Aparentemente o governo dos Estados Unidos está realmente ansioso para desenvolver a sua própria versão do Homem de Ferro. Não é a primeira vez que o assunto toma a pauta oficial do país, e até mesmo o presidente Obama já deu declarações a respeito desse projeto. Como não é possível encontrar Anthony Stark para desenvolver a super armadura, os militares decidiram atrás da segunda melhor coisa: os projetistas e criadores dos efeitos especiais do filme da Marvel.

Lindsay MacGowan, a fundadora da Legacy Effects que também trabalhou nos recentes Robocop de José Padilha e X-Men: Dias de um Futuro Passado, disse que: “É uma tarefa árdua, porque a vida de alguém estará nas nossas mãos”. Esta é apenas uma das empresas contratadas pelo Departamento de Defesa para o Projeto TALOS (Tactical Assault Light Operator Suit ou Vestimenta Operativa Leve de Assalto Tático). As outras companhias incluem um grupo de pesquisa canadense que estuda lutadores de sumô e como eles conseguem ser ágeis e resilientes carregando tanto peso, outro grupo na Flórida especializado em armaduras medievais, e a Ekso Bionics, cujo o foco é o desenvolvimento de exoesqueletos para possibilitar a locomoção de deficientes.

A Legacy Effects tem utilizado impressoras 3D de última geração para criar as diferentes partes da armadura que estão desenhando para os militares, eles apresentaram diversos protótipos no último mês de junho: “Nós temos projetos que vão dede exoesqueletos, coletes de refrigeração e até espinhas artificiais para suportar capacetes poderosos. O ser humano não pode diferenciar muito sua forma e função, mas a tecnologia que você verá será muito distinta do soldado que temos nos dias de hoje ”, diz Brian Dowling o gerente do Projeto.

A origem do projeto TALOS

Uma armadura super poderosa é um elemento muito frequente em todos os cenários de fantasia e ficção científica e tem sido um objetivo para os militares há muitas décadas, gastando milhões de dólares em protótipos falidos. A motivação para o Projeto TALOS se originou em dezembro de 2012 quando seis membros da SEAL invadiram um galpão no Afeganistão para libertar um médico que havia sido feito de refém, um dos soldados da equipe foi morto durante a operação:

“Conforme os comandos invadiam o local e libertavam o refém, um membro da SEAL foi atingido em uma área crítica e não resistiu aos seus ferimentos. Depois deste momento, o Almirante William McRaven, responsável pelas operações especiais dos Estados Unidos, incluindo o ataque ao bunker de Bin Laden em 2011, decidiu que os seus operativos precisavam de mais proteção. Era um daqueles incidentes que nós parávamos e nos perguntávamos, qual é a nossa visão a longo prazo? ”, disse James “Hondo” Geurts o responsável pelo projeto no pentágono. “Nós fizemos tudo o que podíamos com o que tínhamos, e agora é a hora de tentar uma abordagem completamente nova”.

Os testes de um protótipo em Maio mostraram o quão difícil será fazer este salto. O voluntário apresentou séries dificuldades em correr com as peças de metal e o motor do exoesqueleto ficava sem energia rapidamente. Estima-se que é necessária uma bateria de pelo menos 170 quilos para sustentar alguns dos recursos básicos do traje. “O filme do Homem de Ferro disse toda a verdade: o mais importante é o reator arc no peito dele”, diz Russ Angold, co-fundador da Esko Bionics: “se alguém puder inventar um desses seria fantástico”.

Problemas de dinheiro e financiamento

Com um orçamento bem pequeno para projetos do pentágono, apenas oitenta milhões de dólares, o projeto TALOS terá apenas até 2018 para desenvolver um protótipo funcional de um traje de combate tático individual. Muitos oficiais da indústria têm se mostrado céticos em relação ao sucesso desse projeto:

“Para fazer isso certo eles precisam de pelo menos um bilhão de dólares, 20 milhões de dólares por ano no Departamento de Defesa dos Estados Unidos não dá para criar nem uma caneta. ” É o que alega um experiente pesquisador que trabalha para o Departamento, mas quando vemos os números dos projetos bem sucedidos é possível perceber que ele não está errado.

Um ótimo exemplo disso é o bem sucedido projeto em dispositivos análogos a um smartphone que mostram para um esquadrão as diferentes posições entre seus membros em um mapa. Batizado de Nett Warrior, os líderes das unidades podem ver imagens de satélite de seus comandados e até mandar mensagens para eles. Desde que começou a ser usada, a tecnologia tem melhorado o desempenho das operações especiais e dado mais autonomia e precisão aos líderes dos batalhões.

O sucesso deste programa não foi barato, nos primeiros dez anos do projeto, antes dele começar a efetivamente apresentar sinais de que poderia funcionar, foram gastos aproximadamente 500 milhões de dólares. E quase a metade disso uma vez encontrado o caminho certo para o Nett Warrior. Esses números gigantescos foram usados para desenvolver algo que em muitos sentidos é bem próximo da tecnologia que temos empregada em nossos smartphones com diferentes apps, um traje do Homem de Ferro deveria ser imensamente mais caro.

Um futuro promissor?

Para alívio dos fãs de super-heróis, os militares alegam que este projeto será bem diferente. No lugar de formas tradicionais de desenvolvimento, o Pentágono está contratando pensadores, especialistas de Hollywood e outras abordagens diferentes do normal. Tudo com o objetivo de ter um protótipo concreto e mais barato até 2018, ou pelo menos resultados bons o suficiente para que o governo renove seu contrato com o projeto, aumentando o orçamento do mesmo.

“A armadura não estará pronta tão cedo... e nem será vermelho e dourada, mas certamente entrará em todos os livros de história”, diz Lindsay MacGowan da Legacy Effects.

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