Se engana quem pensa que as polêmicas a respeito da tecnologia aplicada à indústria automobilística se limitam a escândalos na emissão de poluentes, a decisões de montadoras a respeito de quem vive e quem morre em dilemas com sistemas de direção autônomo ou aos preços abusivos que o público brasileiro paga por seus carros. Um acidente fatal com o Tesla Model S, nos Estados Unidos, mostra que o futuro já chegou e que ele traz sua própria cota de problemas. E daí? E daí que nós vamos ter que aprender a lidar com isso

Da mesma forma como os avanços tecnológicos cotidianos tende a ajudar ou facilitar a nossa vida, ela também pode criar novos tipos de desafios para a sociedade. A Samsung, por exemplo, vem enfrentando um problemão com seus Galaxy Note 7, já que um defeito em sua bateria fez com que os dispositivos se tornassem instáveis e passassem a explodir durante o carregamento. Se um dispositivo pequeno tem um potencial tão destrutivo assim, consegue imaginar o estrago feito por um carro que basicamente se alimenta de Galaxy Notes?

Toda bateria oferece riscos

É mais ou menos isso que a população de Indianapolis viu durante um caso ocorrido na última quinta-feira (3). Segundo as autoridades locais, o elétrico Model S bateu em alta velocidade contra uma árvore durante a madrugada e entrou imediatamente em chamas. Como se a morte da motorista de apenas 27 anos no próprio local não fosse trágica o suficiente, os bombeiros tiveram que enfrentar um fogo que não se extinguia tão facilmente e que se comportava de forma diferente dos acidentes com veículos convencionais.

As vítimas do acidente envolvendo o Model S

Os bombeiros também tiveram que lidar com células de bateria que explodiam como fogos de artifício

De acordo com o Departamento de Bombeiros da cidade, foi preciso utilizar quantidade absurdas de água – além de pó químico – por cerca de 5 a 10 minutos para que os atendentes do acidente pudessem eliminar os focos de chamas. Além do incêndio intenso, os bombeiros também tiveram que lidar com células de bateria que, depois de aquecidas ou queimadas, explodiam como fogos de artifício. Só depois de a situação ter sido colocada sob controle foi possível fazer o resgate do passageiro do automóvel, que, infelizmente, faleceu no hospital.

Trabalho em conjunto

Em entrevista aos canais de TV da região, Kevin Jones, chefe do batalhão destacado para cuidar do caso, explicou que não é raro que os carros peguem fogo em acidentes dessa magnitude – especialmente equipamentos à combustão. O problema com os veículos híbridos ou 100% elétricos, segundo o bombeiro, é que suas baterias de alta voltagem exigem muita dedicação dos profissionais e uso intenso de recursos para serem devidamente controladas.

O jeito para fazer com que casos como esse sejam resolvidos de forma mais rápida e efetiva? Treinar. Em comunicado, o Departamento de Bombeiros de Indianapolis afirma que tem treinado seus integrantes nos desafios únicos apresentados por modelos que se alimentam parcial ou completamente de baterias. A própria Tesla tem plena consciência desse tema e oferece em seu site guias detalhados para ajudar os bombeiros em casos de incêndio.

Arquivos PDF dão a localização de itens sensíveis do carro

Além disso, um representante da empresa capitaneada por Elon Musk revelou que a companhia está triste com o ocorrido, mas está fazendo seu máximo para ajudar as autoridades a solucionar o caso. Infelizmente o auxílio da montadora pode ser limitado. “Devido ao dano causado pela colisão, o carro foi fisicamente incapaz de transmitir seus dados de gravação para os nossos servidores”, lamenta no comunicado.

Caso o Autopilot estivesse ativado, a tragédia poderia ser evitada

O texto também lembra que, caso o sistema de Autopilot estivesse ativado, muito provavelmente a tragédia poderia ser evitada. Isso porque a plataforma limitaria a velocidade do Model S nessa situação a cerca de 55 km/h – uma velocidade que, segundo as testemunhas, é bem menor do que a que o veículo circulava no momento do acidente.

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