Com computadores cada vez mais “sedentos”, o TecLab traz, desta vez, um comparativo entre as melhores fontes de alimentação do mundo na atualidade: a Corsair AX1500i e a Super Flower Leadex 2000W.

A Corsair já é famosa de longa data por aqui, já que conta com um portfólio abastecido por fontes de alimentação, memórias, SSDs, coolers, gabinetes e outros componentes.

Contudo, é possível que você não conheça a Super Flower, já que ela tem pouca representatividade no Brasil, mas vale mencionar que se trata de uma das fabricantes mais conhecidas do mundo. Um dos modelos produzidos por essa empresa é a fonte EVGA SuperNOVA, uma das mais top no mercado brasileiro.

Bom, neste combate épico, temos nada menos do que uma fonte Corsair de 1500 watts com certificação 80 Plus Titanium (a mais alta que existe) e outra Super Flower de 2000 watts com certificação imediatamente anterior (80 Plus Platinum). Ambas são recomendadas para PCs com configurações entusiastas, mas cada uma tem suas características.

A certificação 80 Plus já foi devidamente constatada pelo pessoal do TecLab, mas, desta vez, Ronaldo “rbuass” Buassali, recordista mundial de Overclocking 3D e líder do TecLab, explica que para as certificações mais altas não é tão fácil realizar  “falcatruas”.

Conseguir uma certificação Platinum é difícil, pois é necessário que o projeto e seus componentes sejam adequados. No caso de certificação Titanium, então, chega a ser raro, já que, além de todas as qualificações necessárias para a categoria inferior, é necessário obter excelente eficiência também com baixa requisição de potência, o que é muito difícil.

Como é testada uma fonte?

Segundo a equipe do TecLab, o teste completo de uma fonte é bastante complexo, e este vídeo “síntese” é apenas um pequeno resumo (bem compactado) de partes importantes de muitas horas de vídeos, textos e cálculos. O teste de uma fonte compreende:

Inspeção visual

Nesta etapa, a fonte é desmontada, e todos os seus componentes são analisados (qualidade de capacitores, sistema de dissipação, sistemas de proteção etc.). A ideia é não deixar escapar detalhes, como a qualidade da soldagem ou mesmo do ventilador.

Componentes de baixa qualidade, como capacitores, ventilador, bobinas e outros, determinam menor vida útil, maior probabilidade de defeitos ou problemas como o Coil Whine. (https://youtu.be/Ka4XAJDoCAM?t=246)

Testes monitorados por equipamentos

Equipamentos adequados são necessários para tudo aquilo que não for “visual”. O TecLab conta com um vasto arsenal: uma Sunmoon 5500 ATE dual, osciloscópios (Tektronix e Stingray), power analyser, termocâmeras, data logger e até uma câmara de temperatura. Vamos conferir alguns testes:

Eficiência

Mostra a eficiência da fonte, ou seja, o quanto de energia é aproveitada ou desperdiçada no processo de alimentação elétrica do computador. A tabela de eficiência a ser seguida de acordo com o modelo é esta:

Fator de potência

É a relação entre a potência ativa (real) com a potência total (aparente). Uma vez que se trata de uma fração de mesmas unidades, o resultado será sempre um valor menor do que 1, sendo este valor a melhor condição, representada por 100%.

Temperatura

É a temperatura de operação da fonte. Ela é influenciada pelo calor do ambiente, mas também pelo funcionamento dos componentes internos. É muito mais fácil certificar uma fonte de alimentação com a temperatura a 25 ºC do que a 50 ºC. Basta ver que alguns componentes internos são certificados para determinadas temperaturas (ex.: capacitores a 85 ºC ou 105 ºC).

Regulação e estabilidade das tensões

Este item deve ser avaliado pela relação da tensão em 10% progressivamente até 100%. Em todas as linhas (3,30 V; 5,0 V e 12,0 V). A mais importante delas (em 12 V) é a variação entre 10% e 100%, e a estabilidade dessas é a capacidade de ela se manter o mais próximo possível dos 12 volts desejados. Existe um “delta” de 5% aceitável para a variação nas linhas principais de 12 volts.

Teste com baixa carga (< 100 watts)

Requisitado apenas para a certificação Titanium, este teste mede a eficiência da fonte quando ela não solicita carga acima de 100 W para funcionamento. Mostra o “desperdício” do computador quando ele está com pouca atividade.

Ripple

A concessionária fornece energia de forma alternada (VCA), mas os eletrônicos de maior precisão (computadores, celulares, aparelho de som etc.) necessitam de uma corrente estável (contínua) para operação (VCC). O Ripple é o componente de corrente alternada que se sobrepõe ao valor médio da tensão de uma fonte de corrente contínua (VCC).

O ripple é indesejado, pois surge de uma imperfeita supressão da onda alternada no interior da fonte. Quanto menor o seu valor, melhor será o funcionamento da fonte. Alguns especialistas recomendam valores abaixo de 120 mV nas linhas de 12 V ou 50 nas linhas menores, porém muitos consideram esse valor alto demais e limitam a apenas 60 mV.

Hold-Up time e Power Good

O Hold-Up time representa a quantidade de tempo que o sistema pode continuar funcionando em caso de uma interrupção de energia.

Já o PowerGood é o “sinalizador “que informa as linhas para o seu funcionamento.  O tempo determinado como adequado é 17 ms (milissegundos) ou superior.

Corrente de pico

Corrente de pico ou de partida é a corrente de entrada instantânea de um dispositivo elétrico quando é ligado pela primeira vez. Uma corrente de partida muito forte pode acionar disjuntores e fusíveis, além de danificar interruptores, relés e retificadores. Por isso, quanto mais baixa a corrente de partida, melhor será o funcionamento da fonte.

