Número de núcleos do processador, quantidade de memória RAM, megapixels da câmera, capacidade da bateria... todos esses são detalhes importantes na hora de comprar um novo smartphone. Porém, algumas características podem acabar ficando de fora na hora de avaliarmos se um aparelho vale a pena ou não. Esse é o caso do display e suas tecnologias, que às vezes podem acabar não recebendo o “peso” que deveriam na hora da tomada de decisão.

E não, não estamos falando apenas do tamanho da tela. É fácil saber quando você precisa de um smartphone com mais de 5 polegadas ou se 4 é o suficiente para você. Mas você consegue entender a diferença entre as siglas, como LCD, OLED, AMOLED, IPS e TFT? E qual é a importância da resolução para a experiência do usuário? Vamos responder essas e outras dúvidas para te ajudar a avaliar corretamente a tela de um smartphone

Sopa de letrinhas

Antes de partirmos para explicações técnicas, é importante desvendarmos esse monte de letras que faz parte das tecnologias de display. Convenhamos: é muito fácil se confundir e ficar perdido em meio a tantas siglas e significados que não são  nada simples de entender.

  • LCD (Liquid Crystal Display ou Display de Cristal Líquido): tecnologia básica dos displays atuais em que cristais líquidos dispostos de forma organizada se tornam transparentes ou opacos de acordo com a passagem de corrente elétrica. Tudo isso para controlar a passagem de luz emitida pela backlight.

  • TFT (Thin Filme Transistor ou Transistor de Película Fina): tecnologia em forma de camada que regula os transistores, que por sua vez controlam a corrente elétrica que define a intensidade de luz que entra na tela.

  • IPS (In-Plane Switching): tecnologia que propôs uma nova forma de organização para os cristais líquidos nas telas LCD. Em vez da disposição horizontal, ficou convencionado que as moléculas de cristal líquido estariam dispostas de forma perpendicular ao display. Como benefício, foi possível aumentar o ângulo de visão da imagem (sem perder qualidade de cor e definição) e a taxa de atualização de quadros, permitindo frequências de até 240 Hz.

  • OLED (Organic Light-Emitting Diode ou Diodo Orgânico Emissor de Luz): ao invés dos cristais de LCD, as telas OLED usam diodos orgânicos que se autoiluminam e pode se apagar completamente, dispensando a necessidade do backlight, que no LCD fica aceso sempre que a tela está ligada (mesmo para exibir a cor preta). Essa tecnologia é uma evolução das telas LED, que exigiam um encapsulamento individual e não são mais usadas nos smartphones.

  • AMOLED (Active Matrix Organic Light-Emitting Diode ou Matriz Ativa de Diodos Orgânicos Emissores de Luz): a diferença do OLED para o AMOLED é que este último possui uma fina película de transistores, o mesmo TFT usado nas telas IPS. Portanto, não é errado dizer TFT AMOLED, embora ninguém utilize essa terminologia.

Hoje, dois tipos de telas chamam atenção dos consumidores e dividem opiniões: o LCD IPS e o AMOLED (e suas variações). Longe de querer entrar nessa disputa, o que queremos destacar é que esses não são os únicos aspectos importantes na hora de se avaliar um display.

A discussão é parecida com a definição de quantidade de megapixels na câmera de um smartphone

A discussão é parecida com a definição de quantidade de megapixels na câmera de um smartphone. Trata-se de uma característica importante, mas não a única que vai determinar a qualidade final da foto. É por isso que vamos discutir os outros aspectos que podem impactar diretamente na qualidade de uma tela e na experiência do ususário.

Resolução, um dos aspectos mais importantes

Além de se preocupar com o tipo de display, o consumidor também deve se atentar à resolução da tela. Para explicar isso, precisamos entender a unidade mais básica na formação de uma imagem: o pixel. Esses pontos luminosos, quando unidos, formam uma imagem. Quanto maior a quantidade deles, maior é a resolução e definição.

A figura abaixo mostra a diferença entre um pixel e 100 pixels. Como você pode vez, contamos essa unidade listando a quantidade de pontos na horizontal e depois na vertical.

Por isso, quando você vê que uma tela possui resolução Full HD, significa que ela apresenta 1920 colunas por 1080 linhas de pixels. Porém, em vez de dizermos que o display possui um total de 2.073.600 pontos, usamos a proporção para facilitar a nossa vida, ou seja, 1920x1080 pixels

Diante disso, não é muito difícil entender que uma foto de 1920x1080 pixels é mais bem definida que uma de resolução 1280x720 pixels (convencionalmente chamada de HD). Porém, isso ainda não é o suficiente para bater o martelo, já que temos uma outra característica muito importante para o display e a definição de imagem: a densidade de pixels.

Densidade de pixels e a definição de imagens

Embora a resolução determine a quantidade de pixels que uma tela possui, a sua importância pode esbarrar no tamanho do display. É aí que entra a densidade de pixels, que define a relação entre as polegadas e a resolução.

Quanto maior for a tela, menor será o ppi. Por outro lado, quanto menor o display, maior é a densidade de pixels por polegada da tela

Para chegar a esse valor, calcula-se a quantidade de pixels existente em cada polegada do display. O resultado é um número expresso em pixels per inch (ppi) ou pixels por polegada. Quanto maior for a tela, menor será o ppi. Por outro lado, quanto menor o display, maior é a densidade de pixels por polegada da tela.

Entender a densidade de pixels (consequência do tamanho de tela e resolução) é importante especialmente se considerarmos os smartphones, já que o utilizamos bem perto dos olhos. Em um aparelho com um ppi alto, temos um espaço menor entre os pixels da tela, o que diminui a chance de conseguir enxergar esses pontos luminosos (o que indicaria uma baixa definição de imagem). Aí vai um exemplo.

