone, independente do quanto podem ou querem pagar.

“Galaxy” é maior que “Android”?

Como você pode ver, existem smartphones Samsung Galaxy em todas as faixas de preço. E é também preciso lembrar que eles são líderes de vendas em praticamente todos os segmentos em que se encaixam. A grande dúvida que surge nesse caso é: será que a marca Samsung Galaxy vale mais do que a marca Android? Mais do que isso: essa marca vale algo sem o Android?

Será que a Samsung é maior que o robôzinho? (Fonte da imagem: Reprodução/Irina Blok)

Se a resposta for “sim” para essas perguntas, a Samsung pode realmente apostar suas fichas em um sistema operacional mais controlado, como seria o caso do Tizen. Somente assim a empresa coreana poderia abandonar o sistema operacional da Google e ainda continuar na liderança do mercado de smartphones, sem perder espaço para LG, Sony, Motorola e outras empresas que vêm apresentando bons aparelhos.

Caso contrário, apostar em um sistema operacional novo pode ser uma decisão tão acertada quanto a da Nokia em investir no Symbian, anos atrás. Se o nome do Android for mesmo maior que o nome do Galaxy, abandoná-lo pode significar um retrocesso gigantesco por parte da Samsung.

Os desafios do Tizen

Vamos imaginar que, na mente dos consumidores, os aparelhos Samsung Galaxy realmente sejam maiores do que o sistema Android. Mesmo assim, ainda existem alguns detalhes que precisam ser pensados antes de um abandono total do sistema produzido pela Google. O primeiro deles é a já mencionada dúvida sobre a adesão do público. Mesmo que eles tenham total confiança na marca, a mudança sempre gera desconforto.

A loja de aplicativos do Android conta com mais de 1 milhão de apps disponíveis e esse número certamente é difícil de ser batido. Com menos opções disponíveis, torna-se mais complicado convencer consumidores a arriscarem em uma novidade. Além disso, outras empresas poderiam se aproveitar do momento, investir em aparelhos Android top de linha e roubar a faixa do mercado que hoje é dominada pela Samsung.

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Mudar é sempre arriscado e, quando falamos na principal empresa do segmento, isso merece ainda mais atenção. Se a Samsung mantiver seus mercados em paralelo — como afirma que irá fazer por enquanto —, com opções equipadas com Tizen e com o Android, dificilmente o novo sistema conseguirá triunfar. Se ela apostar somente no novo mercado, corre o risco de perder espaço.

Você acha que vale a pena se arriscar desse modo ou é melhor deixar as coisas como estão, fazendo com que o Tizen seja um sistema disponível apenas para quem realmente aposta no desenvolvimento open source?

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