Transientes

A fonte de alimentação está sempre trabalhando com cargas que variam de acordo com a requisição dos componentes. Este teste analisa se a tensão permanece dentro dos limites, mesmo quando ela sofre uma mudança súbita de carga.

A fonte sempre deve se manter dentro das especificações dos limites de regulação estipulados pelo padrão ATX. A especificação ATX determina não exceder em 10% os valores nominais das tensões, portanto os testes com transientes verificam se a fonte permanece dentro dessa faixa.

Testes acústicos

É bastante difícil determinar as medições acústicas adequadamente, mas é alentador o fato de ser perceptível o problema quando o ruído é alto. Temos alguns ruídos dos componentes elétricos, do ventilador e do interior da fonte, porém a metodologia de testes pode variar de acordo com os procedimentos de utilização do medidor de pressão sonora.

Neste caso, colocamos o decibelímetro com o mínimo possível de ruídos externos, para verificar se atinge valores perceptíveis e incômodos. A aceitação e a exigência do usuário também variam de pessoa para pessoa.

Cross Load

Os testes de Cross Load são os mais complexos, uma vez que exigem uma operação completa da fonte. Existe uma grande variação nos resultados em função da temperatura externa, portanto utilizamos conforme a norma 80 Plus (25 ºC enquanto eles utilizam 23 + ou - 5 ºC).

Este teste realiza inúmeras combinações em todas as linhas (3,3 V; 5,0 V e 12,0 V) para gerar uma tabela com a regulação de carga, eficiência, ruído e os níveis de oscilação.

Qual é o resultado final deste comparativo?

A Corsair, fabricada pela Flextronics, com a única fonte do mundo de 1.500 W e controle digital (DSP), certificação Titanium (a mais alta que existe) e a Super Flower, que fabrica fontes para marcas como a EVGA e NZXT, com sua mais poderosa unidade, a Leadex de 2.000 W com certificação Platinum.

Os testes comparativos foram realizados a 25 ºC e 50 ºC, em 220 Volts, pois a Super Flower não tem capacidade de trabalhar em 115 V (padrão europeu).

Onde as fontes empataram:

  • Capacitores de alta qualidade (CHEMI-CON) no PFC do primário, demonstrando o zelo das empresas com o nível dos componentes;
  • Indutores do PFC;
  • Estágio de filtragem dos ruídos eletromagnéticos;
  • Cabos da saída principal +12 V;
  • Transformadores das linhas principais +12 V.

As duas fontes mostraram claramente por que desejam o título de “melhor fonte do mundo”. Ambas são construídas com todas as proteções necessárias, componentes de qualidade, sistemas de dissipação bem dimensionados e muita potência, com uma vasta oferta de cabos e conectores.

Onde a Corsair AX 1500i ganhou:

  • Controle digital DSP para correção e proteção imediata das funções;
  • Funcionalidade perfeita do Corsair Link no Windows 10;
  • Superou em mais de 2% de eficiência a classificação Titanium (93,4% x 91,0%);
  • Conseguiu os 1500 W também para 110 V, apesar de ser rotulada a 1300 W;
  • Maior eficiência que a concorrente em 1500 W e 1700 W (220 V);
  • Conseguiu 1790 Watts em boas condições operacionais;
  • Eficiência, temperatura e ripple melhores até 1700 W;
  • Excelente eficiência com baixa requisição (< 100 W);
  • Habilidade para operar em 110 V;
  • Sistemas de isolação e amortecimento (minimiza a incidência de Coil Whine).

Onde a Corsair AX1500i perdeu:

  • Potência máxima inferior à Super Flower (max. 1790 Watts em condições de trabalho);
  • Cabos AWG 18 (poderiam ser AWG 16, como os da sua concorrente);
  • Um conector/cabo PCIex a menos.

Onde a Super Flower Leadex 2000W ganhou:

  • Potência rotulada imbatível (2000 W);
  • Conseguiu 2260 Watts em boas condições operacionais;
  • Quantidade e qualidade dos cabos oferecidos;
  • Oferece 166 Ampères na linha de 12 V.

Onde a Super Flower Leadex 2000 W perdeu:

  • Falta de amortecimento nas bobinas pode tornar audível o ruído;
  • Hold-Up time 14,9 ms contra 19,5 ms da AX1500i (rec. min 16 ms);
  • Baixa eficiência abaixo de 100 Watts (obrigatório para Titanium).

Conclusão

Sob todas as condições até 1500 watts, a Corsair superou sua adversária e demonstrou ser a melhor fonte de alimentação da atualidade. Seu sistema de controle digital e monitoramento por Corsair Link ajudam a corroborar esta decisão junto à habilidade de trabalhar também em 110 volts (necessário no Brasil).

Suportando tranquilamente até 1700 watts (220V) sem demonstrar sinais de sobrecarga, é a escolha ideal para o usuário que busca o melhor dentro desta faixa de potência e tem condições para pagar o preço (R$ 2,1 mil).

O TecLab creditou a ela o título de melhor fonte da atualidade para até 1500 watts, desconsiderando sua habilidade de trabalhar em sobrecarga e não a recomendando para esta condição.

Contudo, fica a ressalva para os que necessitam de mais do que 1500 watts. O TecLab avaliou a Super Flower 2000 W como uma fonte “fantástica” e cita que, apesar de ter apresentado um conjunto um pouco inferior de qualidades, ela é excelente e de potência insuperável.

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