Considere os aparelhos abaixo com tela de 5,5 polegadas:

  • Smartphone 1: resolução HD (1280x720 pixels ou 720p) e densidade de 267 ppi
  • Smartphone 2: resolução Full HD (1920x1080 pixels ou 1080p) e densidade de 401 ppi
  • Smartphone 3: resolução QHD (2560x1440 pixels ou 1440p) e densidade de 538 ppi

Se esses smartphones forem colocados lado a lado, a tendência é enxergarmos com mais facilidade os pixels do aparelho 1, já que este possui uma densidade de pixels mais baixa. E, como já dissemos, esse é um indicativo de que o dispositivo possui uma tela com menor definição do que os outros.

Nits e a sua importância para ambientes externos

Outro ponto muito importante para um smartphone é a sua capacidade de brilho, detalhe que favorece o uso do aparelho em ambientes externos. Muito embora as fabricantes não divulguem essa informação, há uma medida que determina essa capacidade dos aparelhos: o nit, uma unidade de intensidade de luz visível. Quanto maior essa numeração, melhor tende a ser a visualização da tela sob iluminação forte.

O motivo que leva as fabricantes a não divulgarem o brilho máximo de seus aparelhos é a dificuldade em se obter essa medida. Para chegar a esse valor, é preciso usar instrumentos específicos que vão definir com base em vários fatores o número de nits. Para nossa sorte, o site PhoneArena mantém uma lista atualizada com os aparelhos com o brilho máximo mais alto.

Após testes de utilização nesse cenário, convencionou-se que o valor mínimo adequado para um smartphone proporcionar uma boa visualização é de 500 nits. Portanto, acima desse valor, é muito provável que o aparelho ofereça uma experiência agradável sob luz intensa.

Vale ressaltar que brilho forte não é garantia de qualidade do display. Esse fator precisa ser somado a todos os outros para determinar se uma tela é boa ou não quando comparada à outra. Porém, uma medida de nits muito baixa com certeza pode prejudicar a utilização do smartphone em algumas condições. Mas não se preocupe: aparelhos mais modernos geralmente atendem ao requisito mínimo.

Ajudinha do software

Além de entender todas as questões técnicas que envolvem a qualidade de um display, é preciso saber que o software pode influenciar na experiência final do usuário em relação à tela. Isso porque algumas fabricantes oferecem em seus smartphones opções para ajustes que vão muito além do controle de brilho.

A tecnologia MiraVision oferece alguns ajustes finos para aprimorar a experiência do display

A tecnologia MiraVision, por exemplo, presente em alguns smartphones com processador MediaTek (como os modelos Quantum MÜV e Quantum Fly), oferece alguns ajustes finos para aprimorar a experiência do display. O resultado aparece em tempo real e é possível modificar aspectos como contraste, saturação, brilho da imagem, nitidez, temperatura da cor e ativar a opção de contraste dinâmico.

Essa tecnologia da MediaTek promete até mesmo ter um reflexo positivo no consumo de bateria em smartphones com display LCD. A MiraVision faz uma compensação inteligente de brilho dos pixels, manipulando-os um a um em tempo real, adaptando-se de acordo com as condições de luz ambiente e reduzindo o acionamento e a intensidade do backlight.

Outras tecnologias

Algumas fabricantes também apostam em outras tecnologias para oferecer uma qualidade de display melhor para os consumidores. Um exemplo é a Quantum, que aposta na chamada TruView. Essa tecnologia substitui o backlight padrão por um azul de 85% de saturação e o painel LCD por um de alto contraste. O resultado são cores muito mais vivas e bem definidas.

A Samsung é outra que investe pesado nesse segmento e, em 2010, melhorou a tecnologia AMOLED desenvolvendo o que é chamado de Super AMOLED. Ao contrário do que alguns comentam, essa inovação não se resume apenas ao marketing, mas realmente traz melhorias significativas e pode ser considerada uma evolução.

O que a empresa sul-coreana fez, basicamente, foi colocar a camada sensível ao toque dentro da própria tela AMOLED. Como resultado, a Samsung pode remover o vidro com função touchscreen que ainda faz parte de displays LCD e AMOLED, ficando com uma tela ainda mais fina, leve e sensível ao toque.

Futuro?

Ao contrário de segmentos como o de chips e sensores de câmera, a evolução da tecnologia de display parece caminhar de forma mais lenta. Porém, isso é natural. Afinal, é difícil inovar em uma área que fica limitada à capacidade dos olhos humanos, que muitas vezes têm dificuldade de enxergar a diferença entre um display com resolução HD e outro Full HD.

A evolução da tecnologia de display parece caminhar de forma mais lenta

Por isso, é certo dizer que ainda teremos um domínio de painéis LCD e AMOLED nos próximos anos, e manteremos a resolução abaixo do QHD (2560x1440 pixels). Embora já existam smartphones com resolução 4K (3840x2160 pixels e 806 ppi) – o Xperia Z5 Premium é um bom exemplo –, ainda não é necessário dar esse próximo passo em direção a uma resolução mais alta.

E você, como acha que vai ser o futuro das telas para smartphones? Que tecnologias você acredita que estarão presentes nos próximos anos? Displays dobráveis, como o conceito já apresentado pela Lenovo? Telas transparentes? Bordas ultrafinas, como as do Xiaomi Mi Mix? Compartilhe com a gente no campo dos comentários a sua opinião!

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